Extraterrestres

Introdução

A “pluralidade de mundos habitados” é bem aceita na codificação kardecista. Em sua faceta religiosa, afirmar-se em O Evangelho segundo o Espiritismo (ESE), cap III, uma correspondência entre Jo 14.1-3, onde Cristo fala que “Há muitas moradas na casa de meu Pai” e essa tese, embora seja provável que o evangelista quisesse dizer que há bastante espaço no Céu para todo mundo… No lado “científico”, o Livro dos Espíritos (LE) traz:

Cap III, 55:” São habitados todos os globos que se movem no espaço?” [Resposta dos espíritos]: “Sim…”

Cap. IV, 188: Segundo os espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda baixo, sendo-lhe Júpiter superior de muito, a todos os respeitos…

Vale ressaltar que o tema é muito melhor desenvolvido na Revista Espírita (RE), mais especificamente na edição de março de 1858. Eis alguns fragmentos:

Quem ainda não se perguntou, considerando a Lua e os
outros astros, se esses globos são habitados? Antes que a Ciência nos houvesse iniciado na natureza desses astros, podia-se duvidar; hoje, no estado atual de nossos conhecimentos, pelo menos há probabilidade; mas, a essa ideia verdadeiramente sedutora, são feitas objeções tiradas da própria Ciência. Parece, dizem, que a Lua não tem atmosfera e, provavelmente, não tem água. Em Mercúrio, tendo em vista a sua proximidade do Sol, a temperatura média deve ser a do chumbo fundido, de sorte que, se ali houver este metal, deve correr como a água dos nossos rios. Em Saturno dá-se exatamente o oposto; não temos um termo de comparação para o frio que lá deve reinar; a luz do Sol deve ser muito fraca, apesar do reflexo de suas sete luas e de seu anel, porquanto, àquela distância, o Sol não deve parecer senão como estrela de primeira grandeza. Em tais condições, pergunta-se se seria possível viver.

A maioria dessas objeções deve estar certa, mas Kardec nos brinda com uma boa sacada:

Em relação aos seres vivos, não seria negar o poder divino julgar impossível uma organização diferente da que conhecemos, quando, sob nossos olhos, a providência da Natureza se estende com uma solicitude tão admirável até o menor inseto, dando a todos os seres órgãos apropriados ao meio em que devem viver, seja a água, o ar ou a terra, estejam imersos na escuridão ou expostos à luz do Sol? Se jamais houvéssemos visto peixes, não poderíamos conceber seres vivendo na água; não faríamos uma ideia de sua estrutura. Ainda há pouco tempo, quem teria acreditado que um animal pudesse viver indefinidamente no seio de uma pedra? Mas, sem falar desses extremos, os seres que vivem sob o forte calor da zona tórrida poderiam existir nos gelos polares?

Ponto para Kardec! Apesar de não usar termo, ele nos expõe a comprovada existência de seres extremófilos em nosso próprio planeta, então por que não em outros planetas? Outra analogia sugestiva vem em seguida:

A Terra é salpicada de inumerável quantidade de ilhas, pequenas ou grandes, e tudo o que é habitável é habitado; não surge no mar um rochedo sem que o homem ali não plante a sua bandeira. Que diríamos se os habitantes de uma dessas menores ilhas, conhecendo perfeitamente a existência das outras ilhas e continentes, mas não tendo tido jamais relações com os que os habitam, acreditassem ser os únicos seres vivos do globo? Dir-lhes-íamos: Como podeis acreditar que Deus tenha feito o mundo somente para vós? Por qual estranha bizarrice vossa pequena ilha, perdida num canto do oceano, teria o privilégio de ser a única habitada? Podemos dizer o mesmo em relação às outras esferas.

É uma hipótese interessante e plausível, mas o ônus de sua prova sempre está com quem a afirma. O problema principal surge justamente quando ele se empolga com a ideia:

Chegamos, pois, por um simples raciocínio, que muitos outros fizeram antes de nós, a concluir pela pluralidade dos mundos, e esse raciocínio é confirmado pelas revelações dos Espíritos. Com efeito, eles nos ensinam que todos esses mundos são habitados por seres corporais apropriados à constituição física de cada globo; que, entre os habitantes desses mundos, uns são mais, outros menos adiantados que nós, do ponto de vista intelectual, moral e mesmo físico. Ainda mais: sabemos hoje que podemos entrar em relação com eles e obter informações sobre o seu estado; sabemos, igualmente, que não apenas são habitados todos os globos por seres corpóreos, mas que o espaço é povoado de seres inteligentes, a nós invisíveis por causa do véu material lançado sobre nossa alma e que revelam sua existência por meios ocultos ou patentes. Assim, tudo é povoado no Universo, a vida e a inteligência estão por toda parte: nos globos sólidos, no ar, nas entranhas da Terra, e até nas profundezas etéreas. Haverá nessa doutrina alguma coisa que repugne à razão? Não é, ao mesmo tempo, grandiosa e sublime? Ela nos eleva por nossa própria pequenez, bem ao contrário desse pensamento egoísta e mesquinho, que nos coloca como os únicos seres dignos de ocupar o pensamento de Deus.

Alegar que TODOS os globos são habitados e que vida inteligente abunda é tão arriscado quanto dizer que só a Terra é habitada. Um wishful thinking não é o bastante, então Kardec dá a seguinte “prova”:

Quanto à aplicação que podemos fazer de nosso raciocínio aos diferentes globos de nosso turbilhão planetário, só temos o ensino dos Espíritos; ora, para os que só admitem provas palpáveis é positivo que sua assertiva, a esse respeito, não tenha a certeza da experimentação direta. Entretanto, diariamente não aceitamos, confiantes, as descrições que os viajantes nos fazem de países que jamais vimos? Se só devêssemos crer no que vemos, creríamos em pouca coisa. O que aqui dá certo valor ao que dizem os Espíritos é a correlação existente entre eles, pelo menos quanto aos pontos principais. Para nós, que temos testemunhado essas comunicações centenas de vezes, que as temos apreciado em seus mínimos detalhes, que lhes investigamos os pontos fracos e fortes, que observamos as similitudes e as contradições, nelas encontramos todos os caracteres da probabilidade; contudo, não as damos senão como inventário e a título de ensinamentos, de que cada um será livre para dar a importância que julgar conveniente.

Centenas de vezes“. Então, o que está em jogo não é a mera crença em extraterrestres próximos a nós, mas a própria confiabilidade do “Consenso Universal dos Espíritos”. Os métodos indiretos a que Kardec alude para aquisição de informações sobre terras distantes de nosso planeta, ou melhor, qualquer informação calcada basicamente em testemunhos – como fatos históricos – podem ser tão mais confiável se eles satisfizerem alguns critérios:

  • Serem numerosos. Assim podem ser comparados uns com os outros. Kardec alegou quantidade, mas essa é uma pesquisa da qual só temos os resultados, não há pormenores precisos de como ela foi feita, como os dados foram filtrados, etc.
  • Serem em primeira mão. Testemunhos oculares são preferíveis aos de segunda, terceira mão. Viajantes podem auferir lucros ao vender seus produtos locais em terras distantes e ainda trazer bugigangas exóticas de lá. Documentos históricos e relíquias arqueológicas podem ser datadas como próximas a determinado evento. Não é possível tal tipo de checagem com comunicações mediúnicas, ao menos não prontamente.
  • Serem independentes. Se tudo ficou centralizado na compilação de Kardec e na suposta “Falange do Espírito da Verdade”, há tudo menos independência.
  • Não se contradizerem. Do contrário, ao menos um deles está errado, quando não mais. Há relatos da codificação e Revistas Espíritas díspares com comunicações posteriores. Sem contar com o conhecimento auferido pelas missões espaciais.
  • Serem internamente consistentes. Esse é um critério “negativo”, ou seja, um relato inconsistente é necessariamente falso, porém um relato falso pode ter coerência interna. Um dos motivos por que teorias conspiratórias são tão sedutoras é que elas são muito bem “amarradas”. No caso dessas comunicações “alienígenas”, pode-se dizer que elas possuem, sim, boa estruturação.
  • Não terem viés quanto ao tema em questão. Talvez seja o mais difícil, senão impossível de ser obter. Quanto mais envolvida com a questão a testemunha estiver, mais o relato servirá aos seus propósitos, do que uma simples descrição. Muitas vezes é preciso lidar com o viés, já que eliminá-lo é impossível. No caso da codificação espírita o viés é a tese de que efetivamente todos os mundos são habitados.

Na época de Kardec, viagens interplanetárias eram ficção. O tempo passou e a humanidade já foi à Lua e enviou robôs e sondas para diversos de nossos vizinhos do sistema solar. O quanto será que os relatos dessas comunicações conferem com o que descobrimos?

Serão explorados alguns tópicos interessantes:

  1. André Palhano
    3 de fevereiro de 2016 às 3:25

    Amigo, encontrei o blog e fiquei com muita pena de você. Que vida triste! Uma unidade de carbono e só. Não sei se há como ajudar, mas procure uma ajuda médica/psicológica, ninguém precisa viver numa pobreza espiritual como a sua. Procure ajuda especializada. Tente amar alguém, amar mesmo, seja digno e olhe ao seu redor, semear é opcional, colher não.

  2. Evanuel
    29 de janeiro de 2016 às 10:56

    Com o acelerador de partículas, veio provar mais ainda que não somos matéria. A gravidade é a menor força no nosso planeta ao contrario do que se ensinava nas escolas há 15 anos atras. Ainda não se tem um modelo padrão de demonstrar como é uma partícula. Como podemos afirmar que Kardec errou se estamos ainda descobrindo o que é o átomo?. Quem da a vida não é o espermatozoide e o óvulo , não existe erros de DNA em mal formação, pois o DNA em se é instável. Alguma força , que pode se nomear como espírito, caso queira, é quem muda. Hoje na biologia , se sabe que manda na célula não é o núcleo e sim o citoplasma É quem libera o Gen de algum DNA.
    Hoje com os OVNIS, vem demonstrar que estamos muito além do conhecimento daquilo que chamamos átomos. No momento não temos tecnologia para acompanhar, mas comparando eles com a gente, podemos lembrar do que Jesus nos disse: Na Casa do Pai há muitas Moradas.
    Acredito que a vida é unica e as existências são várias. Como disse a lei, dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Somos como um computador, caso não coloque um programa no mesmo, vai ficar parado.Então , meu espirito, que ocupa esse corpo software ) e que adentrou na célula, sairá em certa data.
    Muita paz nos corações, que Deus nos abençoe;

  3. Ivanaldo
    7 de janeiro de 2016 às 4:37

    Bravo, Anônimo… Bravo! 🙂

  4. Anônimo
    19 de outubro de 2015 às 23:18

    Permita-se a ir além…

  5. Anônimo
    8 de outubro de 2015 às 20:42

    voce deveria ler o livro dos médiuns… nele Kardec afirma que os artigos da revista espírita são ensaios, elucubrações e não são parte da doutrinia… ou seja, são colocados para a crítica dos pares, para a discussão, etc.

  6. Anônimo
    29 de agosto de 2015 às 13:17

    95% do universo é composto de energia escura e matéria escura. Ninguém sabe o que são estes elementos invisíveis, só se comprova sua existência por causa de sua interação com a gravidade. Exatamente por isso que o argumento de Kardec sobre todos os globos habitados, não pode ser ainda refutado.

    Não precisa invocar Jesus pra provar um argumento, mesmo porque ninguém pode provar que o “messias” bíblico sequer existiu. Sobre o Jesus histórico, me parece mais interessente e revelador do que o santo místico fazedor de milagres.

    A humanidade ainda não consegue visualizar seu próprio sistema solar, os métodos conhecidos para encontrar vida em outros orbes são muito rudimentares mesmo para encontrar insetos ou micróbios, imagine se poderiam detectar formas de vida etéreas(caso existam). Explorar o universo não é tão fácil como mostrado nos noticiários e as agências espaciais ainda são como crianças tentando fazer seu barco de papel navegar na pequena poça de lama do quintal.

    Eu sou um espírita no sentido filosófico da doutrina e refuto seu aspecto religioso com todos as forças. O espiritismo hoje é uma sombra disfarçada de hospital natural, ou um correio de textos genéricos.

    Detesto esse pensamento minimalista dos espíritas, falando sobre vibração, frequências mimimi sendo que nem leram ou compreenderam o que Kardec estava se referindo.

    Os próprios comentários sobre este seu bem argumentado texto, são de espíritas que mal leram as obras primordiais da doutrina.

    Deus não é infinito, isso é esclarecido na terceira pergunta do Livro dos Espíritos. Vão estudar!

    Antes que eu me esqueça, Ótimo texto senhor(ou senhora) anti-espírita. Você certamente estudou mais que os seus leitores. Kardec acreditava que até mesmo aqueles contrários a doutrina, acabariam contribuindo com ela. Continue assim!

  7. Enildo
    3 de junho de 2015 às 18:42

    Na época de Kardec, viagens interplanetárias eram ficção. O tempo passou e a humanidade já foi à Lua e enviou robôs e sondas para diversos de nossos vizinhos do sistema solar. O quanto será que os relatos dessas comunicações conferem com o que descobrimos? R: não tente ir além da sua compreensão. Estude hoje para compreender melhor amanhã. Não julgue para não trair a si mesmo. Respeitar é também uma forma de caridade. Deus te abençoe e Jesus seja contigo. (Um Espírita)

  8. Edson
    8 de novembro de 2014 às 13:07

    Em nosso próprio planeta ha especies em profundidades quilométricas do mar, as quais não são conhecidas por nós, ainda assim quando são descobertas remontam aos velhos desenhos e registros de navegadores. Certos animais destes não suportam a baixa pressão perto da superfície, foram moldados para tal pressão de profundidade. As formas de vida correspondentes a cada meio e suas necessidades se dão de acordo com o ambiente, bem como a textura de cada invólucro, com função definida. Se tivéssemos se nos dado O Senhor Jesus Cristo na época de Moisés, ele teria que falar das trezentas e poucas normas, pois se falasse os termos da sua época efetiva, sua missão seria infrutífera, com uma estadia curta e mais rapidamente abreviada, com certeza. Cada coisa está a seu tempo para que a evolução do homem não choque demais e a repila, mas devemos sim distinguir o que provem do bem do que provem do mal, pois a dominação total é o objetivo e a libertação eterna pelo conhecimento PÓS elevação espiritual é fundamental, do contrário seremos novamente escravos do vampirismo governamental, manipulado no nosso coração para escravização cíclica, para proveito (estagnação de todos) de alguns em hierarquia e interesses agora não compreensíveis. Aceito a pluralidade dos mundos ou moradas ou dimensões e digo mais Jesus disse que não falaria tudo pois não suportaríeis; há um tempo para cada estágio. Bebês recém nascido não falam, não comem comida sólida e não vislumbra a vastidão e complexidade do mundo, quiçá do universo. Respeitosamente… Edson

  9. Joao Carlos
    23 de julho de 2014 às 17:25

    Prezados, gostaria de informações sobre análises sérias do Antigo Testamento ante a série de livros do autor Zecharia Sitchin (Crônicas da Terra) e de registros escritos em linguagem cuneiforme deixadas pelos Sumérios, Acádios e Babilônicos. Sou crente quanto aos escrituras, mas a série Crônicas da Terra, por estar baseada em registros ate hoje existentes nos museus, pode dar outro enfoque a interpretação do Antigo Testamento. Favor, caso possível, me encaminhar opinião.

  10. Rochinski
    7 de fevereiro de 2014 às 19:10

    Quando se fala em vida no Espiritismo, não se trata apenas da vida material como é conhecida no Planeta Terra enquanto encarnados. A vida se estende em varias frequências de manifestação. A vida material como é conhecida aqui, é somente aqui. Mas em frequências de manifestações mais sutis ela existe e todo o universo. Quando desencarnamos, e passamos a viver a nossa vida real e não passageira como é a carne, podemos ver o quanto Deus é bom e infinito. Não temos mais barreiras que nos impeça para ver o quando de vida existe no universo. Fora do corpo físico, não temos os limites impostos pela encarnação, somos livres como Deus nos criou. O Espiritismo, não impõe nada a ninguém. O Espiritismo não quer que ninguém acredite em nada de seus conhecimentos, nos temos a certeza disso. Somos seres espirituais imortais, filhos de Deus. Quando desencarnamos, voltamos a real vida que Deus nos deu. A vida na carne é passageira e rápida. Jesus nos disse, “meu reino não deste mundo”. Assim como Ele, nosso reino é a vida espiritual, a verdadeira, eterna criado por Deus. E o universo é infinito, assim como Deus o é, cheio de vida. Quando chegamos ao ponto de querer “criticar”, é por que estamos em duvida na crença em que estamos professando. Jesus, não era Cristão, Budha, não era Budista e etc. A cada época, uma nova crença nasce para cada modelo de personalidade e consciência e isso não vai acabar enquanto existir duvida em nós e a falta de respeito com o próximo que são nossos irmãos. Lembre-se: HUMILDADE, somos seres espirituais e não carnais. Somos eternos.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: