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Vênus: Eterno e Tórrido Verão

8 de dezembro de 2011 4 comentários

Uma descrição especial de Vênus surge na Revista espírita de agosto de 1862, “O planeta Vênus”:

(Ditado espontâneo. – Médium, Sr. Costel.)

O planeta Vênus é o ponto intermediário entre Mercúrio e Júpiter; seus habitantes têm a mesma conformação física que a vossa; o mais ou menos de beleza e de idealidade nas formas é a única diferença delineada entre os seres criados. A sutileza do ar, em Vênus, comparável à das altas montanhas, torna-o impróprio aos vossos pulmões; as doenças ali são ignoradas. Seus habitantes não se nutrem senão de frutas e de laticínios; ignoram o bárbaro costume de se nutrirem de cadáveres de animais, ferocidade que não existe senão nos planetas inferiores; em conseqüência, as grosseiras necessidades do corpo são destruídas, e o amor se enfeita de todas as paixões e de todas as perfeições apenas sonhadas sobre a Terra. Como na madrugada onde as formas se revestem indecisas e alagadas nos vapores da manhã, a perfeição da alma, perto de ser completa, tem as ignorâncias e os desejos da infância feliz. A própria natureza reveste a graça da felicidade velada; suas formas flácidas e arredondadas não têm as violências e as asperezas dos panoramas terrestres; o mar, profundo e calmo, ignora a tempestade; as árvores não se curvam jamais sob o esforço da tempestade e o inverno não as despoja de sua verdura; nada é estridente; tudo ri, tudo é doce. Os costumes, cheios de quietude e de ternura, não têm necessidade de nenhuma repressão para ficarem puros e fortes.

A forma política reveste a expressão da família; cada tribo, ou aglomeração de indivíduos, tem seu chefe pela classe de idade. Ali a velhice é o apogeu da dignidade humana, porque ela aproxima do objetivo desejado; isenta de enfermidades e de fealdade, ela é calma e irradiante como uma bela tarde de outono.

A indústria terrestre, aplicada à pesquisa inquieta do bem-estar material, é simplificada e quase desaparece nas regiões superiores, onde não tem nenhuma razão de ser; as artes sublimes a substituem e adquirem um desenvolvimento e uma perfeição que os vossos sentidos espessos não podem imaginar.

As vestes são uniformes; grandes túnicas brancas envolvem com suas pregas harmoniosas o corpo, que não desnaturam. Tudo é fácil para esses seres que não desejam senão Deus e que, despojados dos interesses grosseiros, vivem simples e quase luminosos.

GEORGES.

(Perguntas sobre o ditado precedente; Sociedade de Paris; 27 de junho de 1862. Médium, Sr. Costel.)

1. Destes ao vosso médium predileto uma descrição do planeta Vênus, e estamos encantados de vê-la concordar com o que já nos foi dito, todavia, com menos de precisão. Pedimos consentir em completá-la, respondendo a algumas perguntas.

Para começar, dizei como tendes conhecimento desse mundo.

_ Sou errante, mas inspirado por Espíritos superiores. Fui mandado a Vênus em missão.

2 – Os habitantes da Terra podem lá encarnar diretamente, ao saírem daqui?

_ Ao deixar a Terra os mais adiantados passam por uma erraticidade mais ou menos longa, que os despoja dos laços carnais, imperfeitamente rotos pela morte.

Observação: A questão não era saber se os habitantes da terra podem lá encarnar-se imediatamente após a morte, mas diretamente, isto é, sem passar por mundos intermediários. A resposta foi que é possível aos mais adiantados.

3 – O estado de adiantamento dos habitantes de Vênus permite se lembrem de sua passagem em mundos inferiores e comparar as duas dimensões?

_ Os homens olham para trás com os olhos do pensamento, que reconstitui de relance o passado extinto. Assim, o Espírito adiantado vê com a mesma rapidez com que se move, rapidez fulminante como a eletricidade, bela descoberta que se liga estreitamente à revelação espírita. Ambas contém em si o progresso material e intelectual.

Observação: Fazendo uma comparação não é necessário saber a posição pessoal que se ocupou; basta conhecer o estado material e moral dos mundos inferiores por onde se passou para lhes notar a diferença. Assim, conforme o que nos dizem de Marte, devemos felicitar-nos para não mais lá estar; e sem sair da terra, basta considerar os povos bárbaros e ferozes e saber que tivemos de passar por esses estados, para nos sentirmos mais felizes. Sobre outros mundos temos apenas informações hipotéticas; mas é possível que nos mais adiantados que nós esse conhecimento tenha um grau de certeza que não nos é dado.

4 – Aí a duração da vida é proporcionalmente mais longa ou mais curta que na terra?

_ Em Vênus a reencarnação é muitíssimo mais longa que a prova terrena. Despojada das violências terrestres e humanas e expandida e impregnada da vivificante influência que a penetra, experimenta as asas que transportam a planetas gloriosos como Júpiter e outros semelhantes.

Observação: Conforme fizemos já notar, a duração da vida corpórea parece ser proporcional ao progresso dos mundos. Em sua bondade, quis Deus abreviar as provas nos mundos inferiores. A esta razão juntasse uma causa física: quanto mais adiantados os mundos, tanto menos são os corpos devastados pelas paixões e pelas doenças, que são a sua conseqüência.

5 – O caráter dos habitantes de Vênus, conforme a vossa descrição, faz-nos pensar que entre eles não haja guerras, disputas, ódios e inveja.

_ O homem só se torna aquilo que as palavras exprimem e seu pensamento limitado está privado do infinito. Assim atribuís até aos planetas superiores as vossas paixões e os vossos motivos inferiores, venenos depositados em vossos seres pela grosseria do ponto de partida, dos quais só vos curais lentamente. As divisões, as discórdias e as guerras são desconhecidas em Vênus, assim como desconhecem a antropofagia.

Observação: Com efeito, por seus vários estágios sociais, a terra nos apresenta uma infinidade de tipos, que podem dar uma idéia dos mundos nos quais cada um desses tipos é o estado normal.

6 – Qual o estado da religião nesse planeta?

_ A religião é a adoração constante e ativa do Ser Supremo. Mas adoração despojada de qualquer erro, isto é, de qualquer culto idólatra.

7 – Os seus habitantes estão todos no mesmo nível, ou, como na terra, uns são mais adiantados que outros? Neste caso, a quais habitantes da terra correspondem os menos adiantados?

_ A mesma desigualdade proporcional existe entre os habitantes de Vênus, como entre os seres terrenos. Os menos adiantados são as estrelas do mundo terrestre, isto é, os vossos gênios e os homens virtuosos.

8 – Há senhores e servos?

_ A servidão é o primeiro degrau da iniciação. Os escravos da antiguidade, como os da América moderna, são seres destinados a progredir num meio superior ao que habitavam na última encarnação. Por toda parte os seres inferiores estão subordinados aos superiores; mas em Vênus tal subordinação moral não se corpórea não se compara à subordinação corpórea que existe na terra: os superiores não são senhores, mais pais dos inferiores. Em vez de os explorar, ajudam-nos a progredir.

9 – Vênus chegou gradualmente ao estado em que se encontra? Passou anteriormente pelo estado em que se encontram a Terra e Marte?

– Reina uma admirável unidade no conjunto da obra divina. Como as criaturas, como tudo que é criado, animais ou plantas, os planetas progridem, inevitavelmente. Nas suas variadas expressões, a vida é uma perpétua ascensão para o Criador: numa imensa espiral ele desenvolve os graus de sua eternidade.

10 – Tivemos comunicações concordantes sobre Júpiter, Marte e Vênus. Por que sobre a Lua só temos coisas contraditórias e que não permitem se fixe uma opinião?

_ Essa lacuna será preenchida e em breve tereis sobre a Lua revelações tão claras e precisas quanto às obtidas sobre os outros planetas. Se ainda não vos foram dadas, mais tarde compreendereis o motivo.

Observação: Certamente esta comunicação sobre Vênus não tem os caracteres da autenticidade absoluta, razão porque a damos a título condicional. Contudo, o que já foi dito sobre esse mundo lhe dá, ao menos, um certo grau de probabilidade, e, seja como for, não deixa de ser o quadro de um mundo que necessariamente deve existir para quem quer que não tenha a orgulhosa pretensão de que seja a Terra o apogeu da perfeição humana: é um elo na escala dos mundos e um grau acessível aos que não se sentem com forças para atingir diretamente a Júpiter.

Vejamos um pouco da natureza de Vênus e dos venusianos:

A sutileza do ar, em Vênus, comparável à das altas montanhas, torna-o impróprio aos vossos pulmões; as doenças ali são ignoradas. (…) Seus habitantes só se nutrem de frutas e produtos do leite: desconhecem o bárbaro costume de alimentar-se de cadáveres de animais, ferocidade só existente nos planetas inferiores. Em consequência, as grosseiras necessidades do corpo são aniquiladas e o amor se reveste de todas as paixões e de todas as perfeições apenas sonhadas na Terra.

Bem, vejamos como é Vênus na verdade:

Atmosfera

É o item de maior destaque do planeta, pois sua espessura e densidade impressionam bastante. É composta principalmente de anidrido carbônico, traços de nitrogênio, vapor d’água, oxigênio, enxofre e até mesmo ácido sulfúrico. Com esses componentes, uma temperatura média de 460ºC e uma pressão de noventa atmosferas terrestres, dificulta qualquer observação de sua superfície. A temperatura é mais elevada que a de Mercúrio, apesar de Vênus estar mais afastado do Sol. O que causa isso é o efeito estufa de Vênus. A explicação desse efeito é a opacidade de sua atmosfera para radiações infravermelho, provocada pela grande concentração de CO2 Ocorre que a radiação visível penetra na atmosfera e aquece a superfície. A superfície aquecida emite infravermelho. O CO2 absorve essa radiação causando o efeito estufa. Esse efeito é mais ou menos como um carro fechado, recebendo as radiações solares. Essas radiações penetram no interior do veículo e o calor não sai, e quando se entra no veículo sente-se o mormaço devido ao acúmulo de calor. Evidentemente que todos esses fenômenos fazem cair por terra o velho conceito de que Vênus é o planeta irmão da Terra.

Há, também, duas afirmações que são, no mínimo, temerárias nesse artigo da RE:

O planeta Vênus é o ponto intermediário entre Mercúrio e Júpiter; seus habitantes têm a mesma conformação física que a vossa; o mais ou menos de beleza e de idealidade nas formas é a única diferença delineada entre os seres criados.

Existe, então, algum padrão absoluto de beleza?

A servidão é o primeiro degrau da iniciação. Os escravos da antiguidade, como os da América moderna, são seres destinados a progredir num meio superior ao que habitavam na última encarnação. Por toda parte os seres inferiores estão subordinados aos superiores; mas em Vênus tal subordinação moral não se compara à subordinação corpórea que existe na terra: os superiores não são senhores, mais pais dos inferiores. Em vez de os explorar, ajudam-nos a progredir.

Afinal, servidão é um mal necessário?

Em defesa desta passagem, pode-se dizer que Kardec não bate o martelo quanto a veracidade desta comunicação, porém afirma que não está em conflito com outras descrições quanto ao avanço venusiano na escala dos mundos, nem quanto ao seu status intermediário entre a Terra e mundos extremamente avançados, como Júpiter.

Note que a última pergunta se refere à falta de uma descrição precisa da Lua que “fixe uma opinião”. Bem, essa descrição virá no artigo No Mundo da Lua.

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