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A Ética Espírita

29 de novembro de 2013 Deixe um comentário Go to comments

Por Acauan Guajajara, do Religião é Veneno

A ética espírita é uma hipotética dinâmica cósmica na qual a providência divina, o livre arbítrio espiritual e o tempo interagem na cadeia de eventos da existência de modo a garantir que todos os espíritos criados igualmente simples e ignorantes evoluam até se tornar, todos, espíritos igualmente puros e perfeitos, quando desfrutarão de uma felicidade suprema e eterna.

Nesta dinâmica cósmica, a providência divina estabelece e sustenta a ordem metafísica, as regras do jogo, como a lei do karma — que determina que os espíritos devam passar por várias encarnações para expiar antigos erros e aprender — e a lei do progresso, segundo a qual os espíritos podem evoluir ou estacionar moralmente, mas nunca regredir.

Seguindo seu livre arbítrio, cada espírito submete-se ou não a esta ordem metafísica, às regras do jogo. Os que se submetem progridem mais rápido que os que não e alcançam em menor tempo a felicidade da perfeição.

O propósito final da dinâmica cósmica é dar à existência um sentido de justiça universal, erigida da igualdade e do mérito, conforme todos os espíritos devam se submeter à mesma ordem metafísica para progredir e alcançar a felicidade da perfeição.

Esta justiça universal resolveria questões em aberto de outras filosofias e teologias morais:

  • O problema do Mal — por que um Deus bom permite o mal;
  • A conciliação entre soberania divina e livre arbítrio humano;
  • As injustiças da vida — por que algumas pessoas nascem condenadas a uma vida de miséria, doença e sofrimento, enquanto outras levam uma existência tranquila e prazerosa, por que coisas ruins acontecem a pessoas boas, por que pessoas ruins se dão bem no final etc.

Segundo o espiritismo:

Deus permite o mal como decorrência da ignorância primitiva na qual os espíritos foram criados, como pré-requisito para o exercício do livre arbítrio e para estabelecer os méritos individuais dos espíritos que, de livre arbítrio, optam pelo bem.

A soberania divina e o livre arbítrio humano se conciliariam pela vigência da dinâmica cósmica que faz com que o resultado final das decisões individuais tomadas de livre arbítrio seja o encaminhamento de todos os espíritos para a perfeição e felicidade, no tempo justo a cada um.

As injustiças da vida seriam provações necessárias ao aprendizado e evolução do espírito e expiação de faltas passadas. Dentro da dinâmica cósmica as tais deixariam de ser injustas, pois a sequência de reencarnações tanto pode estabelecer uma igualdade geral entre as existências individuais — quem foi pobre, doente ou sofredor em uma vida pode ser rico, saudável e afortunado em outra e vice-versa, quanto os que porventura passam por mais experiências ruins do que boas poderiam aprender e evoluir mais rápido espiritualmente, reduzindo o tempo requerido para alcançar a felicidade da perfeição.

Muitos adeptos do espiritismo o são por tomar como satisfatórias as proposições acima, vendo nelas explicações melhores para estas questões do que as dadas por outras filosofias ou teologias morais.

Nem sempre esta adesão e satisfação passam pelo crivo de uma análise mais metódica da coerência intrínseca e extrínseca das proposições. No mais das vezes pesa mais o alívio emocional do acreditar ter encontrado as respostas pelas quais se ansiava, do que a certeza racional de tê-las provadas verdadeiras.

Uma análise inicial da dinâmica cósmica que fundamenta a ética espírita demonstra contradições e lacunas, no mínimo tantas e tão sérias quanto às das outras filosofias e teologias morais no que se refere às questões propostas do problema do mal, livre arbítrio e injustiças da vida.

Um primeiro problema é quando o espiritismo associa o mal à ignorância. Admitida esta associação direta e exclusiva, o espírito ao longo do tempo se afastaria do mal na medida em que aprende e avança na dinâmica cósmica, até livrar-se dele por completo, por conta de ter aprendido o suficiente para tal.

Ora, a ignorância por si só não é boa ou má. É moralmente neutra. Escolhas morais só se definem quando há consciência delas.

Nas teologias judaica e cristã esta consciência moral é simbolizada pelo fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, antes da tomada do qual o pecado não poderia existir.

O Livro dos Espíritos diz que os espíritos foram criados com igual aptidão, tanto para o bem, quanto para o mal e que os maus o são por vontade própria.

Ocorre que se os espíritos recém criados são plenamente ignorantes das questões morais e dotados de igual aptidão para o bem ou para o mal, diante de uma decisão moral se encontrariam inevitavelmente em um impasse imobilizador.

Não poderiam julgar questões morais a partir do seu próprio conhecimento, limitados que seriam pela tábula rasa de si próprios, e não poderiam reagir intuitiva ou instintivamente, dada a equivalência de aptidões para o bem ou para o mal.

Um espírito com estas características, totalmente ignorante e moralmente neutro seria incapaz de tomar decisões morais.

O Livro dos Espíritos diz que outros espíritos ignorantes são capazes de influenciar os de seu nível ou abaixo para o mal.

Além do já exposto que ignorância não é sinônimo de maldade, fica a questão de quem influenciaria estes espíritos ignorantes que influenciariam os outros. Não há como resolver o problema sem uma regressão infinita, incompatível com a dinâmica cósmica que parte do princípio que os espíritos são criados.

Outra contradição pode ser identificada no conceito de hierarquia moral que os espíritos estabeleceriam entre si conforme progridem na dinâmica cósmica.

O Livro dos Espíritos descreve esta hierarquia em três ordens e dez classes, com ressalvas quanto a esta divisão não ser absoluta.
Na base estariam os espíritos impuros da décima classe, com o status moral análogo ao dos demônios, e no topo os espíritos puros e perfeitos de primeira ordem e primeira classe.

A contradição está em que se a lei do progresso impede os espíritos de regredir, temos que nenhum espírito poderia apresentar um status moral inferior àquele em que foi criado — simples, ignorante e igualmente apto ao bem ou ao mal.

Porém a descrição feita dos espíritos de décima ordem fala de seres inclinados ao mal, aos vícios, às paixões degradantes, que fazem o mal por prazer e ódio ao bem.

É claro que tais seres estão moralmente muito abaixo do que se poderia chamar de espíritos simples e ignorantes, igualmente aptos para o bem ou para o mal.

Assim, ou alguns espíritos recém criados que deveriam ser moralmente neutros em sua ignorância primitiva degeneram para uma condição moral análoga à demoníaca, violando a lei do progresso, ou os espíritos humanos são criados na condição moral análoga à demoníaca, violando o princípio de ser na origem simples e ignorantes.

Além disto, se todos os espíritos são criados iguais e se os de décima ordem são inclinados ao mal, de onde vem esta inclinação? Não se pode dizer que do livre arbítrio, pois se todos os espíritos são criados igualmente ignorantes e com iguais aptidões morais seria de se esperar que seu uso do livre arbítrio apresentasse as mesmas inclinações. A explicação da influência de outros espíritos inferiores também pode ser descartada como exposto acima, dado requerer uma regressão infinita para se sustentar.

Qual seria então o fator diferenciador que levaria alguns espíritos originalmente ignorantes e aptos tanto para o bem quanto para o mal a inclinar seu livre arbítrio para o mal, com a intensidade perversa relatada na descrição dos espíritos de décima classe, enquanto outros criados na mesma condição não o fazem?

Uma explicação possível seria que estes espíritos possuíssem vocação inata para o mal, teriam sido criados com ela, o que contraria o princípio da igualdade original na criação e derruba um dos pilares da justiça universal da dinâmica cósmica espírita que é justamente a igualdade geral das existências individuais, uma vez que alguns espíritos já seriam na origem melhores do que outros.

Outra é que esta queda para o mal é feita de modo completamente aleatório, com o espírito optando por este caminho a partir de decisões tomadas na cegueira de sua ignorância moral primitiva, o que implicaria que o acaso interfere na evolução dos espíritos, o que também contraria a dinâmica cósmica, como definida.

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  1. Juarez
    21 de fevereiro de 2017 às 20:04

    De todas as religiões, seitas, filosofias de vida, etc, que já tive a oportunidade de estudar, o Kardecismo é o que possui mais teorias ignorantes e sem sentido.
    Não quero ofender ninguém, até porque tenho muitos amigos e familiares kardecistas.
    Abraço à todo(a)s.

  2. Fabiana casssolato
    6 de maio de 2016 às 22:57

    Seu raciocínio está correto, porém te falta conhecer mais a doutrina espirita. O livro dos espíritos e livros semelhantes não devem ser vistos como verdade absoluta. O próprio kardec disse que se a ciência refutasse algo dali, era para seguirmos a ciência. Esses livros foram psicografados por espiritos mais evoluídos que nós, porém eles não são perfeitos no conhecimento e também erram. É por isso que existem tantas contradições e assuntos mau explicados. Quer um exemplo de assunto vago? Os animais. O livro dos espiritos diz q animal reencarna imediatamente depois q morre, porém no nosso lar tem espiritos de animais. Outra coisa errada nas leis espiritas é dizer que o espirito não regride. REGRIDE SIM. Espiritos regridem e se perdem chegando a ficarem maus abaixo dos puramente ignorantes. Espero ter colaborado com a reflexão.

  3. Bola
    15 de outubro de 2015 às 21:34

    Sinceramente, não vou ler todos os comentários. Mas não é simplesmente uma questão de significado da palavra “mal”?

    É um problema que só existe para quem moraliza a palavra. A partir do momento em que passa a ser entendida relativamente, pelo efeito que causa, ignorância, como falta de experiência ou empatia, passa a ser uma resposta praticamente redundante.

    Acho que é mais problemática a racionalização de culpas & punições. Até porque os que defendem essas afirmações geralmente não se preocupam com o problema anterior de justificar a priori noções de “Bem e Mal” – ontologicamente, e não por definições a posteriori.

    Me pergunto é se, excluindo essa noção, deus, como o definem os ditos espíritos, ainda seria consistente com essa afirmação. “Ele” só precisaria ser ou pouco ético ou inerte.

  4. 3 de abril de 2015 às 19:53

    Parabéns.
    O raciocínio é perfeito. Este problema em relação à criação dos espíritos guarda inúmeras falhas e deficiências fáceis de serem refutadas.
    Uma delas é que fica admitido que Deus, o ser perfeito, cria espíritos imperfeitos originalmente. Ou seja, como é possível que um relojoeiro perfeito criasse relógios determinados a apresentarem defeitos (e no caso da ética kardecista todos irão apresentar)?
    Há uma contradição brutal.
    Abraços

  5. rafael alvarenga
    21 de março de 2015 às 21:24

    Pelo que eu entendi você quer dizer que a uma falha quando se diz que o espirito não pode regredir, não a falhas pois os espiritos são criado em planos inferiores aspirando a ascenção a planos superiores, isso explica nossa vontade imensa de estar sempre por cima mas nem sempre a elevação acontece da maneira que achamos que devemos agir. Não sou espirita so um simpatizante, admiro muito essa doutrina.

  6. Motorhead
    20 de março de 2015 às 21:41

    ***Seu comentário foi rejeitado por conter mensagem de ódio. **********

    Ass. Cyrix

  7. 10 de agosto de 2014 às 18:56

    Amiga Verônica, permita-me, entrar neste dialogo, e dar minha explicação sobre o assunto, do seu comentário. Primeiro, o espírito não foram criados ao mesmo tempo, nem habitam o mesmo lugar, No primeiro planeta a ser habitado no universo, ETERNO criou um modelo energético VIRTUAL com todos os órgãos, e fez o homem de barro e designou três partículas consciente, deste corpo energético, mas, não era um corpo humano, e colocou neste homem de barro, iniciando um trabalho dentro da ciência metafisica, ao termino dos trabalho o corpo de barro levanta-se e anda, dando a animação corpórea vivenciando assim, os movimentos. Esta explicação basta, para que raciocine que até a criação da mulher teve que ser concluída para o processo que demanda as sucessivas encarnações seja atualmente entendida. E hoje para cada ser humano, há 12 espíritos, imagine que para a humanidade do planeta, seja 12 humanidade em espíritos. Se realmente eles habitam é em todo o planeta, e não em lugar determinado. Até aqui, ta de bom tamanho, não vou escrever um livro neste comentário, este é ´só para entenderes que é muita água a passar por baixo da ponte, fica aqui, as minhas desculpas por esta interferência neste dialogo…

  8. 4 de junho de 2014 às 14:20

    Tudo que faço é as claras, tenho blog. face. twitter, tudo aberto pra quem quiser comentar fazendo suas criticas, tudo está lá, endereço, telefone, os comentários não precisam de aprovação para postar os seus comentário, vc anonimo para receber meu credenciamento coloque seu nome foto é assim que procede os homens de bem…(Edvaldo)

  9. 4 de junho de 2014 às 10:53

    Amigo, seja mais compreensivo nas suas explicações, gosto muito do dialogar. Porem, pelo que escrevo não me considero o filosofo, trabalho nos meus escritos com a CIÊNCIA METAFISICA E A TEOLOGIA DIVINA, analise bem, não fique confuso, nem se aterrorize, na fonte que busco tudo isto, é inesgotável, quanto mais recebo mais vem, vc é limitado as letras mortas, pois, em nenhum momento vc buscou o espírito que vivifica, é por isto que sua limitação é insuficiente para um dialogo dentro de o bom senso…

  10. Gustavo Teixeira
    3 de junho de 2014 às 13:48

    Excelente debate de ideias entre Veronica F. Garcia e Fabiano Dantas. Fica evidente que a Doutrina Espírita não se pauta em dogmatismos religiosos e sim numa fé raciocinada. Não se furta do “bom combate” como pudemos presenciar, pois é positivada e cabe “…ouvir a que tem olhos para ouvir e ver quem tem olhos para ver”.

  11. 3 de junho de 2014 às 13:03

    DIREITO DE RESPOSTA, ao amigo ANONIMO, que abaixo do meu comentário escrito no dia 26 de Maio de 2014, as 14:21 horas, Quando não se tem argumento para comentar o assunto de grande responsabilidade como o qual comentei sobre a falha do espiritismo, esta pessoa que nem coragem tem de se apresentar,com seu nome verdadeiro, comenta o que escrevi só com uma palavra, esta pessoa não serve para ser um espiritualista, ou espírita como assim o desejar…

  12. Anônimo
    2 de junho de 2014 às 23:08

    ARRE! QUE DEPOIS DE ANOS ENCONTRO ALGUÉM LÚCIDO QUE ENXERGOU A INGENUIDADE FILOSÓFICA DO TAL “CRIADOS SIMPLES E IGNORANTES”. PARABÉNS….

  13. 26 de maio de 2014 às 14:21

    COMENTO SOBRE A FALHA DO ESPIRITISMO: Não é propriamente uma falha, pois, o espiritismo deveria ser o alicerço para que DEUS montasse o seu reinado deste planeta, porem, como espiritismo fornece o programa espiritual humano, deveria ter se reciclado e ter ido buscar por inspiração DIVINA o programa espiritual DIVINO, passaram batido, pois, o tempo se esgotou em 1999. O espiritismo é muito focado nos livros dos espiritas, se estão certo, sim; mas, existe um passo a frente, que é a vontade de DEUS, só a ele cabe fornecer as determinações para a montagem do seu reinado, e isto foi ventilado por Jesus, QUANDO LHE PERGUNTARAM, é este o tempo que DEUS reservou para sua inteira autoridade? – não. Respondeu Jesus, – “não é conhecido nem a mim, que sou o filho, nem a Santos e Anjos, e nem a espíritos que venham do Céu e nem de lugar nenhum, o tempo que Meu Pai reservou para sua inteira autoridade” é este o motivo pelo qual o espiritismo não é a terceira revelação, e sim, seria os seus membros, o alicerce para compor a base humana, do sistema monárquico na montagem do reinado de DEUS… (Edvaldo)

  14. Anônimo
    23 de abril de 2014 às 23:48

    quanta idiotice

  15. Fabiano Dantas
    20 de março de 2014 às 11:49

    Certo, Cyrix, estou no aguardo.

    O curta “Quanto Pesa a Alma” ficou muito bom. Sobre o seu trabalho “Contendas no Deserto”, eu o baixei em PDF aqui do blog mesmo. Já li boa parte dele e o achei bem elucidativo. Parabéns pela qualidade dos textos.

  16. 20 de março de 2014 às 11:19

    A menor ideia. A questão, no momento, não é exatamente fazer novos posts, mas terminar posts velhos que ficaram “pela metade”. Para não dizer que estou parado, tenho, aos poucos, incrementado “A Preposição da Discórdia” e gostaria de lhe dar a robustez de “Contendas do Deserto”. Ainda falta dar um fecho a “As Várias Terceiras Revelações”, também.

  17. Fabiano Dantas
    17 de março de 2014 às 11:02

    Cyrix,

    tem previsão de quando haverá um post novo?

  18. Sidnei
    12 de março de 2014 às 13:52

    Escreveu um longo artigo e não disse nada, não provou nenhuma tese, apenas ficou no campo da suposição. O estudo é um bom caminho para ter certeza.

  19. 18 de fevereiro de 2014 às 21:50

    “O FIO HISTORIAL” ESTÁ NO MEU FACEBOOK

  20. 18 de fevereiro de 2014 às 21:48

    ENDEREÇO DE MEU BLG : MESCOBARSOL.BLOGSPOT. COM

  21. MARIA MIRTES ESCOBAR CORRÊA
    18 de fevereiro de 2014 às 21:43

    ORA, SE TEMOS, E CREIO QUE TEMOS UMA “CENTELHA DE LUZ” É PORQUE O BEM É INATO, INDEPENDENTE DO ASPECTO NEUTRO (SIMPLES E IGNORANTES) , O QUE NÃO É CONSIDERADO NO KARDECISMO ALGO DO BEM OU DO MAL.ENTÃO, O ESPIRITO NEUTRO COM TENDÊNCIA AO BEM PODE SEGUIR SUA BOA INTUIÇÃO.TENDO,PORÉM, QUE ESTUDAR SEMPRE, COMO É DE PRAXE E FAZEM O PROFISSIONAIS EM GERAL.

  22. wilson
    11 de fevereiro de 2014 às 16:35

    O Espiritismo sem misticismo.

    1)O Espiritismo Não pode ser misturado com crenças místicas, cartomantes, umbanda, candomblé, espiritualismo oriental etc…
    O uso de formulas mágicas e místicas, não tem nenhuma base racional ou Doutrinaria, temos que evitar essas misturas ridículas com a Doutrina Espírita, principalmente, evitar o Sincretismo que é a pior praga usada para contaminar a Pureza do Espiritismo.
    O uso de amuletos, talismã, exorcismos, sinais cabalísticos, medalhas mágicas, palavras sacramentais, cartomancia, são tudo procedimentos místicos sem nenhum valor espiritual.
    E nada disso representa o Espiritismo.

    A questão 554 de “O Livro dos Espíritos” corrobora essa posição. Confiramos:
    P.: “Que efeito pode produzir fórmulas e práticas mediante as quais pessoas há que pretendam dispor do concurso dos Espíritos?”
    R.: “(…) Todas as fórmulas são mera charlatanaria. Não há palavra sacramental nenhuma, nenhum sinal cabalístico, nem talismã, que tenha qualquer ação sobre os Espíritos, porquanto estes são só atraídos pelo pensamento e não pelas coisas materiais”. E continua mais adiante: “Ora, muito raramente aquele que seja bastante simplório para acreditar na virtude de um talismã deixará de colimar um fim mais material do que moral. Qualquer, porém, que seja o caso, essa crença denuncia uma inferioridade e uma fraqueza de ideias que favorecem a ação dos espíritos imperfeitos e escarninhos”.

    Em “O Livro dos Médiuns”, é perguntado aos Espíritos Superiores:
    “Certos objetos, como medalhas e talismãs, têm a propriedade de atrair ou repelir os Espíritos conforme pretendem alguns”?

    R.: “Esta pergunta era escusada, porquanto bem sabes que a matéria nenhuma ação exerce sobre os Espíritos. Fica bem certo de que nunca um bom espírito aconselhará semelhantes absurdidades. A virtude dos talismãs, de qualquer natureza que sejam, jamais existiu, senão, na imaginação das pessoas crédulas”.

    O Codificador Allan Kardec comentou, concluindo e reiterando a total desvinculação do Espiritismo com o pensamento mágico propalado pelas religiões e crenças fetichistas:

    “Os Espíritos são atraídos ou repelidos pelo pensamento e não por objetos materiais (…). Em todos os tempos os Espíritos superiores condenaram o emprego de signos e de formas cabalísticas; e todo Espírito que lhes atribui uma virtude qualquer ou que pretende dar talismãs que denotam magia, por aí revela a própria inferioridade, quer quando age de boa-fé e por ignorância, (…) quer quando conscientemente (…). Os sinais cabalísticos, quando não são mera fantasia, são símbolos que lembram crenças supersticiosas na virtude de certas coisas, como os números, os planetas e sua correspondência com os metais, crenças nascidas no tempo da ignorância e que repousam sobre erros manifestos, aos quais a ciência fez justiça, mostrando o que há sobre os pretensos sete planetas, os sete metais, etc. A forma mística e ininteligível de tais emblemas tem o objetivo de os impor ao vulgo (…), aquilo que não compreende.”

    O Mestre Kardec deixa bem claro, é o pensamento que exerce ação para atrair ou repelir os espíritos desencarnados, nenhum objeto material tem valor ou ação sobre os espíritos.
    Muitas pessoas tem uma idéia errada do Espiritismo no Brasil, devido as influencias místicas e o sincretismo, falam em Espiritismo de umbanda, espiritismo de mesa, espiritismo de terreiro, espiritismo oriental ou ramatisiano, e interpretam a Doutrina Espirita como uma variante da magia.
    O problema esta nas pessoas que pregam o Espiritismo de forma errada, pessoas que se dizem espíritas e falam em banho de ervas, banho de sal grosso, usar velas, usar roupas brancas, fazer despachos, usar imagens de santos, nada disso representa o Espiritismo.
    Essas pessoas são os falsos espíritas, na realidade eles são umbandistas e vão distorcendo os princípios doutrinários da Doutrina Espírita.
    Devemos estar alertas nesses assuntos, umbanda não é Espiritismo.
    Devemos estudar o Espiritismo é nas Obras do mestre Allan Kardec e depois estudar as Obras do grande Leon Denis e no Brasil principalmente estudar as Obras de J Herculano Pires, dessa forma vamos ter uma base Racional e Doutrinaria seria e solida sobre o espiritismo.

    2) Uma questão que eu considero muito importante, é analisar a questão dos espíritos desencarnados que atuam nesses centros de umbanda, candomblé e centros de magia, vejamos, os Espíritos de Luz ou Espíritos Superiores não possuem necessidades matérias, eles estão isentos de atrativos matérias, seus pensamentos e seus sentimentos estão moralmente purificados e depurados, eles não precisam de coisas matérias.
    Os espíritos inferiores estão moralmente apegados a matéria eles precisam dessas coisas matérias, como, cigarros, charutos, cachaça, despachos e sacrifícios de pobres animais, eles absorvem por osmose as emanações fluídicas da bebida e do fumo e sugam os fluidos Vitais que esta no SANGUE dos animais sacrificados nesses rituais sangrentos e primitivos.
    Nunca confie nesses espíritos que se apresentam como caboclos, preto velhos, exu, entidades ciganas, boiadeiros, são espíritos desencarnados apegados a matéria, e muitos desses espíritos podem ser maldosos, maliciosos, sedutores e obsessores, cuidado nesses assuntos, não seja ingênuo, estude Kardec, Leon Denis e Herculano Pires.
    Seja espírita pela fé racional e doutrinaria.

    Um outro alerta que eu quero colocar, que o objetivo sagrado do Espiritismo é melhorar moralmente o ser humano.
    Estudar e praticar esse é o lema do verdadeiro espírita, que procura combater seus maus pensamentos, combater seus vícios, combater seus maus desejos, combater as suas imperfeições morais, ele procura praticar o Bem, a caridade e as Virtudes, dessa forma ele se aproxima dos Bons espíritos e repele a influencia dos espíritos inferiores, perturbadores e obsessores do plano astral.
    Pela elevação moral e mental vamos entrar em sintonia vibratória com os espíritos de luz.

    3)O Espiritismo não adota em suas reuniões: paramentos ou quaisquer vestes especiais; vinho, cachaça, ou qualquer outra bebida alcoólica; incenso, mirra, fumo ou quaisquer outras substâncias que produzam fumaça; altares, imagens, andores e velas; hinos ou cantos em línguas mortas ou exóticas; danças ou procissões; atendimento a interesses materiais, terra-a-terra, mundanos; pagamento de qualquer espécie; talismãs, amuletos, orações miraculosas, bentinhos e escapulários; administração de sacramentos, concessão de indulgências, distribuição de títulos nobiliárquicos; horóscopos, cartomancia, quiromancia e astrologia; rituais e encenações extravagantes; promessas e despachos; riscar cruzes e pontos, praticar, enfim, a longa série de atos materiais oriundos de velhas e primitivas concepções religiosas.
    O Mestre Allan Kardec em seus livros não manda ninguém usar, velas, incenso, amuletos, roupas brancas, imagens de santos, fazer despachos, nem sacrificar pobres animais, quem pratica essas coisas são pessoas ligadas aos cultos afros brasileiro.
    Não estou descriminando nada, só estou definindo questões Doutrinarias.

    Vamos reconhecer a elevação dos espíritos desencarnados pela sua Linguagem e pelos seus ensinamentos.
    Os Espíritos de Luz ou Espíritos Elevados possuem sempre uma Linguagem moralmente limpa e elevada.
    Os Espíritos Elevados possuem uma Linguagem pura, digna, nobre, lógica, isenta de vulgaridades e expressões grosseiras, sua Linguagem é sempre Moralizadora incentivando as pessoas a seguirem o Caminho do Bem e das Virtudes.
    Os espíritos inferiores possuem uma Linguagem moralmente pesada e grosseira, sua linguagem reflete as paixões e vícios humanos, como, o ódio, a revolta, o rancor, o medo, o fanatismo, desejos de vingança, apego aos vícios de beber e fumar e outros vícios como a gula, o jogo e as drogas, esses espíritos inferiores estão na atmosfera terrena tentando viver entre os encarnados.
    Os encarnados que possuem maus pensamentos, maus desejos, vícios, e tem uma vontade fraca, são os mais visados por esses espíritos inferiores e obsessores da atmosfera terrena, eles procuram intuir ou inspirar maus pensamentos e vícios na mente das pessoas.
    Para afastar esses maus espíritos, temos que cultivar uma vida terrena digna, correta, honesta, com pensamentos elevados e positivos e procurar sempre combater os maus pensamentos, os maus desejos, os vícios.
    A nossa Conduta Moral tem que ser Reta no Cristo.
    Dessa forma os maus espíritos não conseguem se sintonizar com a nossa mente estamos vibrando em outra faixa, a proteção espiritual quem faz é a própria pessoa, conforme a sua forma de pensar, sentir e agir.
    Tudo depende dos nossos pensamentos, sentimentos e atitudes.
    Vamos concluir que as proteções milagrosas não existem, o Deus bíblico que realiza milagres e fatos sobrenaturais é uma fantasia, as Leis de Deus são naturais, eternas e imutáveis e essas Leis regulam tudo no Universo material e espiritual, cada pessoa conforme seus pensamentos e suas ações vai atrair bons ou maus espíritos.
    Deus vai me proteger quando eu estou vibrando bons pensamentos e bons sentimentos, por que, dessa forma eu entro em sintonia com os Espíritos de Luz atraindo assim a proteção luminosa desses seres.
    Os Espíritos de Luz não podem se aproximar de pessoas que estejam vibrando maus pensamentos, maus sentimentos, vícios e tendo atitudes negativas, pela Lei das atrações psíquicas os iguais se atraem e os diferentes se repelem.
    Depende de Nós atrair uma assistência espiritual boa ou má.
    Depende de nós e não de Deus.

    5) O Espiritismo bem estudado nas Obras de Allan Kardec, mostra que Deus não realiza milagres e nem fatos sobrenaturais, as Leis de Deus são naturais, eternas e imutáveis, e essas Leis regulam tudo no Universo material e espiritual, tudo é harmonia, sabedoria e evolução na Obra Divina.
    Deus o Grande Foco é a Perfeição Completa e Absoluta e Ele só cria coisas perfeitas e positivas, suas Leis naturais promovem a Evolução de todos os espíritos encarnados e desencarnados, até os minerais, vegetais e animais estão evoluindo para o Grande Foco, como explica o Mestre Luiz de Mattos.
    Deus é Ciência.
    E é pela Ciência e pela depuração Moral que vamos chegar ate o Criador incriado.
    O espírito se reencarna no mundo terra é para Vencer as suas imperfeições morais pela pratica do Bem, da Caridade e das Virtudes divinas, estamos na matéria é para Dominar a matéria e brilhar a nossa Luz.
    O nosso DEVER é sermos pessoas boas, corretas, honestas, cordiais, educadas, solidarias, dignas, caridosas, cultivar a prece sincera, cultivar pensamentos elevados e positivos, cultivar sentimentos nobres, ajudar os necessitados, ajudar e amparar os animais, combater os vícios, combater os maus pensamentos, combater os maus desejos, combater a imoralidade, nós somos filhos da Grande Luz, em nossa essência somos Deuses.
    Disse o Mestre Jesus, vois sois deuses.
    Você é uma centelha de Luz ou centelha divina que pensa e sente, dentro de você, você é um Espirito eterno em evolução para a Unidade com o Criador.
    Busquemos essa Unidade pela nossa depuração moral e intelectual, realizando as Obras do Cristo.

  23. Cecília Queiroz
    2 de fevereiro de 2014 às 22:03

    Querido Acauan… conheça um pouco melhor a doutrina antes de debatê-la… Esta afirmação de que o mal está atrelado a ignorância está totalmente equivocada…. Nós espíritas, sabemos muito bem, que existem mentes brilhantes com moral baixa e pessoas “simples” de inteligência e moral elevadíssima…. Claro que, quanto maior o grau de inteligência mais fácil decidir qual caminho tomar…. mas, a “coisa” não é matemática simples… Leia Kardec, você parece inteligente…

  24. 20 de janeiro de 2014 às 14:06

    Sim, Fabiano, agora entendi. E percebi que temos outro ponto de discórdia: a encarnação num corpo físico “não é uma punição para o espírito, como alguns têm pensado, mas uma condição inerente à inferioridade do Espírito, e um meio de progredir” (O Céu e o Inferno). Antes de seguir, repito: seres humanos são criaturas complexas, dotadas de consciência e livre arbítrio. Não são iguais, apenas têm o mesmo caminho a seguir. Logo, é compreensível que façam escolhas diferentes e não há injustiça ou privilégio, e sim escolha.

    Voltando, a meta do espírito é a perfeição relativa, e ele não atinge essa perfeição em uma única existência terrena: o ‘selvagem’ simples e ignorante pode fazer tudo ‘certinho’ que ainda assim vai precisar reencarnar NUMEROSAS vezes até se tornar o que muitos chamam de anjos, seres plenamente felizes e livres. A encarnação é como uma escola de aplicação, olha esta afirmação de A Gênese, na qual fica claro que a vida é algo contínuo, infinito: “No intervalo de suas encarnações, o espírito igualmente progride, no sentido de que ele põe a funcionar, para seu progresso, os conhecimentos e a experiência adquiridos durante a vida corporal; examina o que fez em sua permanência terrestre, passa em revista o que aprendeu, reconhece suas faltas, traça seus planos, e toma as resoluções segundo as quais contará guiar-se a uma nova existência em que procurará fazer melhor”. Se ele completa suas tarefas como encarnado (e o Espiritismo usa a expressão ‘completista’ para aquelas pessoas que fizeram tudo de acordo com seu planejamento antes de encarnar) é como se passasse de ano. Ora, um espírito pode passar de ano sempre! E outro pode repetir as mesmas provas, ser ‘reprovado’ sempre e ter que expiar várias vezes os mesmos erros… Na expiação pode haver evolução: qtas vezes vemos uma pessoa se tornar mais consciente, humana, feliz após uma grave doença? O certo é que em algum momento cada um se cansa de sofrer e busca melhorar pelo amor, e não pela dor.

    Tanto é assim que existem várias classes de mundos, e a partir de determinada classe já não há provas nem expiações, mas nesses mundos existem sim espíritos encarnados… Por fim, de novo A Gênese: “(…) até que a encarnação em um corpo material já não lhes é mais útil; passam a viver exclusivamente na vida espiritual, na qual progridem ainda num outro sentido e mediante outros meios.”

  25. Fabiano Dantas
    17 de janeiro de 2014 às 12:09

    Veronica,

    Eu pensei que os espíritos permanecessem simples e ignorantes até chegarem ao reino hominal, que seria o estágio no qual tomariam consciência de si mesmos e deixariam, portanto, a ignorãncia absoluta, embora ainda fossem selvagens. Já que você me corrigiu, tudo bem. Não tenho conhecimento desses detalhes da teologia kardecista.

    Entretanto ainda penso que o problema permanece para você. Se um determinado espírito, encarnado em um homem selvagem sendo ele simples e ignorante, age de acordo com seus instintos, e se de acordo com a obra kardecista, nossas atitudes são julgadas de acordo com nosso nível moral, como pode um espírito simples e ignorante ter penas a expiar numa encarnação futura, já que age por insitinto e não tem senso moral do que faz? Um pai puniria seu filho de 8 meses porque levou deste um tapinha? A resposta é não. A criança não tem, até então, senso moral de certo e errado! Como você mesma disse: “… a doutrina deixa claro que para estes não há ‘cobrança’”. Como pode haver uma encarnação futura, se para esses não há cobrança, não há nada a expiar?!

    E ao contrário do que você disse, Verônica, a doutrina espírita ensina sim, que todos os espíritos são criados exatamente iguais; simples e ignorantes. Se assim não o fosse, Deus seria injusto. É este o pensamento kardecista: justiça é sinônimo de igualdade (socialismo utópico). No entanto, o que ela não explica é como tais espíritos iguaizinhos
    tomam rumo tão diferentes. Ora, a lógica nos confirma que sendo iguais os espíritos em seus estados originais, iguais agiriam também em circunstâncias parecidas.

    Espero que você tenha entendido meu raciocínio.

  26. 16 de janeiro de 2014 às 13:23

    Todas as vezes em que falei em espírito me referi a espíritos no estágio humano. Ignorantes ou não, em nenhum momento pensei em animais. (Obs.: até mesmo animais da mesma ninhada são diferentes, que coisa.). Entendi a confusão, faz sentido o que disseste. E não, um animal que mata um ser humano não pode ser responsabilizado, não entendi onde queres chegar…

    Na verdade homens podem ser sim simples e ignorantes (o que seria neutro, já que todo o ato têm consequências??), podem ser dominados pelo instinto e pela matéria ao ponto de ser necessário ignorar a ética: sua sobrevivência está em jogo e além disso ele ignora as leis do universo ou de Deus ou o que seja. A história da humanidade deixa isto bem claro ao mostrar como a vida humana era bruta e sangrenta. A própria psicologia evolucionista descreve esse ‘amadurecimento’: primeiro eu quero apenas eliminar meus oponentes (=todo mundo), depois é que percebo que posso ter vantagens em me aliar a pessoas, e por aí vou aprimorando minhas relações. Recomendo Stephen Pinker para entender essa dinâmica que começa lá nos nossos genes.

    Outra coisa, a moralidade é relativa, até a justiça dos homens reconhece isso! Eu posso cometer vários crimes impunemente, até matar, depende das circunstâncias. A justiça divina, de acordo com a obra kardecista, sempre considera o nível da pessoa e o quanto ela pode escolher, o quanto sua ação é uso do livre arbítrio ou é necessidade / ignorância. Como um pai: receber um tabefe do filho de 8 meses é bem diferente de ser esbofetado por esse filho aos 18 anos – a percepção do mesmo ato cometido pela mesma pessoa é totalmente diferente.

    Tvz eu não esteja conseguindo me explicar, mas acho muito normal que pessoas do mesmo nível moral façam escolhas diferentes, pq há muito mais coisas envolvidas. Não estou falando das ‘escolhas’ feitas pelos simples, já que a doutrina deixa claro que para estes não há ‘cobrança’. Sigamos: o espírito simples e ignorante deixa de sê-lo em algum momento, pq em algum momento ele tem experiência, conhecimento e inteligência suficientes para fazer escolhas, já que tem livre-arbítrio. Escolhas mesmo, não atos forçados pelas circunstâncias. A dourina não diz que os espíritos são iguais, pelo contrário, e sim que todos têm as mesmas condições de progredir, não tem isso de anjo e demônio direto de fábrica. Mas nesta altura do meu raciocínio fica mais fácil perceber a diferença: cada um tem sua intensidade de medo (a grande raiz do mal, já dizia Yoda haha), de egoísmo, de vontade de lutar para vencer seus instintos. Por quê lutar? Pq eu vejo e compreendo as consequências dos meus atos e já tenho capacidade de saber se são boas ou más. Por fim, pra baixo todo o santo ajuda… Já o progresso só se dá com luta e esforço, segundo A Gênese e outras obras de Kardec, e eu acho que nem todos estão dispostos a lutar.

  27. Fabiano Dantas
    15 de janeiro de 2014 às 17:14

    Minha cara Verônica,

    Creio que você não tenha compreendido meu comentário. Não comparei o estado neutro de um espírito simples e ignorante ao de uma criança em sua mais tenra idade. Nem poderia fazê-lo, pois até mesmo as crianças tem particularidades que as diferenciam umas das outras. O que eu disse foi que sendo todos os espíritos simples e ignorantes seria de esperar que tomassem as mesmas decisões em situações parecidas. Sendo assim, como explicar o fato desses espíritos tomarem rumos tão diferentes se foram criados exatamente iguais? Creio que você não tenha respondido isso.

    Tomando por base seu exemplo (um espírito simples e ignorante mata um ser humano para conseguir suprir uma necessidade, mata por INSTINTO, e o “mal é relativo…”), creio que um espírito permanece simples ignorante até o reino animal, estou certo? Quando toma consciência de si mesmo é porque encarnou no reino hominal, mesmo que seja num mundo de provas e expiações, numa sociedade selvagem e retrógrada. É isso mesmo? Acho que sim, pois se já é homem, mesmo que selavagem, tem consciência de si mesmo e já não é mais simples e ignorante. Pois bem, o que lhes faz agir tão diferentemente uns dos outros? Não eram iguais até então? Será que seriam as diferentes circunstâncias de sua existência? Mas se é isso, não seria injusto da parte de Deus — ou da lei da causa e efeito, ou seja lá o que for — trazer circunstâncias diferentes para espíritos iguais?

    Outro questionamento que tenho que lhe fazer é o seguinte: se um espírito simples e ignorante, encarnado em um animal, mata um ser humano, como pode haver responsabilidade moral “proporcional” a seu progresso se não há nele consciência moral alguma (ele é simples e ignorante, lembra?)? Poderíamos culpar um animal que mata por instinto? Veja o impasse que lhe traz seu próprio raciocínio, minha cara!

    E por fim, como não ver retroação num indivíduo moralmente neutro (simples e ignorante) que debandeia por caminhos imorais? Ora o estado de ignorância, em si mesmo, ainda não era melhor do que o imoralidade? Se sim, isso não estaria em contradição com a lei da evolução moral?

  28. 14 de janeiro de 2014 às 20:07

    Fabiano Dantas, estado neutro seria um estado de inocência e pureza, como uma terna criança (bem dormida e bem alimentada, né, senão não tem nada de terna)? Não! Aqui está a confusão! Por ex., um espírito simples e ignorante mata um ser humano para conseguir suprir uma necessidade, mata por INSTINTO, e o “mal é relativo, e a responsabilidade é proporcional ao grau de progresso. Logo, todas as paixões têm sua utilidade providencial (…) É o abuso que constitui o mal, e o homem abusa em virtude de seu livre-arbítrio. Mais adiante, esclarecido por seu próprio interesse, ele escolhe livremente entre o bem e o mal” (A Gênese). Em outras palavras, a partir de certo grau de evolução espiritual, depois de muitas lutas, o homem passa a ter outras necessidades além das fisiológicas; e passa a ter sua inteligência desenvolvida, além do seu instinto. Se ESCOLHER seguir vivendo para saciar seus instintos, se ESCOLHER se deixar dominar pela matéria, retarda sua evolução (não regride, apenas fica estagnado) e passa a cometer erros e acumular ‘dívidas’. Um outro espírito ‘gêmeo’ ESCOLHE lutar contra o instinto , seguir sua inteligência e buscar a espiritualidade, e assim avança. E cada um vai colhendo o que planta…

  29. Fabiano Dantas
    9 de janeiro de 2014 às 11:26

    Laisa, creio que a analogia dos gêmeos monozigóticos, usada por você, não resolve a dificuldade espírita. Embora os gêmeos univitelinos sejam geneticamente iguais, seus cérebros podem ser bastante diferentes devido a vários fatores de sua formação. Isso explica o porquê de algumas vezes gêmeos identicos genéticamente terem comportamentos tão diferentes. No caso da teologia kardecista, todos os espíritos são criados exatamente iguais — simples e ignorantes. Então, o que explicaria o fato de eles tomarem rumos tão diferentes, já que sendo exatamente iguais deveriam agir da mesma forma?

    Também não há como explicar o fato de que se o espírito simples e ignorante torna-se, por seu próprio livre-arbítrio, um espírito mal ou leviano está regredindo e não evoluindo, contrariando assim a lei da evolução moral. Uma criança inocente que, ao tornar-se adulta, debandeia por caminhos moralmente reprovaveis, não evoluiu moralmente, pelo contrário, regrediu; saiu de sua inocência para uma situação de degeneração moral. Assim também, um espírito simples e ignorante que torna-se um espírito mal (demoníaco), também regrediu. Saiu de um estado neutro — como você mesmo assevera — para um estado de depravação moral. Isso não seria uma dificuldade lógica para a lei da evolução?

  30. Laisa
    8 de janeiro de 2014 às 15:02

    Deus criou todos os espíritos iguais, com livre arbítrio, puros e “ignorantes”. Tem mais uma coisa que não vi em seu texto mais tanto no livro dos espíritos quanto nas demais obras da codificação de Allan Kardec (para os que não sabem era um cientista e não um religioso) , bem como diversas obras espiritas sérias, é a questão da Consciência divina. Fomos criando com consciência em estão primário. Leis morais gravadas em nossa “mente”.

    Me permita fazer uma breve analogia:

    Um casal cria dois filhos, da mesma idade (gêmeos univitelinos pra complicar um pouco! rs), ambos perfeitos, saudáveis, ingênuos e “ignorantes”. Os pais lhe dão a mesma educação, as mesmas oportunidades. Como poderíamos explicar o fato de um filho torna-se uma pessoa de “bem” e o outro optar pelo caminho do “mal”?!
    Esqueçamos o fato da encarnações anteriores para justificar isso e pensemos de forma materialista.
    Mais eles foram criados pelos mesmos pais? Mesma educação? Vivendo no mesmo circulo de amizade e família?
    Eles não nasceram inclinados para o “bem” ou para o “ma”l….mas um deles se tornou “mal” a longo de sua vida, talvez por ter desenvolvido o orgulho, o egoísmo, a ambição desregrada , a vaidade cega….logo o estagio de ignorância e pureza (infância) passou a ser um estagio de egoísmo (não necessariamente regredindo). E o outro se tornou um pouco mais evoluído (saindo do estagio de ignorância para o estagio de busca pelo conhecimento e aperfeiçoamento moral e espiritual).
    A partir desse paralelo podemos, pelo menos, refletir que Deus criou sim todos os espíritos iguais (puros e ignorantes) com livre arbítrio, para que cada um escolha através de suas vivências, qual melhor caminho a seguir a fim de atingir a evolução moral e espiritual. Para não ficar estagnado (no estado neutro da crianção)!
    Se uns prefere viver de forma desregrada e outros prefere evoluir moralmente, isso depende único e exclusivamente de nós, pois fomos criados da mesma forma.
    E a ignorância é sim um estado neutro de espirito, ninguém nasce com inclinação para o “mal” ou para o “bem” (para quem não acredita em reencarnação, uma criança também não nasce inclinada para o mal ou para o bem).
    Enquanto a influencia de outros espíritos, podemos dizer que só é possível se o espirito que se diz influenciado desenvolve em si mecanismos que permitem o mesmo sintonizar com outros espíritos “inferiores” (que na verdade são os espíritos que ainda estão no estagio neutro de ignorância espiritual, que apesar de conhecer as leis morais, pois as tem gravadas na consciência, preferem ignorá-las).
    Nossas escolhas, vivências, vícios e virtudes, que vamos adquirindo ao longo das encarnações (ou ao longo da vida de uma criança, ainda fazendo o paralelo com a visão materialista) que vão determinar em que estagio estamos (em ternos de evolução espiritual).
    E quando você fala que escolhas morais só se define quando há consciência delas em contrapartida o espiritismo (em quanto ciência, filosofia e religião, para alguns) diz que todos somos criados , neutros, puros, com livre arbítrio porem com consciência das leis morais, ainda que em estagio primário. Logo toda vez que fazemos mal a um semelhante, por mais que não admitamos, nossa consciência reconhece esse feito como um desrespeito a lei divina. E essa mesma consciência que vai nos cobrar a reparação do mal que fizemos, isso pode demorar, anos, séculos, e até milênios, mais a justiça partirá de nossa própria consciência. Pois no espiritismo não se prega punição, pois somos juízes em nossa própria causa. E a principal acusadora é nossa consciência e não Deus ou a religião.

    PS: Note que uso os termos BEM e MAL entre aspas, pois não existe essa dualidade. O que existe é opção pela ignorância (conhecer mais ignorar, ou ainda não conhecer e não buscar conhecimento) e busca do conhecimento (conhecer o universo e nos mesmos, e as leis que regem o universo).

  31. david
    7 de janeiro de 2014 às 17:34

    quem evolui mais rápido não é quem passa por mais experiências ruins, e sim quem entende o significado de “ama o seu próximo como a si mesmo”. Ser rico, saudável e afortunado não quer dizer que não seja sofredor, assim como ser pobre e doente não quer dizer que seja sofredor, a riqueza é uma das provas mais difíceis para nós, e ser sofredor ou não, depende da condição espiritual de cada um, e não de sua condição financeira ou física.
    Os espíritos são criados ignorantes, não são nem bons nem maus, porém, na busca da felicidade, procuram o imediatismo, e acabam indo pelo caminho do prazer superficial e físico, se iludindo e ficando cada vez mais dependente dos prazeres terrenos. Assim, essa dependência faz nascer principalmente o egoismo dentro de nós, onde este é a base de tantas imperfeições que temos. Por conta dessa dependência e do nosso egoísmo, acabamos por fazer o mal uns aos outros para favorecermos nós mesmos (egoísmo). Porém, desde a nossa criação (como espíritos), nunca deixamos de ser amparados por espíritos evoluídos, mas, como filhos desobedientes e ignorantes, vamos pelo caminho que achamos mais fácil, não percebendo que estamos indo pelo mais difícil. Situações como essas ocorrem quando somos adolescentes e não ouvimos nossos pais, e depois, com a experiência (quando não somos mais ignorantes com relação aquilo), vimos que realmente erramos. Assim, vendo espíritos supostamentes felizes com os prezeres mundanos, somos influenciados, e por conta do nosso livre arbítrio, que nunca deixaremos de ter, deixamos ser influenciados. Quanto mais dependentes desse mundo de ilusoes e egoísmo, mais débitos contraímos, e mais difícil o caminho para aliviarmos nossa consiência do mal que fizemos. Ou seja, não somos criados com inclinação ao mal, porém nossas próprias escolhas fazem com que fassamos o mal. Os espíritos de décima ordem seriam aqueles com dependências terrenas a tal ponto de até desejar possuir o planeta e ser dito como dono do mundo, e podem fazer coisas terríveis para alimentar seu vício. O grau de dependência e esgoísmo estão muito elevados, por conta de suas próprias escolhas e ações, sendo que os bons espíritos nunca deixaram de tentar traze-lo ao caminho do arrependimento e do amor, nunca estamos desamparados. Todos somos criados iguais, cabe a nós escolhermos qual caminho seguir.

  32. 6 de janeiro de 2014 às 16:37

    Olá! Não tenho tua excelência argumentativa, mas vamos lá. Tuas observações partem do pressuposto de que todos os espíritos foram criados ao mesmo tempo e habitam o mesmo ‘lugar’. A classificação apresentada no Livro dos Espíritos é, mal comparando, um ‘instantâneo’ dos espíritos que existem hoje, ou de sua condição. Pensando no nosso planeta: espíritos de diferentes níveis morais sempre coexistiram, desde os primórdios da Terra, daí a influência de uns sobre os outros, estejam encarnados ou desencarnados. Uma humanidade não é como uma ninhada de filhotes que nasce e permanece em conjunto e isolada eternamente: espíritos estão sempre influenciando, para o bem ou para o mal. (O mal está melhor explicada em A Gênese, cap. III: segundo consta nesta obra, a origem do mal é o MEDO e o deixar-se dominar-se pela matéria em detrimento da espiritualização.

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