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Patrística

18 de novembro de 2011

Os pais da Igreja – os primeiros e tão desconhecidos teólogos

Por “patrística”, entenda-se o conjunto de teólogos cristãos (conhecidos como Pais da Igreja) responsável por moldar a ortodoxia. Não há consenso sobre até quando se processou esse período de formação, mas usarei como limite João Damasceno(675 – 749), embora, na prática, raramente mencione eu como “Pai” teólogos após Agostinho de Hipona. O motivo principal para levar em conta o testemunho deles é que, para boa parte dos apologistas espíritas (a mais teimosa) o cristianismo ortodoxo foi reencarnacionista até o II Concílio de Constantinopla (553 d.C.). Para corroborar isso, muitas citações de obras desses teólogos são dadas como exemplo. O problema é que, ao verificar as palavras originais deles, constato que os autores espíritas:

  • Fazem citações indiretas, evidenciando que não leram os teólogos por eles usados;

  • Citações de citações tornam difícil a verificação posterior por parte dos leitores, quando não impossível;

  • Citações indiretas por si só não são algo ruim, contanto que estejam sendo usadas fontes intermediárias com um mínimo de credencial. A questão justamente é quem teria esse gabarito? Em vez de se basear em fontes de caráter acadêmico, muitos apologistas espíritas optam por outros apologistas, místicos ou qualquer escritor reencarnacionista, como se isso fosse um atestado de qualidade e isenção. Assim, demonstram excessiva confiança e pouco senso crítico ao escolher suas fontes. A leitura do original é a meta a ser perseguida, embora nem sempre possível.

Para os apologistas que não fizeram uso da patrística, lembro que:

  • Bem sei que muitos dos “Pais da Igreja” defenderam ideias que hoje são consideradas heréticas pelos que vocês chamam de “fundamentalistas”. Por exemplo, Justino foi milenarista e Tertuliano, montanista. Isso é irrelevante, pois o período em que eles viveram, principalmente a patrística pré-nicena (100 – 325 d.C), foi de formação, quando muitos pontos doutrinários ainda estavam em aberto;

  • Sei que essas divergências deixam de ser importantes quando elas lhes convém. O exemplo mais notório é o caso de Orígenes e sua suposta defesa da reencarnação;

  • Farei questão de lembrar de seus confrades que fizeram uso equivocado da patrística, apenas como um lembrete de que a “fé racionada” pode voluntariamente se “cegar” se lhe oferecido um tentador boato. O vício não está na fé, mas não humanos e, portanto, vocês também podem partilhar de muitos defeitos que atribuem exclusivamente aos “fundamentalistas”;

  • A patrística é uma fonte histórica! Por mais enviesados que fossem, eles ainda são um testemunho de como seu próprio grupo via a si mesmo. Desconsiderá-los é, no mínimo, desaconselhável.

Eis os principais autores:

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