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Inacabados

5 de julho de 2015 2 comentários

sagrada familia

Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, Espanha. Até o presente momento (2015), o mais belo canteiro de obras do mundo.

Se uma construção não é dada como pronta até que o último andaime seja retirado, então nunca vou acabar nada, pois de tempos em tempos reviso o que escrevi e aparo arestas. Isso faz do trabalho e o que não falta no mercado são livros com diversas edições que revisam e ampliam as anteriores. O problema é quando juntam-se a isso vários projetos paralelos. Resultado: não se acaba nada. Pelo menos tenho uns seis trabalhos na fila ainda:

  • Um estudo sobre a evolução do Espírito Santo no cristianismo primitivo (concluídas as cartas paulinas e adicionada uma análise de Hb 9:27);
  • Uma revisão e expansão de A Preposição da Discórdia. Falta um capítulo com o toque final;
  • A transformação de Elias de ex-tutor e rival em um precursor de Cristo;
  • Algumas observações sobre o pré-existencialista Filo de Alexandria;
  • Fazer um inventário das citações bíblicas contidas no ESE. Os dados até estão à mão, ofertados pela FEB, por isso acabo procrastinando;
  • Discorrer acerca das origens do batismo cristão e o esforço da ortodoxia kardecista em desqualificá-lo como fraude de uma tradução enviesada;
  • Dar uma resposta sincera a uma singela dúvida de um leitor (e a mim mesmo).

Isso não quer dizer que esteja eu parado, apenas que outras prioridades surgiram no mundo real. Pelo menos a página de “Sobre” progrediu um bocado e o primeiro artigo está bem avançado. Não tenho compromisso em terminar rápido, até porque sei que os últimos 10% de cada trabalho consumirão tanto ou mais que os primeiros 90%.

Vim apenas dizer que ainda estou “encarnado”.

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Curta 3

14 de dezembro de 2013 Comentários desligados

Adicionado novo item a “As Várias Terceiras Revelações”: O Adeus e o Adeus de Jesus.

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Curta 2

19 de novembro de 2013 1 comentário

Adicionado um novo item em As Várias Terceiras Revelações. Eu pretendia fazer um apanhado da história dos mórmons, a exemplo do que fiz para os muçulmanos, mas decidir adiar e voltar para o assunto principal.

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Curta: atualização

11 de outubro de 2013 Comentários desligados
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Virgindade de Maria

29 de novembro de 2011 Comentários desligados
Para ver a história da concepção de Jesus num contexto mais amplo, é necessário contrastá-la com outras lendas de nascimento correntes no judaísmo intertestamental. Os autores do Velho Testamento acreditavam que a esterilidade de uma mulher era causada por Deus, que lhe fechava o útero, mas ele podia igualmente reabri-lo e assim torná-la fértil. Muitos dos heróis bíblicos, inclusive os patriarcas Isaac, Jacó e José, assim como o profeta Samuel, nasceram de mulheres consideradas infecundas – e no caso de Sara, a mulher de noventa anos de Abraão, depois de toda uma vida de esterilidade, Na antiga sociedade e cultura judaicas, esses nascimentos foram considerados milagrosos.

Em seguida, não devemos deixar de observar em nossa avaliação dos evangelhos da infância que o termo “virgem” era suscetível de várias interpretações entre os judeus. É claro, a ausência de experiência sexual era uma delas, mas o grego parthénos também podia significar que a moça era jovem e/ou não casada. Na verdade, na tradução septuaginta do Velho Testamento, parthénos foi usado para traduzir três palavras hebraicas diferentes, “virgem”, “menina” e “jovem mulher”. Já os rabinos da era tanaítica (do século I ao II d.C.) sancionaram ainda outras nuanças, e não há razões para pensar que todas tenham sido inventadas por eles. Mesmo a palavra bethulah, que normalmente significa virgem intacta, quando usada por eles podia transmitir um sentido lateral de imaturidade corporal, com a consequente incapacidade de conceber. Na terminologia rabínica, esse tipo de virgindade numa mulher cessava com o início da puberdade física. A Mixná, o mais velho dos códigos rabínicos, define a virgem como uma mulher que “nunca viu sangue, mesmo sendo casada” (mNiddah 1:4). A Tosefa, outro antigo código legal judeu, afirma, em nome do rabino Eliezer ben Hircanos (final do primeiro século d.C.), que a mulher continuaria a contar como virgem mesmo depois de ter concebido e dado filhos à luz sem menstruação anterior! (tNiddah 1:6)

Para entendermos essas afirmações, devemos nos lembrar que o casamento pré-púbere era geralmente permitido no início da era intertestamental rabínica (7). A bem da verdade, rabinos debatiam seriamente se as manchas de sangue encontradas após a noite de núpcias no leito nupcial de uma menor, isto é, de uma “virgem quanto à menstruação”, marcavam a primeira menstruação ou a consumação do casamento. Assim a ideia de conceber na primeira oportunidade física e tornar-se destarte mãe virgem não foi apenas um arroubo fantasioso da mente rabínica excessivamente imaginativa.

Contudo, outro aspecto da antiga representação judaica da virgindade nos é dado pelo famoso filósofo Filo de Alexandria, contemporâneo de Jesus. Ele descreveu a esposa pós-menopáusica de Abraão como uma mulher que se tornara virgem pela segunda vez (De posteritate Caini 134). Em seu modo de pensamento alegórico usual, ele caracterizou Isaac, a criança nascida milagrosamente de Sara e Abraão, como o “filho de Deus” (De mutatione nominum 131). Citando as palavras de Sara em Gênesis 21:6, “Deus me deu motivo de riso” (Isaac quer dizer “Ele ri”), Filo comentou: “Abre os teus ouvidos e aceita os mais sagrados ensinamentos: o riso é ‘alegria’, e fez iguais ‘procriarem’. De modo que o que é dito é semelhante a : ‘O Senhor gerou Isaac’.” (De allegoria legum iii 129). Ou então, optando por um simbolismo ainda mais surpreendente, Filo atribuiu a gravidez de Sara ao seu encontro com Deus: “Pois Moisés nos mostra Sara concebendo no momento em que Deus a visitou em sua solidão; mas quando ela gera, não é para o autor da sua visita, mas para Abraão.” (De cherubim 45) A única conclusão que precisamos tirar de tudo isso é que as noções de virgindade e de parir sendo virgem eram muito mais elásticas na antiguidade judaica do que a tradição cristã admite.

Nota

(7) – A mulher podia casar-se ao atingir a maioridade, que era fixada por ficção legal aos doze anos e um dia, independentemente de ter atingido ou não a puberdade. Os casamentos da seita essênia proibiam a coabitação até que a jovem tivesse provado, por três períodos consecutivos, que estava fisicamente madura (Josefo, Jewish War [Guerra Judaica] ii.161). É provável que o ato de “fornicação com a esposa”, mencionado num dos manuscritos de Documento de Damasco de Qumrã (4Q270), fosse cometido ao desobedecer-se a esta regra.

Fonte:

-Vermes, Geza; As Várias Faces de Jesus, Record,1ª ed., 2006, cap. VI, p. 252-254

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I Enoque 10:9 – 11:2

21 de novembro de 2011 Comentários desligados
Extermina os espíritos de todos os monstros, juntamente com todos os filhos dos Guardiões, porque eles maltrataram os homens! Purga a terra de todo ato de violência! Toda obra má deve ser eliminada! Que floresça a árvore da Verdade e da Justiça. O sinal da bênção será o seguinte: as obras da Verdade e da Justiça sempre serão semeadas na alegria verdadeira. Então florescerão os justos e haverão de viver até gerarem mil filhos, e completarão em paz todos os dias da sua juventude e da sua velhice. Então toda a terra será cultivada com a Justiça, inteiramente plantada de árvores, e cheia de bênção. Toda espécie de árvore boa será plantada sobre ela, igualmente videiras; e as videiras produzirão uvas em abundância. De todas as sementes que forem semeadas uma medida produzirá mil outras; e uma medida de olivas dará dez cubas de óleo. Purifica a terra de todo ato de violência, de toda injustiça, de todo pecado e impiedade; elimina toda a impudicícia que sobre ela se pratica! Todos os homens serão justos, todos os povos me prestarão honra e glória, e todos me adorarão. A terra então ficará expurgada de toda maldade, de todo pecado, de toda praga, de todo tormento; e nunca mais mandarei sobre ela um dilúvio, ao longo de todas as gerações, por toda a eternidade. Naqueles dias eu abrirei as câmaras dos depósitos da bênção do céu e deixá-las-ei derramar sobre a terra, sobre as obras e os trabalhos dos filhos dos homens. Então a Verdade e a Paz juntar-se-ão por todos os dias da terra e por todas as gerações dos homens.

Fonte:
– Tricca, Maria Helena de Oliveira (compiladora); Apócrifos – Os proscritos da Bíblia, tradução do alemão de Ivo Martinazzo, vol. I e III, Ed. Mercuryo, 2003, pp. 122-3.

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Enoque 62:4-10

18 de outubro de 2011 Comentários desligados
Então sobrevir-lhes-á sofrimento igual ao de uma mulher em dores de difícil parto, quando o filho passa pela abertura matriz, e ela sofre ao dar à luz. Uma parte deles então encarará a outra; assustar-se-ão, baixarão seus olhos, e serão acometidos de dores quando virem o Filho do Homem assentar-se sobre o trono de sua Glória.

Então os reis, os poderosos e os demais senhores da terra haverão de glorificar, louvar e enaltecer Aquele que reina sobre todas as coisas e que estava oculto. Pois, no princípio, o Filho do Homem estava oculto, e o Altíssimo conservava-O na presença do seu poder; e revelou-O aos escolhidos.

Florescerá então a comunidade dos escolhidos e dos santos, e todos os escolhidos, naquele dia, estarão na sua presença. Todos os reis, os poderosos, os grandes senhores da terra cairão sobre a sua face, na sua presença, e suplicarão: irão colocar a sua esperança naquele Filho do Homem, invocá-lO-ão e implorarão sua misericórdia.

Todavia, aquele Senhor dos Espíritos os obrigará a se afastarem o mais rapidamente possível da sua presença; o rosto deles cobrir-se-á de vergonha, e sobre eles cairá a escuridão. E Ele os entre os entregará aos Anjos vingadores, porque maltrataram seus filhos e seus escolhidos.

Eles propiciaram um espetáculo para os justos e escolhidos: estes rejubilarão, porque a ira do Senhor dos Espíritos abater-se-á sobre eles, e Sua espada embeber-se-á de seu sangue. Naquele dia, os justos e os escolhidos serão salvos, e não verão nunca mais a face dos pecadores e dos ímpios.

O Senhor dos Espíritos habitará então com eles, e estes comerão com o Filho do Homem, deitar-se-ão e levantar-se-ão por toda a eternidade. Os justos e os escolhidos exalçar-se-ão sobre a terra, e nunca mais haverão de baixar seus olhos.

Serão recobertos com as vestes da glória, que são as vestes da Vida do Senhor dos Espíritos. Vossas vestes não envelhecerão e vossa glória não passará na presença do Senhor dos Espíritos.

Fonte:
– Tricca, Maria Helena de Oliveria (compiladora); Apócrifos – Os proscritos da Bíblia, tradução do alemão de Ivo Martinazzo, vol. I e III, Ed. Mercuryo, 2003, p. 153.

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