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A Perda da Fé: o Alto Preço da Liberdade (em construção)

17 de novembro de 2018 Comentários desligados

Felipe Morel Wilkon: sob nova direção

O processo que eu vivi, outros poderão viver também, aliás tenho recebido contatos de alguns que o estão vivenciando agora as dúvidas e angústias que já experimentei antes. Cada caso é um caso, embora paralelos sempre possam ser feitos. Na primeira década do século o “ex-pírita” Carlos “APODman” Bella chegou a ter algum destaque em programas de televisivos como “Superpop” (apresentado por Luciana Gimenez), além de dar uma contribuição fundamental nos meios virtuais ao nascente movimento cético brasileiro. Mais recentemente, causou certo burburinho o desligamento do Movimento Espírita de Felipe Morel Wilkon – profícuo palestrante e dono de conceituado canal no YouTube -, que não apenas deixou o movimento como fez questão de metodicamente enumerar, em um novo canal, as razões que o levaram a tal atitude.

Em ambos os caso, temos indivíduos estudiosos não apenas da doutrina, mas também portadores de vasto cabedal intelectual, que começaram a notar sérias rachaduras no suntuoso edifício erguido por Allan Kardec. Ao invés de abraçarem alguma espécie de “duplipensar” ou culpar o preconceito do establishment científico, eles resolveram a dissonância cognitiva que lhes afligia decidindo que o erro estava no colo do Movimento Espírita. Ato contínuo, salpicaram dúvidas de que teriam sido “espíritas de verdade” ou se “vivenciaram a doutrina” no lugar de apenas estudá-la. Enfim, imputaram-lhes a versão espírita da “falácia do escocês”.

Este artigo, contudo, não tratará deles. Tomei-os apenas como exemplos mais midiáticos para que meus leitores, digamos, mais perplexos já saibam de antemão que não estão sós. Nem falarei de Waldo Vieira, cujos motivos da “deserção” aparentam ter sido de outra ordem. Só posso falar de mim mesmo, do que passei, do que lhes espera, e, apesar de tudo, ainda tentar lhes dar ânimo para seguir em frente.

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Inacabados

5 de julho de 2015 2 comentários

sagrada familia

Igreja da Sagrada Família, em Barcelona, Espanha. Até o presente momento (2015), o mais belo canteiro de obras do mundo.

Se uma construção não é dada como pronta até que o último andaime seja retirado, então nunca vou acabar nada, pois de tempos em tempos reviso o que escrevi e aparo arestas. Isso faz do trabalho e o que não falta no mercado são livros com diversas edições que revisam e ampliam as anteriores. O problema é quando juntam-se a isso vários projetos paralelos. Resultado: não se acaba nada. Pelo menos tenho uns seis trabalhos na fila ainda:

  • Um estudo sobre a evolução do Espírito Santo no cristianismo primitivo (concluídas as cartas paulinas e adicionada uma análise de Hb 9:27);
  • Uma revisão e expansão de A Preposição da Discórdia. Falta um capítulo com o toque final;
  • A transformação de Elias de ex-tutor e rival em um precursor de Cristo;
  • Algumas observações sobre o pré-existencialista Filo de Alexandria;
  • Fazer um inventário das citações bíblicas contidas no ESE. Os dados até estão à mão, ofertados pela FEB, por isso acabo procrastinando;
  • Discorrer acerca das origens do batismo cristão e o esforço da ortodoxia kardecista em desqualificá-lo como fraude de uma tradução enviesada;
  • Dar uma resposta sincera a uma singela dúvida de um leitor (e a mim mesmo).

Isso não quer dizer que esteja eu parado, apenas que outras prioridades surgiram no mundo real. Pelo menos a página de “Sobre” progrediu um bocado e o primeiro artigo está bem avançado. Não tenho compromisso em terminar rápido, até porque sei que os últimos 10% de cada trabalho consumirão tanto ou mais que os primeiros 90%.

Vim apenas dizer que ainda estou “encarnado”.

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Curta 3

14 de dezembro de 2013 Comentários desligados

Adicionado novo item a “As Várias Terceiras Revelações”: O Adeus e o Adeus de Jesus.

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Curta 2

19 de novembro de 2013 1 comentário

Adicionado um novo item em As Várias Terceiras Revelações. Eu pretendia fazer um apanhado da história dos mórmons, a exemplo do que fiz para os muçulmanos, mas decidir adiar e voltar para o assunto principal.

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Curta: atualização

11 de outubro de 2013 Comentários desligados
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Virgindade de Maria

29 de novembro de 2011 Comentários desligados
Para ver a história da concepção de Jesus num contexto mais amplo, é necessário contrastá-la com outras lendas de nascimento correntes no judaísmo intertestamental. Os autores do Velho Testamento acreditavam que a esterilidade de uma mulher era causada por Deus, que lhe fechava o útero, mas ele podia igualmente reabri-lo e assim torná-la fértil. Muitos dos heróis bíblicos, inclusive os patriarcas Isaac, Jacó e José, assim como o profeta Samuel, nasceram de mulheres consideradas infecundas – e no caso de Sara, a mulher de noventa anos de Abraão, depois de toda uma vida de esterilidade, Na antiga sociedade e cultura judaicas, esses nascimentos foram considerados milagrosos.

Em seguida, não devemos deixar de observar em nossa avaliação dos evangelhos da infância que o termo “virgem” era suscetível de várias interpretações entre os judeus. É claro, a ausência de experiência sexual era uma delas, mas o grego parthénos também podia significar que a moça era jovem e/ou não casada. Na verdade, na tradução septuaginta do Velho Testamento, parthénos foi usado para traduzir três palavras hebraicas diferentes, “virgem”, “menina” e “jovem mulher”. Já os rabinos da era tanaítica (do século I ao II d.C.) sancionaram ainda outras nuanças, e não há razões para pensar que todas tenham sido inventadas por eles. Mesmo a palavra bethulah, que normalmente significa virgem intacta, quando usada por eles podia transmitir um sentido lateral de imaturidade corporal, com a consequente incapacidade de conceber. Na terminologia rabínica, esse tipo de virgindade numa mulher cessava com o início da puberdade física. A Mixná, o mais velho dos códigos rabínicos, define a virgem como uma mulher que “nunca viu sangue, mesmo sendo casada” (mNiddah 1:4). A Tosefa, outro antigo código legal judeu, afirma, em nome do rabino Eliezer ben Hircanos (final do primeiro século d.C.), que a mulher continuaria a contar como virgem mesmo depois de ter concebido e dado filhos à luz sem menstruação anterior! (tNiddah 1:6)

Para entendermos essas afirmações, devemos nos lembrar que o casamento pré-púbere era geralmente permitido no início da era intertestamental rabínica (7). A bem da verdade, rabinos debatiam seriamente se as manchas de sangue encontradas após a noite de núpcias no leito nupcial de uma menor, isto é, de uma “virgem quanto à menstruação”, marcavam a primeira menstruação ou a consumação do casamento. Assim a ideia de conceber na primeira oportunidade física e tornar-se destarte mãe virgem não foi apenas um arroubo fantasioso da mente rabínica excessivamente imaginativa.

Contudo, outro aspecto da antiga representação judaica da virgindade nos é dado pelo famoso filósofo Filo de Alexandria, contemporâneo de Jesus. Ele descreveu a esposa pós-menopáusica de Abraão como uma mulher que se tornara virgem pela segunda vez (De posteritate Caini 134). Em seu modo de pensamento alegórico usual, ele caracterizou Isaac, a criança nascida milagrosamente de Sara e Abraão, como o “filho de Deus” (De mutatione nominum 131). Citando as palavras de Sara em Gênesis 21:6, “Deus me deu motivo de riso” (Isaac quer dizer “Ele ri”), Filo comentou: “Abre os teus ouvidos e aceita os mais sagrados ensinamentos: o riso é ‘alegria’, e fez iguais ‘procriarem’. De modo que o que é dito é semelhante a : ‘O Senhor gerou Isaac’.” (De allegoria legum iii 129). Ou então, optando por um simbolismo ainda mais surpreendente, Filo atribuiu a gravidez de Sara ao seu encontro com Deus: “Pois Moisés nos mostra Sara concebendo no momento em que Deus a visitou em sua solidão; mas quando ela gera, não é para o autor da sua visita, mas para Abraão.” (De cherubim 45) A única conclusão que precisamos tirar de tudo isso é que as noções de virgindade e de parir sendo virgem eram muito mais elásticas na antiguidade judaica do que a tradição cristã admite.

Nota

(7) – A mulher podia casar-se ao atingir a maioridade, que era fixada por ficção legal aos doze anos e um dia, independentemente de ter atingido ou não a puberdade. Os casamentos da seita essênia proibiam a coabitação até que a jovem tivesse provado, por três períodos consecutivos, que estava fisicamente madura (Josefo, Jewish War [Guerra Judaica] ii.161). É provável que o ato de “fornicação com a esposa”, mencionado num dos manuscritos de Documento de Damasco de Qumrã (4Q270), fosse cometido ao desobedecer-se a esta regra.

Fonte:

-Vermes, Geza; As Várias Faces de Jesus, Record,1ª ed., 2006, cap. VI, p. 252-254

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I Enoque 10:9 – 11:2

21 de novembro de 2011 Comentários desligados
Extermina os espíritos de todos os monstros, juntamente com todos os filhos dos Guardiões, porque eles maltrataram os homens! Purga a terra de todo ato de violência! Toda obra má deve ser eliminada! Que floresça a árvore da Verdade e da Justiça. O sinal da bênção será o seguinte: as obras da Verdade e da Justiça sempre serão semeadas na alegria verdadeira. Então florescerão os justos e haverão de viver até gerarem mil filhos, e completarão em paz todos os dias da sua juventude e da sua velhice. Então toda a terra será cultivada com a Justiça, inteiramente plantada de árvores, e cheia de bênção. Toda espécie de árvore boa será plantada sobre ela, igualmente videiras; e as videiras produzirão uvas em abundância. De todas as sementes que forem semeadas uma medida produzirá mil outras; e uma medida de olivas dará dez cubas de óleo. Purifica a terra de todo ato de violência, de toda injustiça, de todo pecado e impiedade; elimina toda a impudicícia que sobre ela se pratica! Todos os homens serão justos, todos os povos me prestarão honra e glória, e todos me adorarão. A terra então ficará expurgada de toda maldade, de todo pecado, de toda praga, de todo tormento; e nunca mais mandarei sobre ela um dilúvio, ao longo de todas as gerações, por toda a eternidade. Naqueles dias eu abrirei as câmaras dos depósitos da bênção do céu e deixá-las-ei derramar sobre a terra, sobre as obras e os trabalhos dos filhos dos homens. Então a Verdade e a Paz juntar-se-ão por todos os dias da terra e por todas as gerações dos homens.

Fonte:
– Tricca, Maria Helena de Oliveira (compiladora); Apócrifos – Os proscritos da Bíblia, tradução do alemão de Ivo Martinazzo, vol. I e III, Ed. Mercuryo, 2003, pp. 122-3.

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