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Flávio Josefo e a Crença dos Fariseus

17 de outubro de 2011 Deixe um comentário Go to comments

Flávio Josefo

Retrato hipotético de Josefo, da tradução inglesa de William Whiston.

O historiador judeu Flávio Josefo, cuja obra data da segunda metade do século I, muitas vezes é apontado como alguém que registrou a crença da reencarnação entre os fariseus (1). Até mesmo o verbete metempsychosis da Catholic Encyclopedia lhe atribui tal relato, provavelmente baseada na seguinte passagem:

Eles [os fariseus] também acreditavam que as almas tinham uma força imortal dentro delas e que sob a terra elas serão premiadas ou punidas, segundo elas tivessem vivido virtuosamente ou em vício esta vida; e estas últimas são mantidas numa prisão eterna, ao passo que as primeiras terão o poder de revivificar-se e viver novamente (2); (…)

Antiguidades Judaicas, livro XVIII, cap I

É preciso ter em mente que Josefo é um judeu escrevendo para um público helenizado e, portanto, explica suas crenças por meio de empréstimos da cultura e do vocabulário gregos. Assim, uma análise mais aprofundada do uso que Josefo dá às palavras, com paralelos a outras fontes judaicas e pagãs de sua época, revela sutilezas que apontam para uma direção bem diferente daquela que os reencarnacionistas gostariam. Josefo, na passagem acima, usa o verbo αναβιοω, que pode ser traduzido por “voltar à vida”, “reviver”, “ressuscitar” (3). Este verbo aparece em mais duas ocasiões em “Antiguidades Judaicas”:

  1. A ressurreição do filho da viúva feita por Elias:

    Agora esta mulher, de quem falamos antes, que amparara o profeta, quando seu filho caiu doente até que entregou o espírito e aparentou estar morto, veio ao profeta chorando, e batendo contra seu peito com suas mãos, e exclamando tamanhas expressões conforme suas paixões lhe ditavam, e reclamou a ele que viera censurá-la por seus pecados, que por causa disto seu filho estava morto. Mas ele a mandou ter bom ânimo e dar-lhe seu filho, a fim de que devolvesse a ela novamente vivo. Quando ela lhe entregou seu filho, ele o levou para um quarto de cima, onde estava hospedado, e deitou-o sobre a cama, e clamou a Deus, e disse que Deus não agira bem em recompensar a mulher que o hospedara e amparara tomando-lhe o filho; e orou para Ele enviasse novamente a alma da criança para dentro dela, e a trouxesse à vida novamente. Por conseguinte, Deus teve pena da mãe e estava desejoso por gratificar o profeta, que não poderia parecer ter vindo a ela para lhe fazer mal, e a criança, além de toda expectativa, voltou à vida outra vez [ανεβιωσεν]. Então a mãe foi grata ao profeta e ficou nitidamente contente que Deus conversasse com ele.

    Antiguidades Judaicas, livro VIII, cap 13

  2. Com relação ao fim do cativeiro de Babilônia e a volta para Israel:

    Então eles fizeram seus juramentos a Deus e ofereceram os sacrifícios que foram tradicionais no tempo antigo; quanto a isto me refiro à reconstrução de sua cidade e ao reviver [αναβιουσης] de antigas práticas de sua adoração.

    Antiguidades Judaicas, livro XI, cap 1

Nenhuma dessas citações permite o entendimento de “reencarnar”, aliás, os exemplos obtidos na literatura grega e pagã vão contra essa suposição. Até mesmo Platão, um crente na transmigração de almas, usava este verbo no sentido de “ressuscitar” (4):

Sócrates — Não é a história de Alcino que te vou contar, mas a de um homem valoroso: Er, filho de Armênio, originário de Panfília. Ele morrera numa batalha; dez dias depois, quando recolhiam os cadáveres já putrefatos, o seu foi encontrado intacto. Levaram-no para casa, a fim de o enterrarem, mas, ao décimo segundo dia, quando estava estendido na pira, ressuscitou. Assim que recuperou os sentidos, contou o que tinha visto no além. (…)

A República, livro X.

Continuando em outras obras de Josefo.

Mas então quanto às duas ordens anteriormente mencionadas, os fariseus são aqueles estimados por sua habilidade na exata explicação de suas leis e introduzem a primeira seita. Estes atribuem tudo ao destino [ou providência] e a Deus, e embora deixe que o agir de forma correta ou o contrário esteja principalmente nas mãos dos homens, apesar de o destino, de fato, cooperar com cada ação. Dizem que todas as almas são incorruptíveis, mas que as almas dos bons homens apenas são movidas para outros corpos, – porém as almas dos maus são sujeitas ao castigo eterno. Mas os saduceus são os que compõem a segunda seita, e excluem inteiramente o destino, e supõem que Deus não está interessado se o que fazemos ou deixamos de fazer é mau; e dizem que o bom ou mal agir está na escolha dos homens, e que um ou outro, portanto, pertence a todos, que podem agir como bem entenderem. Também excluem a crença na duração imortal da alma, e nos castigos e recompensas no Hades.

Guerra Judaica, livro II, cap. VIII

Ademais, nossa lei ordena justamente que escravos que fogem de seus senhores deverão ser punidos, apesar de que os senhores dos quais eles fugiram tenham sido cruéis com eles. E nos atreveremos a fugir de Deus, que é o melhor de todos os senhores, e não sermos culpados de impiedade? Não sabes que os que partem desta vida conforme a lei da natureza e pagam a dívida que foi adquirida de Deus, quando ele, que no-la emprestou, fica prazeroso em pedi-la de volta, gozam de eterno renome; que suas casas e suas posteridades estão asseguradas, que suas almas são puras e obedientes e obtêm o mais sagrado lugar do paraíso, de onde, nos ciclos dos tempos [περιτροπης αιωνων], eles são novamente postos em corpos puros; enquanto as almas daqueles cujas mãos agiram desvairadamente contra si mesmos são recebidos nos lugares mais sombrios do Hades, onde Deus, que é o Pai deles, pune quem comente ofensa contra qualquer uma destas na sua posteridade? Por esta razão Deus odeia tais atos [de suicídio] e o crime é punido pelo nosso mais sábio legislador. (…)

Guerra Judaica, livro III, cap VIII

Além disso, se alguém engana outro nas medidas e pesos ou faz transação e venda desonesta a fim de enganar outrem, se rouba os bens de outrem, e leva o que nunca guardou; todos estes têm punições os aguardando; não daquelas reservadas para os de outras nações, mas mais severas. E quanto a tentativas de comportamento injusto aos pais ou de impiedade contra Deus, ainda que não realmente concretizados, os agressores são destruídos imediatamente. Porém, a recompensa para os que vivem exatamente de acordo com as leis não é prata ou outro; não é uma grinalda de ramos de oliveira nova, nem qualquer semelhante sinal de aprovação; mas todo bom homem que tenha sua própria consciência dando testemunho se si mesmo, e pela virtude do espírito profético de nosso legislador, e a firme segurança que o próprio Deus propicia tais, ele crê que Deus fez esta dádiva àqueles que observam estas leis, ainda que sejam obrigados a prontamente morrer por elas, que eles retornarão à existência e, num determinado ciclo [περιτροπης] das coisas, receberão uma vida melhor do que a que gozaram. Nem eu me arriscaria em escrever assim agora não fosse bem conhecido por todos pelas nossas ações que muitos de nosso povo decidiram várias vezes resistir a qualquer sofrimento, em vez de falar uma palavra contra a lei.

Contra Apião, livro II

As duas primeiras passagens chamam atenção por assinalar que apenas os justos teriam uma nova vida. Os maus permaneceriam em castigo eterno, sendo que, na quarta passagem, os que ofenderam a Deus e aos pais seriam eliminados. Seria estranho um tipo de reencarnação em que apenas os bons retornassem à vida, quando justamente os ímpios têm mais o que resgatar. Na terceira passagem, em que Josefo explana porque era melhor se entregar aos romanos do que cometer suicídio, deixa transparecer a ideia de “corpo puro” por ocasião da ressurreição, e faz uma breve alusão castigos hereditários. O mais interessante é o caráter do “corpo puro” atribuído por Josefo. As versões inglesas muitas vertem por “pure” ou “chaste”, o que talvez oculte um significado alternativo do original grego ‘αγνος – “sagrado, santo, consagrado”. No Corpus Flavianum, esta palavra aparece apenas mais quatro vezes além desta, todas em Antiguidades Judaicas:

Esta novilha foi sacrificada pelo sumo sacerdote e seu sangue aspergido com o dedo dele sete vezes perante o tabernáculo de Deus; depois disto, toda a novilha é queimada naquele estado, junto com sua pele e entranhas; e atiraram madeira de cedro, e hissopo, e lã escarlate no meio do fogo; então um homem ‘αγνος ajuntou todas as suas cinzas e as pôs em local perfeitamente limpo.
Livro IV. Cap IV, 6

E certamente esta legislação é cheia de sabedoria oculta e totalmente irrepreensível, como sendo a legislação de Deus; razão pela qual é, como Hecateus de Abdera diz, que os poetas e historiadores não fazem menção dela, nem dos homens que levam suas vidas de acordo com ela, visto que é uma ‘αγνης lei.
XII, II, 6

Havia um grande portão através do qual os que eram ‘αγνοι entravam, junto com suas esposas; mas a parte mais interior do templo naquele portão não era permitia às mulheres.
XV, XI, 5

Mas a nação dos Samaritanos não escapou sem tumulto. O homem que os incitou a isto foi aquele que pensou que o ato de mentir é uma de pequenas consequências, e imaginou cada coisa para que a multidão pudesse ser agradada; então os conclamou a se ajuntar no Monte Gerizim, que lhes é respeitado como a ‘αγνοτατον (*) de todas as montanhas…

XVIII, IV, 1.
(*) superlativo: a mais sagrada

Em cada uma delas, ‘αγνος é usado para dar um caráter distintivo de santidade/sacralidade e/ou pureza, logo Josefo estava falando de um corpo santo ou sagrado para uma vida melhor. Tanto este corpo especial se faz necessário, pois, caso fosse um normal (ainda que sadio), não poderia ser um prêmio aos justos, já que nas próprias palavras de Josefo: “(…), pois é verdade que a alma, por estar unida ao corpo, fica sujeita a misérias, e não é outra vez liberta disso senão pela morte (…)” (Contra Apion, II, 25). Esta forma de retorno à vida atribuída aos fariseus por Josefo guarda similaridades com o que se chamaria “ressurreição”, na literatura rabínica e doutrina neotestamentária do ex-fariseu Paulo de Tarso. Tanto Guerra Judaica III, VIII, e Contra Apion, II, possuem a expressão “ciclo(s) dos tempos, das coisas”. Apesar de a tradução inglesa whistoniana colocar “ciclos” (plural) em “Guerra..”, em ambas as passagens o original grego é εν/εχ περιτροπης, i.e., uma expressão singular. O historiador Steve Mason, em sua obra Flavius Josephus: on the Pharisees, assim comenta o uso flaviano do vocabulário grego:

Portanto o uso de περιτροπη, περιτρεπω, e εχ περιτροπης em Josefo e outra literatura grega permite tanto a ideia de “revolução contínua” e a de “transformação súbita, inversão, ou sucessão”. Mas o εχ περιτροπης de Josefo envolve o αιωνες. Apesar de αιων poder significar períodos de variável comprimento, de um período de vida a uma época, ele praticamente sempre tem o sentido de um concebível, determinado período de tempo. E esta observação parece suportar a ideia de sucessão ou mudança para εχ περιτροπης, em vez de uma “revolução contínua”: não que todos os éons de alguma forma façam um ciclo simultaneamente, mas sim que quanto uma era chega ao fim, a próxima começa. Eu proponho, portanto, a tradução: “na sucessão (ou mudança) das eras”

p. 168

Expressão análoga em Guerra Judaica VI, cap. V, onde narra a destruição do segundo templo:

Então Tito recuou para dentro da torre Antônia e decidiu tomar de assalto o Templo no dia seguinte, no começo da manhã, com todo o seu exército, e acampar em torno da Santa Casa; mas, com relação a esta Casa, Deus tinha determinado a muito tempo condená-la ao fogo; e agora que o dia fatal chegara, de acordo com o ciclo dos tempo [χρονων περιοδιος]: era o décimo dia do mês de Lous, [Av], sobre o qual ela fora anteriormente queimada pelo rei de Babilônia.(…)

Esta data concorda com Jr 52:12 e discorda de 2 Rs 25:8 (que seria o sétimo dia), o que importa é que Josefo lança e ideia de a destruição do segundo templo já estar definida para um plano “de acordo com o ciclo dos tempos”, sendo uma passagem (trágica) para o povo judeu.

Esta é uma última, porém suspeita, passagem de Josefo:

Este é o discurso sobre o Hades, onde as almas de todos os homens estão confinadas até a época adequada, que Deus determinou, quando ele fará a ressurreição de todos os homens dos mortos, não obtendo a transmigração de almas de um corpo para outro, mas erguendo novamente aqueles mesmos corpos, que vós gregos, vendo serem dissolvidos, não acreditam [em sua ressurreição]. Mas aprendei a não descrer dela; pois embora acreditais que a alma é criada de acordo com a Doutrina de Platão, e apesar de ser feita imortal por Deus,(…), não sejai incrédulos; mas acreditai que Deus é capaz, quando ergueu para a vida aquele corpo que foi feito como um composto dos mesmos elementos, de fazê-lo imortal; já que não se deve dizer que Deus é capaz de realizar algumas coisas e incapaz de outras. Temos, pois, acreditado que o corpo se erguerá novamente; mesmo que esteja dissolvido, ele não pereceu; pois a terra recebeu seus vestígios e preservou-os; e embora eles sejam como semente e estejam misturados aos solo mais fértil, florescem, e o que foi semeado na verdade foi grão nu, mas ao poderoso som do Senhor o Criador, germinará e será erguido numa condição revestida e gloriosa, ainda que tenha sido dissolvido e misturado [com a terra]. (…) Mas no que se refere aos injustos, eles receberão seus corpos não transformados, não libertos de suas doenças e desequilíbrios, nem feitos gloriosos, mas com as mesmas doenças de quando morreram; e assim como eles estavam em sua descrença, assim estarão quando forem acuradamente julgados. (…)

Discurso aos gregos sobre o Hades

Note que aqui há uma contradição com as passagens anteriores, agora com uma ressurreição universal, sendo a dos maus para o juízo, um tanto em contradição com os extratos anteriores. O “Discurso aos gregos…” merece uma ressalva: atualmente duvida-se que ele tenha sido realmente uma obra de Josefo.

Em suma, três são as características do Corpus Flavianum quanto ao pós-morte farisaico que o distinguem de uma doutrina de “transmigração de almas” (5):

  1. A volta ao corpo é uma recompensa, não uma punição, regeneração, aprendizado ou missão. Em princípio, ela se daria apenas para os justos, tendo um paralelo flagrante com o pseudoepígrafo 2 Mc 7:9, 14
    Tu, celerado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do mundo nos fará ressurgir para uma vida eterna [εις αιωνιον αναβιωσιν ζωης ημας αναστησει], a nós que morremos por suas leis (…)
    É desejável passar para a outra vida às mãos dos homens, tendo da parte de Deus as esperanças de um dia ser ressuscitado por ele. Mas a ti, ao contrário, não haverá ressurreição para a vida!
    ”;
  2. a natureza do corpo futuro é distinta daquela do corpo anterior;
  3. a volta à vida é um clímax a se dar num mundo vindouro, estabelecido pelo uso do singular na narrativa, não algo cíclico. A estadia no céu não é o ápice disto.

Na conclusão de Mason (6):

A forma de reencarnação atribuída aos fariseus por Josefo, portanto, suporta muitas similaridades com o que chamaríamos de ressurreição – uma doutrina farisaica bem atestada pela literatura rabínica e no Novo testamento. Uma leve dificuldade surge, talvez, com o uso de Josefo do adjetivo ‘ετερον [outro] para σομα [corpo], que parece conflitar com a costumeira ideia judaica de que na ressurreição os corpos dos mortos se reerguem. Não se deve, porém, ler demais nisso, já que Josefo deixa claro que o novo corpo será diferente do antigo com respeito a sua “santidade” (cf. ‘αγνος) uma visão compartilhada em certo grau pelo ex-fariseu Paulo (I Cor 15:35 ss). Em qualquer caso, não há nenhuma questão em Josefo quanto a repetidas mudanças de corpo humano (ou animal) para outro.

p. 169

Notas:

(1) De fato, as chances de haver confusão são grandes, se não fossem certos pormenores:

Josefo também afirma que os fariseus diferem dos saduceus nesse ponto, em duas das passagens em que ele apresenta o farisaísmo como uma espécie de escola filosófica grega, conhecida por seus leitores greco-romanos (G.J. 2.8.14 parágrafo 163; Ant. 18.1.3 § 14). Mais especificamente, os fariseus assumem a coloração dos estoicos. (cf. Vida § 12). Nessas duas passagens, Josefo diz claramente que os fariseus, diferentemente dos saduceus, acreditam na imortalidade da alma, em algum lugar de recompensa e castigo após a morte e – pelo menos em uma delas – na ressurreição do corpo (G.J 2.8.14 § 163, embora os leitores gentios de Josefo devam ter entendido que sua linguagem ambígua se referia à reencarnação) (n. 142).

[Meier, cap. XXVIII, p. 48]

Eis a nota 142, p. 102:

Ver Mason, Flavius Josephus on the Pharisees. 156-69. Na verdade, há apenas uma tênue linha entre certos conceitos de ressurreição dos corpos e de reencarnação. Contudo, a linha de pensamento em G.J. 2.8.25 § 163 (*) sugere uma passagem definitiva e de uma vez por todas da alma de uma pessoa boa para um novo corpo, como forma de recompensa eterna (em oposição ao “castigo eterno” que “os ímpios sofrem”). Isso é notavelmente diferente de pelo menos algumas ideias sobre reencarnação, que muitas vezes envolvem a possibilidade de se passar por uma longa sucessão de muitos corpos, como parte de um processo de purificação ou punição, enquanto se segue no objetivo desejado de existência incorpórea ou mesmo de total extinção da pessoa humana com sua consciência individual.

Não apenas os gentios de antigamente podiam confundir habeas corpus com corpus Christi, os espiritualistas de hoje, também. A diferença é que não o fazem mais por um equívoco ao identificar uma crença desconhecida com as suas próprias e, sim, para se municiarem em embates apologéticos.

(*) Observação: No texto da nota 142, a referência à Guerra dos Judeus parece ter sofrido um erro tipográfico.

(2) Na tradução de W. Whiston, “[the good souls] shall have power to revive and live again“, e em Feldman, “receive an easy passage to a new life“.

(3) Do prefixo ανα (“para cima”, “de novo”, “de volta”) e βιοω (“vivo”). O portal Perseus traz dois dicionários com esse verbo: o de Henry George Liddell e Robert Scott e uma versão simplificada dele. No verbete do primeiro, somos informados de uma variante popular cuja primeira pessoa do singular do presente é αναβιωσκομαι e o léxico grego-português ao final do segundo volume da gramática de Murachco traz como significado, para essa variante, “ressuscito”.

(4) Mason reconhece o sentido de αναβιοω como sendo “ressuscitar”, dentro da obra josefiana (e inclusive 2 Macabeus 7:9), mas não aceita muito bem a evidência externa da literatura grega pagã. Questiono um pouco isto, pois há vasta evidência externa. Além do trecho de A República, de Platão, que relatei, há vários outros testemunhos disto, todos acessíveis no Portal Perseus, por exemplo: Hípias Maior e Fédon, de Platão; Descrição da Grécia, livro IV, cap. 19 e 26, de Pausânias; Discurso I, seção 125 de Andrócides, e outros (link alternativo para elas). Uma coisa, porém, concordo com ele, muitos judeus ou judeu-cristãos ao escreverem em grego tomavam empréstimos do paganismo para expressar características própria de sua religião, o que torna um erro querer que certas expressões tenham seu significado pagão em textos neotestamentários ou pseudoepígrafos. Voltarei a isto em Tito 3:5.

(5) Uma das principais traduções de Flávio Josefo para a língua inglesa são The Works of Flavius Josephus de William Whitson, que data de 1737 e tornou-se extremamente popular nos séculos XVIII e XIX e já é de domínio público. Contudo, seu estilo é arcaizante à la King James Bible, usou manuscritos tidos hoje como de má qualidade e privilegiou o estilo à precisão. No século XX, surgiram novas traduções, como as da Loeb Classical Library, feitas a partir de manuscritos melhores, com uma linguagem moderna e mais rigor, apesar do estilo seco e frio. Nas obras de Josefo dessa coleção bilíngue de clássicos greco-latinos, destaca-se o nome de Henry St. John Thackeray, que retraduziu boa parte das obras de Josefo, até sua morte em 1930. Thackeray, contudo, foi um dos divulgadores da ideia de que os fariseus eram crentes na metempsicose, um equívoco que um dos continuadores de seu trabalho apontou e corrigiu:

Thackeray, Selections [from Josephus], p. 159 dá uma referência cruzada para B.J. [Bellum Judaicum – “Guerra dos Judeus”] iii. 374 (“suas almas … são designadas ao mais santo lugar no céu, de onde, na revolução das eras, retornam para encontrar em corpos castos uma nova morada”), na qual Josefo discursa para seus homens sobre o mal do suicídio. Essa passagem em B.J. iii. 374, diz Thackeray, contém uma referência à metempsicose. Mas nossa passagem [Antiguidades Judaicas xviii. 3], a passagem em B.J. e aquela em Contra Ap. ii. 218, que Thackeray cita em sua nota sobre B.J. iii. 374, não se refere à metempsicose, que não era um princípio dos fariseus, mas à crença na ressurreição, que era uma doutrina central dos fariseus. Cf. 2 Mac vii.9, que emprega αναβιωσιν, o substantivo correspondente ao verbo αναβιοω (a palavra usada por Josefo em nossa passagem) em clara referência à ressurreição.

Feldman, Jewish Antiquities: Books XVIII – XIX, p.13

Ou seja, Mason não foi o único nem o primeiro a perceber o engano, dado que a primeira impressão da tradução de Feldman é de 1965.

(6)Mason considera a ressurreição um tipo de reencarnação que se dá uma única vez, o que tem até sentido.

Para saber mais

– Josefo, Flávio; Textos em inglês e grego do portal Perseus.

_____________; The Works of Flavius Josephus, as clássicas e já de domínio público traduções inglesas de William Whiston.

_____________; Jewish Antiquities: Books XVIII – XIX, tradução inglesa de Louis H. Feldman, Loeb Classical Library, Vol. 433, Harvard University Press, 2000.

– Mason, Steve; Flavius Josephus – on the Pharisees, Brill Academic Publishers, 2001, cap. VI, pags. 156-170.

– Meier, John P.; Um Judeu Marginal – Repensando o Jesus Histórico, Vol. III, livro II, Imago, 2004.

– Murachco, Henrique; Língua Grega – Visão Semântica, Lógica, Orgânica e Funcional, Vol. II (Prática), Vozes.

  1. 30 de julho de 2017 às 18:41

    Sim, hoje boa parte dos judeus acredita na reencarnação. A questão é: acaso ela fazia parte do mainstream judaico no primeiro século da era cristã?

  2. David
    30 de julho de 2017 às 12:39

    Guilgul Neshamot (reencarnação das almas) é plenamente aceita no judaismo.

    Com a morte, a alma e o corpo, que formavam uma entidade, se separam. O corpo é enterrado e volta a matéria, perdendo toda sua conexão com a vitalidade. Já a alma é eterna, e se transfere deste mundo para o próximo, um mundo totalmente espiritual. Essa transferência se dá por etapas. Há vários estágios nos quais a alma se desliga gradativamente deste mundo. A Chassidut explica que a alma matriz é composta por várias partes. Cada vez que a alma passa por um “período de vida” num corpo, certas frações dela são aperfeiçoadas e elevadas. No momento da ressurreição dos mortos, cada corpo virá com a parte da alma que foi trabalhada durante a “estadia” nesse corpo.

    Vá em site 100% Judeu faça sua pesquisa

    http://pt.chabad.org/library/article_cdo/aid/666868/jewish/Inferno-a-Caminho-do-Cu.htm

  3. 14 de maio de 2017 às 8:55

    Subentende-se que sim, ainda que isso não esteja dito com todas as letras. Talvez aguardem no Xeol até a chegada do Mundo Vindouro. Josefo utilizou a palavra Hades – o “mundo dos mortos” na cultura grega – porque era de entendimento mais claro aos seus leitores pagãos.

  4. 13 de maio de 2017 às 23:11

    pros fariseus a alma fica em algum lugar agurdando a ressureição, isto?

  5. 13 de maio de 2017 às 23:09

    Ótimo estudo! agora, deixa me ver se entendi certo, pros fariseus, após a morte, a alma vai para um estada intermediário aguardar a ressureição do corpo, certo?

  6. Anônimo
    13 de maio de 2017 às 23:05

    olá, muito bom artigo.Agora, deixa me ver se entendi corretamente. Pros fariseus, após a morte, a alma vai pra um estágio intermediário aguardar a ressureição, certo?

  7. 7 de maio de 2016 às 16:04

    Aviso ao Peçanha:

    Escrevi mais abaixo:

    Faça o seguinte, se ainda quiser minha boa vontade, ache uma obra de Platão em que ele usa αναβιοω indubitavelmente no sentido de “reencarnar”. Os testemunhos da literatura pagã indicam, pelo menos, que isso não era usual.

    Acho que não clicou no link apresentado anteriormente (repetido neste comentário, por sinal) e se esqueceu dos exemplos que já estão nesta página. Repito: se quer minha boa vontade traga o que pedi. Ou assuma que não tem nenhum exemplo disso, do contrário o tratarei como troll.

  8. 25 de abril de 2016 às 10:51

    Continuo aguardando que me traga uma passagem de Platão em que ele utiliza o mesmo verbo que Josefo para a reencarnação.

  9. Peçanha
    24 de abril de 2016 às 22:57

    Sr. Cyrix, o senhor removeu a maior parte de meus argumentos! Removeu todos os links! Francamente, sr. Cyrix, o senhor não tem ética! Assim é muito fácil para o senhor. Não dá para debater nessas condições

  10. 21 de abril de 2016 às 23:36

    Olá seu Peçanha. Escrevo por cima de sua última postagem e pegando realmente o que interessa, afinal, já falou de Champlin em outra página:

    Está escrito neste artigo: “Josefo, na passagem acima, usa o verbo αναβιοω, que pode ser traduzido por “voltar à vida”, “reviver”, “ressuscitar””.
    O termo “reencarnação” não existia na época de Josefo, portanto, não se pode exigir o uso de tal termo por Josefo e, assim sendo, deve-se atentar ao contexto, porque as expressões “voltar à vida”, “reviver” e “ressuscitar” podem ter o sentido de “reencarnar”.

    “Metensomatose” era uma das palavras usada para reencarnação, ainda que, dependendo da crença, pudesse envolver corpos animais também. Foi usada assim, por exemplo, por Orígenes:

    Celso, portanto, não viu de modo algum a intenção de nossas Escrituras. Se tivesse compreendido o destino da alma na vida eterna futura, e o que sua essência e origem implicam, não teria criticado dessa forma a vida do ser imortal num corpo moral, explicada não segundo a teoria platônica da metensomatose, mas numa perspectiva mais elevada. Teria visto, ao contrário, uma descida extraordinária devido a um excesso de amor aos homens, visando reconduzir, conforme a expressão misteriosa da divina Escritura, “as ovelhas perdidas da casa de Israel” (Mt 15:24), que desceram das montanhas, e para as quais o pastor de certas parábolas “desceu”, deixando nas montanhas as que não se tinham perdido (Mt 18:12-13, Lc 15:4s).

    Contra Celsus, IV, 17

    Deixe-me ver se eu entendi: você está dizendo que essas expressões – “voltar à vida”, “reviver” e “ressuscitar” -, podem ter o sentido de reencarnação, mas nega que Josefo a tenha usado no sentido mais básico delas em Antiguidades Judaicas XVIII, cap I . Não vejo razão para comprar essa ideia além da sua própria conveniência pessoal. Você já definiu que Josefo cria na reencarnação, apenas interpreta tudo conforme essa premissa.

    Aliás, o “contexto” de que você tanto fala era o da crença num apocalipse iminente com a instauração o Reino de Deus. A ressurreição se encaixa bem melhor nisso.

    Está escrito neste artigo: “Então eles fizeram seus juramentos a Deus e ofereceram os sacrifícios que foram tradicionais no tempo antigo; quanto a isto me refiro à reconstrução de sua cidade e ao reviver de antigas práticas de sua adoração”.

    O trecho “e ao reviver de antigas práticas” não tem nada a ver com ressurreição ou reencarnação. Francamente, isto é sofismar demais! É apelação!

    Tem a ver com Josefo usando o verbo αναβιοω – o mesmo que aparece em Antiguidades Judaicas, livro XVIII, cap I sem ser reencarnação.

    O trecho em Antiguidades Judaicas, livro VIII, cap 13, narra uma ressurreição bíblica, mas isto não revoga a reencarnação entre os judeus e nem na obra de Josefo.

    Então aqui vemos Josefo usando explicitamente o verbo αναβιοω no sentido de ressuscitar. Você acabou de dizer com todas as letras que o verbo utilizado no sentido de ressuscitar é o mesmo utilizado quando explanou a crença dos fariseus. Não tenho que provar que a reencarnação não está em sua obra: você que deve mostrar onde ela está e as evidências internas (i.e., dentro da obra de Josefo) e externas (literatura clássica) não corroboram seu ponto de vista.

    Está escrito neste artigo: “Até mesmo Platão, um crente na transmigração de almas, usava este verbo no sentido de “ressuscitar””.

    “Reencarnar” e “reencarnação” eram termos que não existiam naqueles tempos. Assim sendo, é inverossímil exigir o uso de tais termos por Platão. Portanto, para expressar o conceito de reencarnação naqueles tempos, utilizavam-se expressões já existentes como “reviver”, “renascer”, “nascer de novo”, “retornar à vida”, etc. Em virtude da inexistência do termo “reencarnar” para designar a doutrina das vidas sucessivas nos textos antigos, faz-se imprescindível atentar para o contexto na íntegra. Na verdade, Platão acreditava na metempsicose, que é um tipo de reencarnação. Acessem os links abaixo e comprovem:

    Ah! Não existia a palavra “reencarnação”, então naquela época também inexistiria a palavra “metempsicose” (ou metensomatose), uma doutrina que vem desde os tempos de Pitágoras! Percebeu o quanto você é incoerente? Ademais “transmigração das almas” é um outro nome para metempsicose. Postaste uma lista imensa de links para refutar algo que eu não discordo. Impressionante.

    Está escrito neste artigo: “Sócrates — Não é a história de Alcino que te vou contar, mas a de um homem valoroso: Er, filho de Armênio, originário de Panfília. Ele morrera numa batalha; dez dias depois, quando recolhiam os cadáveres já putrefatos, o seu foi encontrado intacto. Levaram-no para casa, a fim de o enterrarem, mas, ao décimo segundo dia, quando estava estendido na pira, ressuscitou. Assim que recuperou os sentidos, contou o que tinha visto no além”. A República, livro X.

    Quanto sofisma! Texto fora de contexto para sofismar. Este trecho da obra “A República”, de Platão, narra uma história de alguém supostamente morto, mas não indica que Platão negava a reencarnação e pregava a ressurreição e nem que utilizava o termo “reviver” no sentido de “ressuscitar”.

    “Texto fora de contexto” e toda a explicação do contexto que você dá está contida no texto. Deixa pra lá.

    O que importa, se foi incapaz de reparar, é que Platão era um crente na metempsicose e nem por isso usava αναβιοω no sentido de “reencarnar”. Você que separou esse parágrafo do anterior e deu a entender algo indevido.

    Faça o seguinte, se ainda quiser minha boa vontade, ache uma obra de Platão em que ele usa αναβιοω indubitavelmente no sentido de “reencarnar”. Os testemunhos da literatura pagã indicam, pelo menos, que isso não era usual. Aproveite e defina qual era o destino dos maus, segundo os fariseus. Afinal até agora você afirmou demais e provou de menos

  11. Peçanha
    21 de abril de 2016 às 20:52

    Editado pelo webmaster. Respondido acima

  12. 8 de janeiro de 2015 às 14:51

    Impressionante tentar explicar as tradições católicas apenas com a Bíblia.
    O problema é que o catolicismo também se apoia na Tradição Sagrada, composta pelo credo, pelos Concílios, dogmas, bulas e encíclicas; e sem pesquisar um pouco mais sobre esta religião, a explicação é incompleta.

    Isso aí acima é uma paródia do que escreveu e está certo se o assunto for o catolicismo romano. A pergunta é: isso estaria certo que falássemos do cristianismo do século I?

    O que você falou está certo para o judaísmo do século I?

    Não sei por que fala que centro na Bíblia justamente num artigo de uma fonte extra-bíblica: Flávio Josefo! Se lesse mais o portal veria diversas outras fontes da literatura judaica intertestamentária. A reencarnação está no judaísmo moderno (mas não em todo ele), mas é uma inovação medieval e os talmudes (existem dois, sabias?) são silentes sobre ela, ao que eu saiba.

    Talvez seja melhor eu redigir algo sobre isso na página de “Sobre”.

  13. Cássio Lemes
    3 de janeiro de 2015 às 23:54

    Impressionante tentar explicar as tradições judaicas apenas com a bíblia.
    O problema é que o judaísmo também se apoia na Tradição e sem ler o Zohar, o Talmude, e sem pesquisar um pouco mais sobre esta religião, a explicação é incompleta.
    A concepção sobre a reencarnação é um fato no judaísmo, tratado apenas como transmigração de almas, algo mais próximo da reencarnação budista.
    Mas isso só é possível saber com uma pesquisa mais apurada.

  14. marlucio brasil
    4 de janeiro de 2014 às 15:45

    Muito rico e uma bençao .

  15. 1 de abril de 2013 às 11:42

    Acho que comentou no local errado, Mendonça. Sua fala se adequa a este post aqui
    https://falhasespiritismo.wordpress.com/2011/10/19/e-quanto-aos-essenios/

    Alías, você plagiou o começo de seu comentário de lá. Vejam lá qual o “outro lugar”.

    Mas o que outras civilizações criam a respeito de metempsicose é irrelevante, pois os poços continham apenas corpos de animais e não uma mistura com os de humanos. Tente fundamentar-se nos registros que os essênios deixaram ou do que falaram acerca deles. Ficar fazendo livre associações é perda de tempo.

  16. MILTON MENDONCA
    1 de abril de 2013 às 6:45

    No Preceito da Guerra (1QM II,1), há uma alusão a sacrifícios rituais: “Os sacerdotes-chefes ministrarão durante o sacrifício diário diante de Deus…” foram encontrados 26 depósitos de ossos de diversos animais em Qumran. Seria estranho se eles acreditassem em metempsicose e matassem animais, coisa que os pitagóricos evitavam. Mesmo para a alimentação. Vamos obter mais informação, então. Na continuação da mesma frase de Josefo em Ant. XV, 10; ele diz: “dos quais discursarei mais plenamente em outro lugar.” E aqui está esse “outro lugar”:

    “Explicação sobre o texto supra: Hera costume de algumas civilizações antigas sacrificarem seus animais de estimações para serem enterrados juntos com seus donos, por ocasião de sua morte. não tem segredo, isto ocorre ainda em tempos atuais em algumas tribos do alto do xingú na Amazônia brasileira.

  17. 17 de janeiro de 2013 às 18:20

    Anthony Mattos :
    O Espiritismo não necessita de «suporte bíblico». Porque o Espiritismo não considera que Deus fale diretamente aos homens, seja através da Bíblia, seja através de qualquer outro meio. A reencarnação não existe por vir ou não na na Bíblia, mas porque existe. A Bíblia também diz que a Terra é fixa e o Sol gira em toeno dela, e a Ciência já provou que é o contrário. Assim será com a reencarnação. Obrigado por divulgar o Espiritismo.

    Reproduzindo a resposta colocada no artigo “Contendas do Deserto, cap. XIX, n. 23.

    Realmente, a avaliação da reencarnação como fato não pode ser afetada pelo que se pensou sobre ela no passado, mas o aspecto histórico dessa crença, esse sim, será prejudicadíssimo. É muito estranho ter visto pessoas que defenderam arduamente sua visão mítica do cristianismo primevo terminar sua apologia lançando algo desse quilate. Parece que, de uma hora para outra, passaram a desconsiderar todo o valor simbólico que haveria caso sua visão fantasiosa da história fosse verdade, lembrando um pouco a fábula A Raposa e as Uvas.

    É preciso lembrar que o espiritualismo nasceu em meio a uma cultura há séculos habituada com a ideia da “vida única”. Era mais que esperada uma reação acusando o espiritualismo (ou, mais especificamente, suas vertentes reencarnacionistas) de ser uma doutrina alienígena ao cristianismo. O contra-ataque se deu com estratégia de transformar acusador em réu, passando ele a ser a fraude histórica e o espiritualismo, a verdadeira reedição do cristianismo em seu estado mais puro. Kardec já reinterpretava versículos bíblicos adotando um viés pró reencarnação em O Evangelho segundo o Espiritismo. Leon Denis, nos primeiros capítulos de Cristianismo e Espiritismo, já tentava dar uma abordagem historicista ao tema, tendo considerado Orígenes quase que um precursor. A generalização para outros membros da patrística se deu ao longo do século XX, principalmente por ação de newagers anglófonos. Quando suas obras forma traduzidas para o dialeto de Pindorama, surgiu uma daquelas verdades que estão calcadas em mentiras repetidas ad nauseam: todo mundo cristão até o século VI era reencarnacionista!

    Tema que foi novamente tratado em Kardecismo x Espiritismo x Cristianismo: O Poder das Definições (para o Bem e para o Mal). Concordo que a existência da reencarnação independe da Bíblia, mas a busca de espiritualistas por validação nela ante a ortodoxia cristã é que soa extremamente apelativo. E as distorções utilizadas terminam por maculá-los

  18. Anthony Mattos
    17 de janeiro de 2013 às 17:11

    O Espiritismo não necessita de «suporte bíblico». Porque o Espiritismo não considera que Deus fale diretamente aos homens, seja através da Bíblia, seja através de qualquer outro meio. A reencarnação não existe por vir ou não na na Bíblia, mas porque existe. A Bíblia também diz que a Terra é fixa e o Sol gira em toeno dela, e a Ciência já provou que é o contrário. Assim será com a reencarnação. Obrigado por divulgar o Espiritismo.

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