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Alô, Alô Marciano!

Marvin Marciano

Índice

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Os Marcianos Trogloditas da Codificação

O planeta Marte é, sem dúvida, uma fonte de controvérsias entre diversas comunicações mediúnicas. Sua primeira aparição na literatura espírita ocorre na Revista Espírita de março de 1858, Júpiter e alguns outros mundos:

(…)Passemos, agora, para uma outra esfera, onde se encontrem Espíritos de todas as classes da terceira ordem: Espíritos impuros, Espíritos levianos, Espíritos pseudossábios, Espíritos neutros. Sabemos que, em todas as classes dessa ordem, o mal domina; mas, sem terem o pensamento do bem, o do mal decresce à medida que se afastam da última classe, O egoísmo é sempre o móvel principal das ações, mas os costumes são mais brandos, a inteligência mais desenvolvida; o mal, aí, estará um pouco disfarçado, enfeitado e dissimulado. Essas próprias qualidades, engendram um outro defeito, que é o orgulho; porque as classes mais elevadas são bastante esclarecidas para terem consciência da sua superioridade, mas não o bastante para compreenderem o que lhes falta; daí a sua tendência à escravização das classes inferiores, e de raças mais fracas, que tenham sob o seu jugo. Não tendo o sentimento do bem, não têm senão o instinto do eu e acionam a sua inteligência para satisfazerem as suas paixões. Numa tal sociedade, se o elemento impuro domina, esmagará o outro; no caso contrário, os menos maus procurarão destruir os seus adversários; em todos os casos, haverá luta, luta sangrenta, luta de extermínio, porque são dois elementos que têm interesses opostos. Para proteger os bens e as pessoas, serão necessárias leis; mas essas leis serão ditadas pelo interesse pessoal e não pela justiça; o forte as fará, em detrimento do fraco. (…)

(…)O que dá aqui, um certo peso ao dizer dos Espíritos, é a correlação que existe entre eles, pelo menos nos pontos principais. Para nós, que fomos cem vezes testemunhas dessas comunicações, que pudemos apreciá-las em seus menores detalhes, que nelas escrutamos o forte e o fraco, observamos as semelhanças e as contradições, encontramos todos os caracteres da probabilidade; todavia, não lhes damos senão sob benefício de inventário, a título de notícias, aos quais cada um está livre para ligar a importância que julga adequada. Segundo os Espíritos, o planeta Marte seria ainda menos avançado do que a Terra; os Espíritos que nele estão encarnados pareceriam pertencer, quase exclusivamente, à nona classe, a dos Espíritos impuros, de sorte que o primeiro quadro, que demos acima, seria a imagem desse mundo.(…)

Falando especificamente dos marcianos, um artigo da Revista Espírita de outubro de 1860:

Marte é um planeta inferior à Terra da qual é um esboço grosseiro; não é necessário habitá-lo. Marte é a primeira encarnação dos demônios mais grosseiros; os seres que o habitam são rudimentares; têm a forma humana, mas sem nenhuma beleza; têm todos os instintos do homem sem o enobrecimento da bondade.

Entregues às necessidades materiais, eles bebem, comem, lutam, se unem carnalmente. Mas como Deus não abandona nenhuma de suas criaturas, no fundo das trevas de sua inteligência jaz, latente, o vago conhecimento de si mesmo, mais ou menos desenvolvido. Esse instinto basta para torná-los superiores uns aos outros, e preparar a sua eclosão para uma vida mais completa. A sua é curta, como a dos efêmeros. Os homens, que não são senão matéria, desaparecem depois de uma curta duração. Deus tem horror ao mal, e não o tolera senão como servindo de princípio ao bem; abrevia o seu reino e a ressurreição triunfa dele.

(…)

Eles não são canibais; suas contínuas batalhas não têm por objetivo senão a posse de um terreno mais ou menos abundante em caça. Caçam em planícies intermináveis. Inquietos e móveis como os seres desprovidos de inteligência, se deslocam sem cessar. A igualdade de sua estação, por toda a parte a mesma, comporta por conseqüência as mesmas necessidades e as mesmas ocupações; há pouca diferença entre os habitantes de um hemisfério a outro.

(…)

No Livro dos Espíritos (LE, 1862, 2ª ed.) parte II, cap. IV, q. 188, é repetida a classificação de Marte.

Segundo os espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda baixo, sendo-lhe Júpiter superior de muito, a todos os respeitos (…)

O curioso é que os espíritos de terceira ordem não são, pelo LE, seres irracionais. Segundo o LE, parte II, cap. I, 101:

A inteligência pode achar-se neles aliada à maldade ou à malícia; seja, porém, qual for o grau que tenham alcançado de desenvolvimento intelectual, suas idéias são pouco elevadas e mais ou menos abjetos seus sentimentos.

Ainda que brutais, portanto, os marcianos teriam algum grau de inteligência, no mínimo; sendo, com certeza, formas de vida complexas. Hoje se sabe que o ambiente de Marte é desolado, hostil, com rala atmosfera e alta incidência de radiação solar. Talvez o planeta tenha tido um passado mais hospitaleiro, tendo inclusive considerável quantidade de água na superfície. Se alguma forma de vida surgiu e sobreviveu, deve estar no subsolo e calotas polares (onde ainda há água congelada). Não se espera mais do que micróbios.

Flammarion e o Marte Avançado

Curiosamente, um dos companheiros e auxiliares de Kardec, Camille Flammarion, publicou em 1888 o livro Uranie (Urânia, na versão em português da FEB), que traz, logo no começo, uma chamativa discrepância com a Codificação:

-A vida universal! disse eu. Os planetas do nosso sistema solar serão todos habitados? … São habitados os milhares de mundos que povoam o infinito?… Essas Humanidades assemelham-se à nossa? … Conhecê-las-emos algum dia?…

– A época em que vives na Terra, a própria duração da Humanidade terrestre não é mais do que um momento na eternidade.

Não compreendi essa resposta às minhas perguntas.

– Nenhuma razão há, acrescentou Urânia [musa da Astronomia, se comunicando por meio de sonhos com um jovem] para que todos os mundos sejam habitados agora. A época presente não tem mais importância do que as precedente ou as que se hão-de seguir.

“A duração da existência da Terra será muito mais longa – talvez dez vezes mais longa – do que a do seu período vital humano. Em uma dezena de mundos, tomados ao acaso na imensidade, poderíamos, por exemplo, conforme os casos, achar apenas um atualmente habitado por uma raça inteligente. Uns o foram outrora; outros sê-lo-ão no futuro; estes se acham em via de preparação, aqueles têm percorrido todas as suas fases; aqui berços, além, túmulos; e depois, uma variedade infinita se revela nas manifestações das forças da Natureza, não sendo a vida terrestre de modo algum o tipo de vida extraterrestre. Seres podem viver, em organizações inteiramente diversas das conhecidas no vosso planeta. Os habitantes dos outros não têm a vossa forma, nem os vossos sentidos. São outros.

Parte I, cap IV, pp. 32-3

Flammarion entre em choque com a Codificação aqui: nem todos os mundos seriam habitados. Não ao mesmo tempo. Outra surpresa surge logo adiante:

[Fala de Urânia]
“Dia virá, e mui proximamente, pois que estás chamado a vê-lo, em que o estudo das condições da vida nas diversas províncias do Universo será o objeto essencial – e o grande encanto – da Astronomia. Bem depressa, em vez de se ocuparem simplesmente com a distância, com o movimento e com a massa material dos vossos planetas vizinhos, os astrônomos descobrir-lhe-ão a constituição física, os aspectos geográficos, a climatologia, a meteorologia; penetrarão o mistério da sua organização vital e discutirão a respeito dos respectivos habitantes. Afirmarão que Marte e Vênus se acham atualmente povoados de seres pensantes; que Júpiter está ainda no seu período primário de preparação orgânica; que Saturno plana em condições inteiramente diferentes das que presidiram ao estabelecimento da vida terrena e, sem jamais passar por estado análogo ao da Terra, será habitado por seres incompatíveis com os organismos terrestres. Novos métodos farão conhecer a constituição física e química dos astros, a natureza das atmosferas. Instrumentos aperfeiçoados permitirão mesmo descobrir os testemunhos diretos da existência dessas Humanidades planetárias e pensar em estabelecer comunicação com elas. Eis a transformação científica que há de assinalar o fim do décimo-nono século e que há de inaugurar o vigésimo.”

Parte I, cap IV, p. 33

Aqui, Júpiter está em posição invertida na hierarquia de mundos do sistema solar, ainda engatinhando na constituição da vida. Marte e Vênus até parecem conferir com o relatado na Revista Espírita (RE), a questão é seres pensantes de que jeito? Civilizações avançadas ou brutucus? Aí que Marte ganhou um nova face:

Os habitantes de Marte são muito superiores aos da Terra, pela sua organização, pelo número e pela delicadeza de seus sentidos, e pelas faculdades intelectuais. O fato de ser a densidade muito fraca na superfície daquele mundo, e as substâncias constitutivas dos corpos menos pesadas lá do que aqui, permitiu a formação de seres incomparavelmente menos pesados, mais aéreos, mais sutis, mais sensíveis. O fato de ser nutritiva a atmosfera, libertou os organismos marcianos das grosserias das necessidades terrestres. É totalmente outro estado. A luz ali é menos viva, estando o planeta mais afastado do Sol do que a Terra; o nervo óptico é mais sensível. Sendo ali intensíssimas as influências elétricas e magnéticas, os habitantes possuem sentidos ignorados das organizações terrestres, sentidos que os põem em comunicação com essas influências. Tudo se contém na Natureza. Os seres, em toda parte, são apropriados aos meios em que habitam e em cujo seio nasceram. Os organismos podem mais ser terrestres em Marte, de igual modo que não podem ser aéreos no fundo do mar.

De mais, o estado de superioridade consequente dessa ordem de coisas evoluiu por si mesmo, pela facilidade da realização de todo o trabalho intelectual. A Natureza parece obedecer ao pensamento. O arquiteto que quer levantar um edifício; o engenheiro que deseja modificar a superfície do solo, quer se trate de levantar ou de cavar, de cortar montanhas ou de aterrar vales, não se esbarram, qual acontece na Terra, com o peso dos materiais e nas dificuldades da execução. Assim, têm a Arte feito, desde a origem, os mais rápidos progressos.

Além disso ainda, sendo a Humanidade marciana várias dezenas de milhares de séculos anterior à terrestre, tem percorrido anteriormente a esta todas as fases do seu desenvolvimento. Os mais transcendentes progressos científicos atuais da Terra não passam de pueris brinquedos de criança, comparados à Ciência dos habitantes daquele planeta.

Parte III, cap III, pp. 145-6

De toscos homens do paleolítico, Marte passou a ter seres sutis e bem mais adiantados que nós. Ignoro como Flammarion lidou com as disparidades entre esse relato -dado por um marciano desdobrado durante o sono do corpo – e o da Codificação. Nesse mesmo capítulo de Urânia, surgem informações que sugerem estarmos diante de “comunicações” que, na verdade, apenas refletiam crenças e expectativas fora fora do meio espírita:

A maior parte das nossas plagas são praias, planícies iguais. Poucas montanhas possuímos, e os mares não são fundos. Os habitantes aproveitam esses transbordamentos para irrigação das vastas campinas. Têm retificado, alargado, canalizado os cursos de água e construído nos continentes uma rede inteira de imensos canais. Esses continentes mesmos não são, qual os do globo terrestre, eriçados de elevações alpestres ou himalaicas, mas planícies imensas, atravessadas em todos os sentidos pelos rios canalizados e pelos canais que põem em comunicação todos os mares uns com os outros.

Outrora havia, relativamente ao volume do planeta, quase tanta água em Marte quanto na Terra. Insensivelmente, de século em século, uma parte da água das chuvas atravessou as profundas camadas do solo e não tornou à superfície. Combinou-se quimicamente com as rochas e foi excluída do curso da circulação atmosférica. De século em século, também, as chuvas, as neves, os ventos, os gelos do inverno, as secas do verão, têm desagregado as montanhas e os cursos de água, trazendo esses destroços para a bacia do mar, cujo leito têm gradualmente levantado. Não mais possuímos grandes oceanos, nem mares profundos, mas unicamente mediterrâneos. Muitos estreitos, golfos, mares análogos à Mancha, ao mar Vermelho, ao Adriático, ao Báltico, ao Cáspio. Praias lindíssimas, enseadas mansas, lagos e espaçosos rios, frotas antes aéreas do que aquáticas, céu quase sempre puro, principalmente pela manhã. A Terra não tem manhãs tão luminosas quanto as nossas.

Parte III, cap III, pp. 152-3

Marte, de fato, pode ter tido um passado marinho e parte de sua água pode se encontrar no subsolo e calotas polares, mas a maior parte deve ter evaporado e se perdido com grande quantidade da atmosfera, que o planeta não reteve por causa de baixa gravidade. Marte não é plano e nele se encontra o maior vulcão conhecido do sistema solar: o monte Olympus, com 24 km de altitude; além disso Marte não possui campo magnético dipolar como a Terra ou Mercúrio, apesar de já ter possuído. Os “marcianos” estão menos sujeitos a influências magnéticas que os terráqueos. Apesar disso, o que na verdade chama atenção é que um contemporâneo de Flammarion, o italiano Giovanni Schiaparelli, relatara um pouco antes a observação de grandes canais cruzando a superfície de Marte. Por volta de meados da década de 1880, a ideia dos canais já havia se disseminado por diversos observadores profissionais e amadores. Flammarion aceitou a ideia de Schiaparelli de as regiões escuras eram mares rasos e as claras, continentes; mas, ao contrário dele, creditava a existência de canais a construções feitas por uma civilização marciana, no intuito de levar água a todo o planeta. No livro Le Planète Mars (1892), sustentou seu ponto de vista no fato de os canais serem muito longos e retos.

Canais Marcianos

Desenhos dos supostos canais marcianos (E) e foto de Marte feita pelo telescópio espacial Huble (D). Canais até foram encontrados, ou melhor, vales fluviais – indícios de um passado aquoso.

A hipótese de uma “civilização marciana” encontrou eco do outro lado do Atlântico. O rico americano Percival Lowell foi o maior representante da “martemania” nos EUA. Fez desenhos extremamente detalhados de um grande complexo de canais de irrigação, que levavam água do derretimento das calotas polares para as regiões equatoriais. Os marcianos seriam uma avançada e sedenta civilização lutando contra uma catástrofe ecológica.

Ironicamente, fortes críticas às teses de Lowell (e, por tabela, Flammarion) vieram de alguém inesperado: o biólogo, codescobridor da seleção natural (junto a Darwin) e espiritualista Russel Wallace. Ele demonstrou que o ar em Marte era muito mais fino e rarefeito para permitir a existência de água líquida. Assim declarou: “Somente uma raça de loucos construiria canais em tais condições” [cf. Cosmos].

Ao contrário de Flammarion e demais espíritas, Wallace advogava uma visão antropocêntrica e geocêntrica do papel da humanidade no universo. Em seu Man’s Place in the Universe, sustenta seus argumentos com a ciência da época:

Agora, se nós considerarmos estas cinco condições distintas [previamente citadas] ou conjuntos de condições, muitas delas dependentes de um delicado equilíbrio de forças atuando na origem de nosso planeta, parecem ser absolutamente necessárias para a existência de formas orgânicas de vida elevadas, veremos de uma vez como são peculiares nosso lugar e condição dentro do sistema solar, desde que saibamos que elas não podem todas coexistir em nenhum outro planeta. E quando considerarmos mais além disto, mesmo se eles de fato existirem agora, não seria nada ao propósito [de abrigar vida] a menos que tivéssemos razão para acreditar que elas tivessem também existido, como [foi] conosco, numa inquebrada continuidade por muitos e talvez milhões de anos. Toda a evidência em nosso controle assegura-nos que apenas nossa Terra no sistema solar esteve desde de sua origem adaptada para ser o teatro para o desenvolvimento de vida organizada e inteligente. Nossa posição dentro do sistema é, desta forma, central e única, assim com a de nosso sol em todo o universo estelar

E Wallace deixa claro no mesmo artigo que o status privilegiado da humanidade seria uma forma de combater o materialismo. Wallace e Flammarion se equiparam num ponto: ambos usaram o que se sabia então para justificar crenças pessoais.

Flammarion e Wallace

Flammarion (E) e Wallace (D). Dois espíritas, duas visões opostas quanto ao papel da humanidade no Universo.

A melhoria dos instrumentos de observação derrubou a crença nos canais marcianos. Observações feitas já em 1909 indicavam a ausência de canais. Hoje, sabe-se que Schiaparelli, Lowell e outros viram uma ilusão de óptica provocada pela baixa resolução suas aparelhagens.

Século XX – Da Queda Marte aos Marcianos Superdimensionais Quânticos

Embora haja sofrido um baque com o fim do frenesi dos canais, a expectativa de um planeta Marte com vida não só complexa como também inteligente continuou a permear o imaginário popular, impulsionada por clássicos como “A Guerra dos Mundos”, de H.G. Wells, ou criações mais populares e prosaicas, como o personagem de desenho animado “Marvin, o Marciano” – que ilustra o topo deste artigo. As comunicações mediúnicas, de certa forma, acompanharam a tendência em prol de um Marte desenvolvido. Chico Xavier no livro Novas Mensagens do Espírito de Humberto de Campos( FEB, 1940, pp. 57-68) recebeu a revelação de que em Marte é povoado por seres em “adiantadíssima evolução”. Hercílio Maes psicografou de Ramatis o livro A Vida no Planeta Marte onde diz serem os marciano avançados tecnologicamente mil anos em relação à Terra e 500 no aspecto moral. Total contradição com os fatos e com o Marte selvagem. Em Emmanuel – Dissertações Mediúnicas, Introdução, psicografado por Chico Xavier, mais uma vez Marte fica desenvolvido:

A Terra é, pois, componente da sociedade dos mundos. Assim como Marte ou Saturno já atingiram um estado mais avançado em conhecimentos, melhorando as condições de suas coletividades, o vosso orbe tem, igualmente, o dever de melhorar-se, avançando, pelo aperfeiçoamento das suas leis, para um estágio superior no quadro universal.

Cena do filme A Guerra dos Mundos (1953), baseado no romance de H.G. Wells. Quando Marte preenchia a imaginação (e o temor) dos terráqueos.

Um banho de água fria ocorreu quando as primeiras missões não-tripuladas a Marte foram bem sucedidas, notadamente Mariner 4 (1965), a Viking 1 (1976) e a Mars Pathfinder (1997). A sonda Mariner 4 fotografou o planeta de perto e revelou uma superfície árida e esburacada como a de nossa Lua, além de ter uma atmosfera de gás carbônico extremamente rarefeita. A missão Viking 1 foi a primeira a aterrissar um laboratório-robô na superfície e os dados de seus experimentos apontaram um planeta biologicamente morto. Essa análise, todavia, é até hoje considerada inconclusiva e talvez a questão só seja resolvida com a obtenção de uma amostra para estudo na Terra. A Mars Pathfinder foi munida de um robô-explorador, que enviou por mais de um mês imagens da desolada superfície do planeta. Houve diversas outras expedições a Marte, mas nenhuma delas objetivava a busca por civilizações avançadas ou seres sub-humanos. No máximo queriam micróbios. Nenhum sinal dos dois primeiros sequer apareceu. Com exceção das comédias, Marte praticamente sumiu das produções de ficção-científica mais “sérias”, que passaram a buscar alienígenas inteligentes em outros sistemas solares (Star Trek, Avatar) ou numa “galáxia muito, muito distante”. Tal qual os cientistas.

Quanto ao espiritualismo, já existia o problema das comunicações pró “Marte atrasado, porém com seres complexos” em conflito com os relatos do “planeta evoluído”. Agora os fatos contradizem as duas teses. Em vez de aceitar um erro e admitir as limitações do “Consenso Universal dos Espíritos”, as saídas adotadas pelo movimento espírita têm sido um tanto problemáticas. Há quem diga que os robôs pousaram em regiões desérticas (onde deveriam ter pousado, então?) ou que os marcianos, por serem espíritos mais evoluídos, têm um envoltório mais sutil e invisível para nossos olhos e instrumentos. Há ainda apelações para conceitos de ponta da Física moderna, como as dimensões extras do universo previstas na Teoria das Supercordas(2). Todas essas explicações, contudo, destoam de uma passagem de Urânia, que demonstra o que realmente se pensava nas comunicações do século XIX:

A forma das criaturas é, em cada mundo, o resultado dos elementos especiais de cada globo, substância, calor, luz, eletricidade, densidade, peso. As formas, os órgãos, o número dos sentidos – vós outros tendes apenas cinco, e esses mesmos bastante pobres – dependem das condições vitais de cada esfera. A vida terrestre é da Terra; marciana em Marte; saturniana em Saturno; netuniana em Netuno – isto é, apropriada a cada mansão, ou, para melhor dizer, mais rigorosamente ainda, produzida e desenvolvida por esse mundo em particular, conforme o seu estado orgânico, e seguindo uma lei primordial a que obedece a Natureza inteira: a lei do Progresso.

Parte I, cap. II, p. 20

Se é assim, por que seres tão etéreos precisariam de um planeta materialmente grosseiro para viver? Um “astro espiritual”, como uma grande colônia de desencarnados não seria o ideal? Todas as explicações dadas até agora não passam de remendos que ignoram o que os antigos espiritualistas queriam dizer a respeito dos supostos alienígenas e o que Ciência moderna diz a sobre seus próprios conceitos. É duro dizer isso, mas essa é uma atitude tão esquiva e ilusória quanto a dos criacionistas adeptos da “Terra Jovem” na hora de justificar uma idade de 6.000 anos para nosso planeta. E ainda permanece a contradição entre o Marte avançado de Flammarion, Chico Xavier e Ramatis contra o atrasado das comunicações recebidas por Kardec. Sendo que no último caso os marcianos deveriam estar encarnados em corpos tão ou mais “grosseiros” que os nossos, logo a saída de que possuem “um corpo sutil” e “invisível” não se aplica. Note que são duas situações mutuamente excludentes: uma delas tem que estar errada ou as duas! De fato, quem realmente interpreta a questão dos habitantes do Planeta Vermelho é o lado religioso do Espiritismo, mas de uma religiosidade que nada tem de racional e se aproxima daquela que tanto desdenha: a cega. E se os marcianos derem o ar da graça? Bem, aí eu peço desculpas genuflecto. Mas até lá…

Paisagem Marciana

A realidade árida de Marte. Será que há alguém brincando de pique-esconde? Ou será tão difícil assim admitir que nos pregaram uma peça?

* * *

Para dar um jeito nesta crise que rola na Terra, com vocês, Rita Lee:

Alô! Alô Marciano!
Composição: Rita Lee e Roberto de Carvalho

Alô, alô marciano
Aqui quem fala é da Terra
Pra variar, estamos em guerra
Você não imagina a loucura
O ser humano tá na maior fissura porque
Tá cada vez mais down no high society !

Alô, alô marciano
A crise tá virando zona
Cada um por si, todo mundo na lona
E lá se foi a mordomia
Tem muito rei aí pedindo alforria porque
Tá cada vez mais down no high society !

Alô, alô marciano
A coisa tá ficando ruça
Muita patrulha, muita bagunça
O muro começou a pichar
Tem sempre um aiatolá prá atolá , Alá !
Tá cada vez mais down no high society

Notas

(1)Que o digam os alienígenas pirados de Marte Ataca! (1996).

(2)Vide Revista Universo Espírita – Nº 50 / Ano 5, 2008. A Teoria das Supercordas é (mais) uma tentativa de unir todas as força físicas da natureza (gravitacional, nucleares e eletromagnética) em um único arcabouço teórico. Em seu modelo, ela estipula que o universo teria originalmente dez dimensões (uma temporal e nove espaciais) e, por ocasião do Big Bang, seis delas teriam ficado “enroscadas” (aspas, por favor) de forma diminuta no tecido do espaço-tempo originado pelas quatro restantes. Será que os marcianos vivem num aperto?

Para Saber Mais

Antonio Luiz M. C. da Costa, Marte do passado, da lenda à realidade, acessado em 15/05/2012.

Carl Sagan, Cosmos, Parte V, Blues for a Red Planet

Camille Flammarion – Urânia, FEB, 10a. ed., 2007

Projeto Ockham – Canais de Marte , acessado em 10/05/2012.

Russel Wallace – Man’s Place in the Universe , acessado em 15/05/2012

  1. 10 de março de 2016 às 1:28

    Fala Fausto!

    Manda um abração pro pessoal do GAE e avise a todos que eles moram no meu coração. Principalmente o Thiago!

    Quanto a esse artigo:

    1. Seres etéreos, invisíveis com os quais nossas sondas não conseguem interagir. Ou seja, tanto faz se existirem ou não. Mais um Dragão invísivel, intangível, flutuante e de fogo frio na garagem;
    2. Desta forma, não podemos afirmar que o Espiritismo falhou quando a sonda Curiosity pousou em Marte e não encontrou populações inferiores à Terra. O que provavelmente está errada é a veracidade de determinadas comunicações mediúnicas, não a Doutrina Espírita, que atestam a inferioridade marciana como a do espírito Geores na Revista Espírita de outubro de 1860, mas isto não é motivo de espanto já que o próprio Kardec encontrou contradições entre centenas de comunicações

      O que está errada é a viabilidade de um Consenso Universal dos Espíritos. Se Kardec falou da inferioridade de Marte no Livro dos Espíritos, então a maioria das mensagens que lhe chegaram atestavam isso (supõe-se). A grande dúvida é quais mensagens ele teria descartado na mesa de edição? Não sei se o é possível saber. E se tudo que as mensagens trouxerem for hipótese, então tal Consenso não é capaz de gerar conhecimento por si mesmo, pois a consolidação dessas hipóteses está fora dele;

    3. “As condições de existência dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver” (12) em outras palavras, sabendo como é a natureza de um corpo isto nos ajudaria a pensar como seria o meio onde habita e vice e versa (13). Assim, um corpo mais desmaterializado reclamaria uma realidade circundante de igual natureza, entretanto, isto não revela a necessidade do Planeta Marte ou outro, seja inteiro de matéria etérea e invisível, da mesma forma que os peixes não precisam que o Planeta Terra seja completamente água para existirem

    4. Falsa analogia. Oceanos e continentes interagem continuamente em nossa biosfera, afinal seguem as mesmas leis físico-químicas. Está me dizendo que o ciclo da vida encarnada de Marte é estanque do restante do planeta?

      Não sabermos as causas profundas que determinam uma civilização sutil utilizar um planeta material, da mesma forma não sabemos o porquê dos espíritos errantes se utilizarem de planetas bem materiais para habitação temporária, o fato é que não sabemos muito menos os críticos do Espiritismo, todas as Leis da Natureza que regem as interações entre os diversos níveis do real.

      E provavelmente nunca saberão por conta própria. Afinal, depois que o Pentateuco se cristalizou, o Espiritismo se tornou um programa de pesquisas degenerante. Será uma tarefa para os próximos “trabalhadores da última hora”. Ademais, se é uma civilização sutil e encarnada, ela deve ter evoluído de seres mais primitivos. Qual a razão para a existência de animais encarnados sutis?

    5. Podemos afirmar sem medo de errar que o pano de fundo da maioria das críticas ao Espiritismo não é a busca pela verdade e sim a defesa feroz de uma visão de mundo onde as idéias espíritas não são bem vindas. Por isto, os que combatem o Espiritismo, por exemplo, usam da meia verdade, alardeiam contradições inexistentes, concluem erradamente, fazem generalizações falsas, trocam palavras dos textos originais por outras, caluniam, arrotam que sabem muito de Espiritismo,

      Deve ser outro portal. Eu busco a verdade e saber onde está a mentira é parte da fundação dessa tarefa.

      mas não sabem, usam da ironia, do sarcasmo e de insinuações maliciosas.

      Ironia, sim; sarcasmo, não; malícia, jamais!

      Neste contexto, a questão da vida em Marte pareceu ser aos críticos do Espiritismo uma ótima oportunidade para atacar a Doutrina, gritando aos quatro ventos aquilo que seria uma profunda contradição: as fotos de Marte e as descrições mediúnicas e a consequente “prova” do fracasso da Doutrina Espírita. Entretanto, revelamos ao leitor que o verdadeiro fracasso não está na Doutrina Espírita, mas sim nesses argumentos de ataque que se alimentam de analises superficiais.

      São o fracasso da tese do Marte atrasado.

    6. A verdade é que, às imagens de Marte trazidas pelas sondas, robôs ou telescópios não tem o poder para desacreditar ou contradizer a Doutrina Espírita já que estas máquinas foram criadas apenas para ver elementos com a mesma materialidade do Planeta Terra e não a imensa diversidade de vida que pulsa em outros níveis de existência.

      De volta ao “Dragão na Garagem”. Sempre que ameaçada pela ciência, a fé retrocede para um lugar mais seguro. Fé cega essa.

      Lembrando o Livro dos Espíritos na questão 55: São habitados todos os globos que se movem no Espaço? E a resposta foi Sim

      Relembrando Urânia:

      – A vida universal! disse eu. Os planetas do nosso sistema solar serão todos habitados? … São habitados os milhares de mundos que povoam o infinito?… Essas Humanidades assemelham-se à nossa? … Conhecê-las-emos algum dia?…

      – A época em que vives na Terra, a própria duração da Humanidade terrestre não é mais do que um momento na eternidade.

      Não compreendi essa resposta às minhas perguntas.

      – Nenhuma razão há, acrescentou Urânia [musa da Astronomia, se comunicando por meio de sonhos com um jovem] para que todos os mundos sejam habitados agora. A época presente não tem mais importância do que as precedente ou as que se hão-de seguir.

      “A duração da existência da Terra será muito mais longa – talvez dez vezes mais longa – do que a do seu período vital humano. Em uma dezena de mundos, tomados ao acaso na imensidade, poderíamos, por exemplo, conforme os casos, achar apenas um atualmente habitado por uma raça inteligente. Uns o foram outrora; outros sê-lo-ão no futuro; estes se acham em via de preparação, aqueles têm percorrido todas as suas fases; aqui berços, além, túmulos; e depois, uma variedade infinita se revela nas manifestações das forças da Natureza, não sendo a vida terrestre de modo algum o tipo de vida extraterrestre. Seres podem viver, em organizações inteiramente diversas das conhecidas no vosso planeta. Os habitantes dos outros não têm a vossa forma, nem os vossos sentidos. São outros.

      Parte I, cap IV, pp. 32-3

      A melhora resposta seria “uns sim, outros não”. Afinal, esse Consenso não tão “universal” assim.

    Devo confessar que a ideia de uma “matéria invisível, etérea” para os marcianos encarnado até está de acordo com certas noções espíritas. Por isso, o autor do texto “pregou para o coral” ao usar argumentos válidos apenas dentro de um centro espírita. O risco é de ter utilizado uma premissa falsa que leve a uma conclusão errada, ainda que o raciocínio esteja impecável. Curiosamente a conclusão (“há vida inteligente em Marte”) pode estar certa ainda que sua premissa esteja errada (“ela é etérea”), por exemplo, formas de vida baseadas em silício em vez de carbono (logo, mais densas que nós) habitariam algum canto obscuro do planeta e lá teriam evoluído até a senciência. Só não aposto muito nisso.

    Enfim, respondeu, mas não refutou. Continuamos no aguardo por um “alô” dos marcianos e vou pegar uma cadeira para me sentar.

  2. 9 de março de 2016 às 13:42

    O ESPIRITISMO E A VIDA EM
    EM MARTE
    (Um texto resumido deste foi publicado na Revista Internacional de Espiritismo de março de 2016)

    Após recebermos as imagens de Marte (1) e verificarmos a aparente ausência de vida inteligente, provavelmente virão à mente dos espíritas ou de seus opositores as descrições mediúnicas feitas de populações pouco evoluídas (2) neste planeta ou mais avançadas (3). Esta contradição, entre deserto e civilização, pode levar alguém a pensar em um duplo fracasso da Doutrina Espírita: nem inferior nem superior. Mas será que isto é verdade?
    Para elucidarmos o assunto, devemos saber que o Espiritismo (Obras Básicas) revela que há diferentes níveis de materialidade, onde a natureza e uma civilização encarnada possam existir invisíveis aos nossos olhos, sem estarmos falando neste momento das dimensões espirituais do após morte. Para darmos sustentação à tese apresentada verificamos que o próprio corpo físico se torna menos material conforme o mundo seja intelectual e principalmente moralmente mais avançado. Vejamos o que encontramos no Livro dos Espíritos na questão 181: “Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos? Sem dúvida que têm corpos, porque é necessário que o Espírito se revista de matéria para agir sobre ela; mas esse envoltório é mais ou menos material (4) segundo o grau de pureza a que chegaram os Espíritos…”. Na questão 985: “… à medida que os Espíritos se purificam vão-se encarnando (5) em mundos mais e mais perfeitos, até que se tenham despojado de toda a matéria…” e no livro O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo Há Muitas Moradas na Casa do Meu Pai, comentando sobre os mundos de regeneração: “Neles, todavia, não está ainda a felicidade perfeita, mas a aurora da felicidade. O homem aí é ainda carne e, por isso mesmo, sujeito às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados…”. Notamos o significativo “ainda”, sugerindo claramente que a vida corpórea, em planetas mais evoluídos não seria de carne, tendo assim, outra materialidade sutil e etérea. Verificamos que há uma escala progressiva do material para o menos material até chegarmos a um ponto onde até o corpo físico não seja necessário, apenas o perispírito e mesmo este se tornaria tão etéreo que é como se não existisse, é o que lemos na questão 186 do Livro dos Espíritos: “Há mundos onde o Espírito, deixando de viver num corpo material, só tem por envoltório o perispírito? Sim, e esse envoltório torna-se de tal maneira etéreo, que para vós é como se não existisse. Eis então o estado dos Espíritos puros”. Percebemos um amplo apoio doutrinário a ideia de populações encarnadas mais sutis do que a nossa e por isto longe está este apoio, de ser um argumento para tentar “salvar do descrédito” as descrições mediúnicas de civilizações etéreas em Marte.
    Contribuindo também para a ideia de mundos com habitantes encarnados em corpos mais sutis, temos a literatura mediúnica de Chico Xavier, onde através dos livros Cartas de uma Morta e Novas Mensagens ficamos sabendo que os habitantes de Marte podem voar (6) se comunicar pelo pensamento (7) e se alimentar pelas forças atmosféricas (8). Ora, é fácil entendermos que somente um corpo sutil e etéreo e possivelmente invisível para nós, poderia produzir estes fenômenos. E para quem acha estas descrições fantasiosas (9), lembramos o que está escrito na questão 223 do Livro dos Espíritos, tratando de mundos superiores: “A matéria corpórea sendo menos grosseira, o espírito encarnado goza de quase todas as faculdades do Espírito”, nada de estranho, portanto, volitar e entender-se pelo pensamento. Quanto a alimentação pelas forças atmosféricas é bom lembrarmos também a compatibilidade com o pensamento de Kardec nos comentários da questão 182 do Livro dos Espíritos, sobre mundos mais adiantados: “…suas necessidades físicas são menos grosseiras, os seres vivos não têm mais necessidade de se destruírem para se alimentar”. Além disso, os livros Cartas de uma Morta (10) e Novas Mensagens (11) revelam o nível moral dos habitantes de Marte sendo superior a de um planeta de regeneração, logo, outra vez, a indicação que seus corpos não seriam mais de carne e sim de uma materialidade mais sutil do que a nossa. Desta maneira, cai por terra também a acusação que os espíritos Maria João de Deus e Humberto de Campos, não tenham dito que os marcianos seriam invisíveis, e que isto causou um excesso de expectativa dos marcianos aparecerem com a sonda Curiosity. Porém, o espírita estudioso que leu as obras de Chico Xavier com atenção, concluirá facilmente tratar-se de populações em corpos sutis, etéreos e possivelmente invisíveis.
    Se admitirmos possível a existência de seres encarnados em corpos mais desmaterializados, por conseguinte, suporíamos que a realidade ou parte dela, que estivesse envolvendo esta civilização, também teria um nível de materialidade correspondente, seguindo a lógica da Natureza e do Livro dos Espíritos: “As condições de existência dos seres nos diferentes mundos devem ser apropriadas ao meio em que têm de viver” (12) em outras palavras, sabendo como é a natureza de um corpo isto nos ajudaria a pensar como seria o meio onde habita e vice e versa (13). Assim, um corpo mais desmaterializado reclamaria uma realidade circundante de igual natureza, entretanto, isto não revela a necessidade do Planeta Marte ou outro, seja inteiro de matéria etérea e invisível, da mesma forma que os peixes não precisam que o Planeta Terra seja completamente água para existirem (14). É desta maneira, por exemplo, que no livro Cartas de uma Morta temos a descrição de um mar fluídico em Saturno sem que o planeta todo seja desta natureza: “Locomovemo-nos em determinada direção e qual não foi o meu espanto ao deparar com grande massa de substância fluídica, um pouco semelhante à água levemente rosada, elucidando o meu prezado mentor tratar-se dos mares (15) saturninos”. Este pequeno trecho ensina também duas coisas importantes ao leitor. Primeiro: O mar é fluídico, portanto invisível e etéreo, desta forma, as sondas terráqueas que porventura lá se aproximarem muito provavelmente não o registrarão. Segundo: Se existe um mar fluídico é porque podem existir outros elementos também etéreos, como vegetação, animais, nuvens e atmosfera já que na natureza nada permanece estacionário: “Marcham assim, paralelamente, o progresso do homem, o dos animais, seus auxiliares, o dos vegetais e o da habitação, porquanto nada em a Natureza permanece estacionário” (16).
    Fica claro, até aqui, a constatação, através da Doutrina Espírita, de outros níveis de materialidade (17) além daqueles que conhecemos, porém, é importantíssimo saber que os próprios Espíritos da Codificação na questão 182 do Livro dos Espíritos, não desejaram entrar em detalhes de como seria a constituição física e moral destes mundos: “Nós, Espíritos, só podemos responder de acordo com o grau de adiantamento em que vos achais. Quer dizer que não devemos revelar estas coisas a todos, porque nem todos estão em estado de compreendê-las e semelhante revelação os perturbaria”. Desta maneira, começamos a compreender o motivo pelo qual Kardec usou o verbo (seria ou estaria conforme a tradução), nos comentários a questão 188 do Livro dos Espíritos (18), ou seja, no futuro do pretérito, indicando um fato hipotético, quando fala dos habitantes de Marte sendo inferiores aos da Terra. Começa ficar claro também o porquê de Kardec classificar como probabilidades ou hipótese e não como Verdade todo o conteúdo das comunicações que tratavam na sua época (19) da descrição da vida em outros mundos: “Para nós, que temos testemunhado essas comunicações centenas de vezes, que as temos apreciado em seus mínimos detalhes, que lhes investigamos os pontos fracos e fortes, que observamos as similitudes e as contradições, nelas encontramos todos os caracteres da probabilidade; contudo, não as damos senão como inventário e a título de ensinamentos, de que cada um será livre para dar a importância que julgar conveniente” (20). Ora, se os Espíritos da Codificação não entraram em detalhes sobre a vida em outros mundos, Kardec sabiamente não julgou nem como falsas, nem como verdadeiras as informações (21) sobre a vida em Júpiter, Marte ou Vênus encontradas na Revista Espírita (22) lhes dando apenas o caráter de prováveis ou hipotéticas, sem terem a posição de Verdade. Desta forma, não podemos afirmar que o Espiritismo falhou quando a sonda Curiosity pousou em Marte e não encontrou populações inferiores à Terra. O que provavelmente está errada é a veracidade de determinadas comunicações mediúnicas, não a Doutrina Espírita, que atestam a inferioridade marciana como a do espírito Geores na Revista Espírita de outubro de 1860, mas isto não é motivo de espanto já que o próprio Kardec encontrou contradições entre centenas de comunicações (23) a respeito, nada mais natural que algumas delas não fossem completamente verdadeiras. Já sobre as obras de Chico Xavier, nós já vimos que através de uma leitura atenta, que tudo caminha do sentido de serem os marcianos mais evoluídos em todos os aspectos consequentemente, sendo menos materiais, não é estranho não podermos identificá-los nas imagens das nossas lentes. Deste modo não podemos dizer que as obras de Chico falharam muito menos a Doutrina Espírita através delas.
    Podemos afirmar sem medo de errar que o pano de fundo da maioria das críticas ao Espiritismo não é a busca pela verdade e sim a defesa feroz de uma visão de mundo onde as idéias espíritas não são bem vindas. Por isto, os que combatem o Espiritismo, por exemplo, usam da meia verdade, alardeiam contradições inexistentes, concluem erradamente, fazem generalizações falsas, trocam palavras dos textos originais por outras, caluniam, arrotam que sabem muito de Espiritismo, mas não sabem, usam da ironia, do sarcasmo e de insinuações maliciosas. Neste contexto, a questão da vida em Marte pareceu ser aos críticos do Espiritismo uma ótima oportunidade para atacar a Doutrina, gritando aos quatro ventos aquilo que seria uma profunda contradição: as fotos de Marte e as descrições mediúnicas e a consequente “prova” do fracasso da Doutrina Espírita. Entretanto, revelamos ao leitor que o verdadeiro fracasso não está na Doutrina Espírita, mas sim nesses argumentos de ataque que se alimentam de analises superficiais. A verdade é que, às imagens de Marte trazidas pelas sondas, robôs ou telescópios não tem o poder para desacreditar ou contradizer a Doutrina Espírita já que estas máquinas foram criadas apenas para ver elementos com a mesma materialidade do Planeta Terra e não a imensa diversidade de vida que pulsa em outros níveis de existência. Lembrando o Livro dos Espíritos na questão 55: São habitados todos os globos que se movem no Espaço? E a resposta foi Sim.

    (1) Este texto parte do pressuposto que a NASA não está escondendo nada do público.
    (2) Nos comentários de Kardec na questão 188 do Livro dos Espíritos: “De todos os globos que constituem o nosso sistema planetário, segundo os Espíritos, a Terra é daqueles cujos habitantes são menos adiantados, física e moralmente: Marte lhe seria ainda inferior…”.
    (3) Nos livros Cartas de uma Morta pelo espírito Maria João de Deus e Novas Mensagens pelo espírito Humberto de Campos, ambos psicografados por Chico Xavier ou também no livro Urânia de Camille Flammarion.
    (4) Todos os grifos são meus.
    (5) Acreditar que a encarnação nos diferentes mundos somente seja possível no mesmo nível da materialidade terrena é o mesmo do que acreditar que no Universo inteiro somente a Terra tenha vida.
    (6) No livro Cartas de uma Morta: “… ligeiras protuberâncias a guisa de asas que lhes prodigalizavam interessantes faculdades volitivas”.
    (7) No livro Novas Mensagens: “… entendendo perfeitamente as ideias dos estudiosos que as expunham através da linguagem universal do pensamento”.
    (8) No livro Novas Mensagens: “… o problema da alimentação essencial, através das forças atmosféricas, já foi resolvido, sendo dispensável aos seus habitantes felizes a ingestão das vísceras cadavéricas dos seus irmãos inferiores…”.
    (9) Se descrevêssemos na Idade Média, um mundo com a presença da matéria e energias escuras, descobertas pela Ciência atual, este mundo seria, quem sabe, fantasioso demais para ser verdade.
    (10) No livro Cartas de uma Morta no item Grande Espiritualidade: “A vibração de paz e de harmonia que ali se experimenta, irradiam aos corações, felicidades nunca sonhadas na Terra. A mais profunda espiritualidade caracteriza essa humanidade, rica de amor fraterno e respeito ao Criador”.
    (11) No livro Novas Mensagens no capítulo Marte: “Não conhecem os fenômenos da guerra e qualquer flagelo social, seria entre eles, um acontecimento inacreditável”.
    (12) Nos comentários a questão 58 do Livro dos Espíritos.
    (13) No livro Urânia na terceira parte item 03, encontramos a seguinte passagem sobre as habitações de Marte: “Vivemos principalmente na atmosfera e não temos habitações de pedra, de ferro e de madeira” sugerindo ao leitor outro tipo de materialidade.
    (14) Não sabermos as causas profundas que determinam uma civilização sutil utilizar um planeta material, da mesma forma não sabemos o porquê dos espíritos errantes se utilizarem de planetas bem materiais para habitação temporária, o fato é que não sabemos muito menos os críticos do Espiritismo, todas as Leis da Natureza que regem as interações entre os diversos níveis do real.
    (15) Existe também a indicação de um mar em Marte no livro Cartas de uma Morta tendo uma natureza menos densa. Isto indicaria a possibilidade do deste mar ser igualmente fluídico: “Vi oceanos, apesar da água se me afigurar menos densa…”.
    (16) Evangelho Segundo o Espiritismo em Progressão dos Mundos no capítulo Há Muitas Moradas na casa de Meu Pai.
    (17) Segundo a questão 22 do Livro dos Espíritos: “Mas a matéria existe em estados que ignorais. Pode ser, por exemplo, tão etérea e sutil, que nenhuma impressão vos cause aos sentidos. Contudo, é sempre matéria. Para vós, porém, não seria”.
    (18) Ver item 02.
    (19) Sobre a descrição de Vênus na Revista Espírita de outubro de 1862, ditado pelo espírito Georges, Kardec escreve: “Por certo esta descrição de Vênus não tem nenhum dos caracteres de autenticidade absoluta; assim só a damos a título hipotético”.
    (20) Texto extraído da Revista Espírita de março de 1858 em Júpiter e alguns outros mundos.
    (21) O fato dos Espíritos não entrarem em detalhes sobre o estado físico e moral dos diferentes mundos na questão 182 do Livro dos Espíritos, não impediu de Kardec receber através dos médiuns, mensagens mediúnicas relatando detalhes destes mundos. Isto não é nenhuma contradição, pois sempre teremos espíritos dispostos a falar sobre tudo, importa sabermos através da análise criteriosa, se a mensagem é falsa, verdadeira ou hipotética.
    (22) A Revista Espírita foi uma publicação mensal sob a direção de Allan Kardec entre os anos 1858 e 1869
    (23) A análise de centenas de comunicações revela o caráter investigativo de Kardec.

    Fausto Fabiano da Silva
    Faustofabianodasilva@yahoo.com.br
    BIBLIOGRAFIA
    KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 67 ed. São Paulo: Ed. Lake, 2007.
    KARDEC, Allan. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 260 ed. Araras: Ed. IDE.
    KARDEC, Allan. Revista Espírita. Março de 1858, Araras, SP: Ed. IDE, 2001.
    KARDEC, Allan. Revista Espírita. Outubro de 1860, Araras, SP: Ed. IDE, 1993.
    KARDEC, Allan. Revista Espírita. Agosto de 1862, Araras, SP: Ed. IDE, 1993.
    XAVIER, Francisco Cândido. Cartas de Uma Morta. 11ed. São Paulo: Ed. Lake,1990.
    XAVIER, Francisco Cândido. Novas Mensagens. 6 ed. Rio de Janeiro: Ed. FEB, 1978.
    CAMILLE, Flammarion. Urânia.Trad. de Almerindo Martins de Castro. 9. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

  3. 6 de junho de 2015 às 2:52

    Galileo foi ameaçado á fogueira. Graças a Deus abjurou preservando-se assim seus conhecimentos que foram passados aos homens da ciência pelo seus maravilhoso Discorsi. Só a história futura o pode reconhecer.
    Darwim foi achincalhado quando começou a divulgar suas percepções acerca da evolução. A história e a ciência comprovou uma a uma.
    O espiritismo não precisa do reconhecimento da ciência para continuar a ser uma doutrina da vida por excelência; mas a ciência será sua grande aliada com o advento da história futura.

  4. Pant2011
    13 de março de 2015 às 22:22

    SE VOCÊ ESTIVER PROCURANDO SERES ENCARNADOS EM CORPOS COM A MESMA ESTRUTURA FÍSICA DE NÓS NA TERRA NÃO VAI ENCONTRAR NESTES MUNDOS. A ENCARNAÇÃO NESTES MUNDOS SE DÁ EM CORPOS COM UMA ESTRUTURA PRÓPRIA DE CADA MUNDO. VEJA O LIVRO DOS ESPÍRITOS.
    181. Os seres que habitam os diferentes mundos têm corpos semelhantes aos nossos?

    — Sem dúvida que têm corpos, porque é necessário que o Espírito se revista de matéria para agir sobre ela; mas esse envoltório é mais ou menos material, segundo o grau de pureza a que chegaram os Espíritos, e é isso que determina as diferenças entre os mundos que temos de percorrer. Porque há muitas moradas na casa de nosso Pai, e muitos graus, portanto. Alguns o sabem e têm consciência disso aqui na Terra, mas outros anda sabem.

    A Nasa afirmou que em poucos anos mostrará em provas a vida em outros mundos.
    30 de Julho de 2014
    NASA afirma: Vida alienígena aparecerá em 20 anos
    De acordo com um cálculo elaborado por especialistas da NASA, existem 100 milhões de planetas em nossa galáxia que poderiam abrigar alguma forma de vida inteligente. É bem possível, portanto, que, daqui a duas décadas, a humanidade descubra a existência de seres extraterrestres. Durante a última conferência na sede de Washington, representantes da NASA revelaram um plano para procurar vida extraterrestre com a ajuda da última tecnologia em telescópios.
    A previsão é que, em 2017, seja lançado o Transiting Exoplanet Survey Satellite (TESS), que vai trabalhar em conjunto com o telescópio espacial James Webb, a ser lançado um ano depois. Ambos vão atuar para descobrir se, em algum dos milhões de planetas potencialmente aptos para a vida inteligente, existe alguma impressão química que a comprove. “O que não sabíamos há cinco anos é que, em, aproximadamente, 10% a 20% dos casos, há planetas do tamanho da Terra que orbitam estrelas e que se encontram na zona habitável”, declarou Matt Mountain, um dos cientistas que preparam o lançamento do telescópio James Webb.
    “Está no nosso alcance chegar a uma descoberta que vai mudar o mundo para sempre”. “Penso que, dentro de 20 anos, descobriremos que não estamos sozinhos no universo”, afirmou o astronauta Kevin Hand, que acredita que Europa, um dos satélites de Júpiter, pode abrigar vida.
    Fonte: RT

  5. 17 de janeiro de 2015 às 6:11

    Meu Irmão!
    Com referencia à tua interpretação, que supostamente afirma uma falha de Kardec, gostaria de lembrar que Kardec utiliza conjugações hipotéticas sobre os escritos publicados no ano de 1860… A informação veio… a confirmação: só com o tempo.
    Devemos viajar nas asas da imaginação, e é claro, buscar a verificação dos fatos.
    A falha esta em seu blog, que não consegue comparar ideias já positivadas anteriormente com fatos… “além da falta de sistematicidade Lógica”…

    “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (Kardec, A Gênese, capítulo I, item 55).”

  6. Anônimo
    17 de janeiro de 2015 às 6:10

    Meu Irmão!
    Com referencia à tua interpretação, que supostamente afirma uma falha de Kardec, gostaria de lembrar que Kardec utiliza conjugações hipotéticas sobre os escritos publicados no ano de 1860… A informação veio… a confirmação: só com o tempo.
    Devemos viajar nas asas da imaginação, e é claro, buscar a verificação dos fatos.
    A falha esta em seu blog, que não consegue comparar ideias já positivadas anteriormente com fatos… “além da falta de sistematicidade Lógica”…

    “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque, se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca de um ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto. Se uma verdade nova se revelar, ele a aceitará” (Kardec, A Gênese, capítulo I, item 55).”

  7. caio
    9 de agosto de 2014 às 4:43

    parabéns muito bem feita a matéria !! agora sobre as dimensões explicando de uma forma bem simples , elas não só existe em marte como existem aqui na terra também !! pelo que e falado seria 12 dimensões sendo o mundo físico em que vivemos o segundo mais grosseiro e material ainda haveria uma dimensão invisível aos olhos dos encarnados mas que teria mas densidade e seria ainda mais groseira e esta mas próxima do núcleo da terra !!! assim pensando nao seria impossível “para os espiritas” imaginar que somente poderia existir uma dimensão em marte a primeira e que essa seria totalmente feita de material grosseiro habitada por seres menos evoluídos, mas que nossos equipamentos nao poderiam localizar filmar , assim como não podem aqui na terra !! localizar e filmar o umbrais mais densos !! que estão próximos do núcleo da terra .

  8. 20 de abril de 2013 às 11:03

    Cara não li tudo, li só até:
    “De toscos homens do paleolítico, Marte passou a ter seres sutis e bem mais adiantados que nós. Ignoro como Flammarion lidou com as disparidades entre esse relato -dado por um marciano desdobrado durante o sono do corpo – e o da Codificação. Nesse mesmo capítulo de Urânia, surgem informações que sugerem estarmos diante de “comunicações” que, na verdade, apenas refletiam crenças e expectativas fora fora do meio espírita:”

    Não sei se você não percebeu ou talvez possa ter dificuldades com a escrita antiga, coisa que também tenho, mas como minha familia é espirita e frequento um centro que é Kardecista (estuda bastante sobre ação do espiritismo na materia humana para medicina e constituição de outros seres) posso tentar esclarecer um pouco. O que ouvi desde criança sobre outros mundos é que em Marte eles sempre foram avançados tecnologica/cientificamente, muito mais que nós, entretanto moralmente eram como os tais “Homens da Caverna” que menciona (estamos nos encaminhado para essa fase, mas ainda falta piorar muito, muito mesmo tipo mais 100 anos de penuria). Quando tudo ficar tipo o CAOS na TERRA (avanço tec e cint, mas debilidade moral da grande maioria de encarnados) é que o nosso planeta vai estar pronto para mudar de nivel como o deles (MARTE) mudou, certos espiritos mais elevados ficam e os menos elevados são direcionados para um outro palneta.
    Os mais elevados que vão ficar na Terra em nivel já avançado (o que demora ainda uns bons 100 anos) serão moral, tec e cient avançados (como os de Marte agora e por isso terão consistencia diferente, não dá pra ter o avanço tec e cient deles que nos parece quase magia com a nossa fisiologia atual, eles são algo mais energetico e por isso também a Terra vai ser algo mais energetico…fica com medo não mas para reconstruir tem de se destruir e transformar, logo a Terra material de agora será o Marte do futuro, inabitavel para matérias pesadas).
    E os que são menos elevados, por não conseguirem se adaptar energetica e fisiologicamente (ambos tendem a se tornam algo uno nos elevados) seguem para outro planeta mais pesado (algo semelhante ao que a Terra era nas 1ªs civilizações), como normalmente o numero de menos elevados (que não conseguiram resgatar ou seja melhorar/avançar moralmente) é alto eles são divididos em muitos mundos em iniciação, pois como tem uma capacidade cientifica/tecnologica mais avançada vai ajudar os espiritos primitivos que estão iniciando seu ciclo de vivencias reencarnatorias a evoluirem cint e tec. Seriam aqueles druidas, sacerdotes do egito, maias, astecas,incas, camboja….. putz todo aquele povo que faz coisas estupendas e ainda não sabemos como 😛 (para vc ver que ainda falta muita tec e ciencia nossa para alcança-los, mas os caras eram moralmente tão retards que escravizavam o pessoal igualando-se moralmente a nossa condição….. e a gente volta lá pq afinal estamos só no beggning do CAOS e cada hora aparece mais louco para resgatar erros do passado que acabam estourando na midia como novo escandalo de horro,mas never judge… tomos merecem chances, aos poucos se vai ao longe, afinal já fomos bicho ruim assim também e nem adiant que ainda nem somos assim tão superiores, falta muito……………………….., somos tudo farinha do mesmo saco, do mesmo MUNDO).

    Bom é isso espero que seja util, 😀

  9. guilherme
    27 de março de 2013 às 6:55

    Para o nosso compreendimento e nosso estado espiritual, algumas coisas não são esclarecidas por falta de entendimento, com a melhoria, esse “nó” que temos, será desfeito, apenas uma questão de tempo.

  10. guilherme
    27 de março de 2013 às 6:53

    Olá, gostaria de esclarecer, com o pouco que sei. Mas já li sobre espiritos menos evoluidos dando falsas psicográfias apenas por diversão.. Já foi dito por Chico Xavier para que se suas obras entrassem em conflito com as de Kardec, Kardec seria o certo.. Então devemos nos basear nas obras de Kardec para o entendimento, acredito assim como as demais entrarem em conflito, o mesmo deve ser feito.

  11. 13 de março de 2013 às 2:16

    Gostei muito da matéria e pretendo utilizar num estudo que farei no Centro Espírita que freqüentou.

    Bem, posso ser usado como bom ou mau exemplo…

    Porém não concordo com sua conclusão. Na resposta da questão 187 do LE está a explicação do teu questionamento, num mundo mais adiantado o perispírito é mais sutil, logo os habitantes desse planeta e, provavelmente, sua natureza também teriam um habitat propício à sua evolução.

    Mas por que um persipírito sutil num planeta tão material?

    Acreditando que marte seja superior a Terra não haveríamos de querer encontrar lá um mundo com vida material igual ao nosso, portanto para nossos olhos Marte não passa de uma rocha sem vida humana quando para olhos mais aguçados enxargariam uma civilização superior. Nosso planeta também possui um plano espiritual onde existe uma natureza e espíritos materializados que vivem na crosta terrestre.

    Tanto para Flammarion como Kardec acreditavam em seres encarnados lá, que se nutriam com os elementos de locais. Por que lá haveria apenas seres etéreos, então?

    Sim, pela questão 188 Marte seria inferior a Terra ficamos com Emmanuel e Flamarion nesse aspecto. Então vejamos que o movimento espírita é dinâmico e aceita melhorias.

    Nunca passou pela cabeça que os dois podem estar errados?

    Você também criticou o fato do movimento espírita não seguir a ciência por conta das descobertas recentes sobre Marte, mas a ciência já bateu o martelo sobre isso?

    A Revista Universo Espírita – Nº 50 / Ano 5, 2008, apelou para a Teoria das Supercordas para justificar as esquivas dos marcianos. Note que essa teoria, embora fantástica em termos de modelo matemático, não passou ainda por nenhum crivo experimental ainda. E existem teorias rivais com o mesmo propóstito que ela. Então, se eu não devo usar a ciência presente para rejeitar um Marte habitado, por ela estar sempre evoluindo, por que haveria de aceitar o uso de uma teoria não consolidada para ainda cogitar a existência dos marcianos?
    Perecebe essa contradição?

    Ela não aceita nem o fato de existir um plano espiritual!

    É que os marcianos são algo pior ainda: são um dragão na garagem.

    Abraços.

  12. Claudio Barbosa
    6 de março de 2013 às 1:15

    Gostei muito da matéria e pretendo utilizar num estudo que farei no Centro Espírita que freqüentou. Porém não concordo com sua conclusão. Na resposta da questão 187 do LE está a explicação do teu questionamento, num mundo mais adiantado o perispírito é mais sutil, logo os habitantes desse planeta e, provavelmente, sua natureza também teriam um habitat propício à sua evolução. Acreditando que marte seja superior a Terra não haveríamos de querer encontrar lá um mundo com vida material igual ao nosso, portanto para nossos olhos Marte não passa de uma rocha sem vida humana quando para olhos mais aguçados enxargariam uma civilização superior. Nosso planeta também possui um plano espiritual onde existe uma natureza e espíritos materializados que vivem na crosta terrestre.
    Sim, pela questão 188 Marte seria inferior a Terra ficamos com Emmanuel e Flamarion nesse aspecto. Então vejamos que o movimento espírita é dinâmico e aceita melhorias.
    Você também criticou o fato do movimento espírita não seguir a ciência por conta das descobertas recentes sobre Marte, mas a ciência já bateu o martelo sobre isso? Ela não aceita nem o fato de existir um plano espiritual!

  13. Marcos Oliveira da Silva
    5 de novembro de 2012 às 17:39

    Olá…
    Interessante teu site, parabéns! Sou espírita e busco melhorar a cada dia, e a doutrina me ajuda. Essa busca de melhoria pessoal independe de religião. Achei legal teu site, pois é questionador sem apelações, procurou sempre estar baseado em argumentos e fatos racionais. Aos espiritas ou espiritões, se quiserem, estudem mais e repensemos posições. Deiexemos ou tal de orgulho que tanto falamos de lado e busquemos tirar liçoes, tudo não tem um motivo! (estou sem conseguir digitar o ponto de interrogação). Vamos rir de nossos defeitos sim, e aprender com eles. Que eu saiba ninguém deu a autoridade total aos espiritas ou mesmo as revelações dos espiritos, então eu como espirita vou aproveitar teus escritos para estudar, entender e continuar buscando minha melhora moral.. Desejo que você com sua inteligência, cultura e capacidade de comunicação continue pensando e expondo tais pensamentos. Um grande abraço e fique com (DEUS), sei lá se você acredita, mas é o meu desejo rsrsrsrs. Marcos

  14. 19 de setembro de 2012 às 11:31

    Mesmo estando 500, mil, cem mil [ou milhões, bilhões por seu adendo] anos na nossa frente no estágio de evolução, acredito que todos espíritos EM EVOLUÇÃO devem reencarnar para chegar à perfeição.

    Bem, se acreditas, seja feliz.

    Sua conclusão, me deculpe falar, foi um tanto imatura, como se fosse 8 ou 80. Ou está encarnado na Terra, ou é muito perfeito pra encarnar em qualquer outro lugar.

    Essa conclusão da conclusão eu deixo por tua conta

    Não me arrisco a dizer quantos planetas são habitados, em quais estágios de evolução estão.

    Ponto para ti.

    Mas que existe uma escala evolutiva de milênios e talvez milhares de anos em que devemos passar por muitos desses planetas, quem sabe não só no Sistema Solar para a evolução plena até chegarmos à perfeição, existe.

    Mais uma vez, isso cabe aos que aceitam a doutrina.

    Jesus, quando pediu permissão para desenvolver nesse pedaço de rocha, o planeta Terra, já era Jesus. Ou seja, há bilhões de anos, Jesus já era Jesus. Conhecia de todas as ciências, artes, filosofias…já era um mensageiro direto de Deus, em toda sua perfeição.

    Esse é o Jesus da fé espírita. Não posso refutá-lo, nem você pode prová-lo. Particularmente, a visão de Jesus deste portal é a adotada por boa parte dos pesquisadores da área: um profeta judaico apocalíptico. Existem outras versões de Jesus não-religiosas, mas essa foi a que me convenceu. É válido que exponha seu Jesus para um confrade que a leia, mas não me afeta a linha de raciocínio.

    Assumiu a Terra junto aos seus amigos, estes juntamente foram fazendo os elementos químicos através da partícula universal, assim resolvendo fazer nosso mundo através do Carbono. Não tenho certeza, mas é muito provável, que em outros mundos, foram sendo adaptadas partículas universais de modo que o Carbono não fosse a melhor escolha para a “montagem” do planeta.

    Há especulações sobre formas de vida extraterrena baseadas em silício ou boro, mas todas elas pegam elementos conhecidos de nossa tabela periódica. Se estamos falando de formas de vida em um planeta material, nada mais esperado que se valham de elementos encontrados nesse planeta, muito materiais e visíveis.

    Talvez por isso não possamos enxergar a vida, em outros planetas. O olho humano é muito menos preciso, não vê cores como o das aves, por exemplo. A lente da câmera, os instrumentos utilizados para a análise do substrato de Marte, por exemplo, podem não perceber a grandeza que é o planeta, por trás dos nossos olhos, lentes e instrumentos. Creio que tu tens muito conhecimento, soube reunir uma boa bibliografia quanto ao assunto, mas não soube interpretá-lo direito, ao meu ver.

    Uma das alegações que já ouvi é de que as sondas só pousam em desertos ou os sobrevoam. Talvez não perceba, mas quanto mais os marcianos ficam arredios e elusivos, mais se parecem com a história do “Dragrão na garagem”. É difícil não achar essas explicações cada vez mais apelativas.

    Quando você falou que não se esperava mais do que micróbios, não era uma conclusão do trecho que tu tinhas posto ali, foi um comentário sobre a conclusão da ciência.

    Disse que não se espera mais que micróbios neste sistema solar (foram a Terra, claro). Se você incluir todo o universo no conjunto de busca, óbvio que a vida complexa em outros planetas se torna plausível. Micróbios são muito resistentes e ecléticos. Precisam de pouco e diversificam rápido sua fisiologia, sendo por isso que devem ser abundantes no cosmo. Seres pluricelulares já não têm tanto “jogo de cintura” e precisariam de um ambiente muito mais estável por longo período para permitir o advento de vida inteligente. Dado que o universo é hostil, tivemos sorte. Os dinossauros, não.

    Se queres fazer algo sério, não utilizes de deboxes, como o utilizado na sua conclusão do texto.

    O que chama de deboche é apenas um teste para diferenciar aqueles que são capazes de rir de si mesmos dos que não. Há uma diferença grande entre o sarcasmo e a ironia, e tenho um pé atrás com aqueles que se levam a sério demais.

    Este muda como nossa leitura é feita e distorce seu trabalho.

    Ninguém falou em “sua leitura”. Eu busco a leitura que alguém dos idos de 1860 haveria de ter e que, óbvio, é diferente da sua. Só assim posso justificar aquela postura naquela época e mostrar o quanto está defasada hoje.

    Gostei muito de ler essas informações, tenho algum conhecimento da doutrina, mas pouco. O pouco que sei partilhei contigo no início desse comentário e no final quis propor algumas hipóteses para te fazer pensar um pouquinho mais antes de escrever, ok?
    Abç!

    E penso, minha cara, agora e sempre.

  15. Natália
    19 de setembro de 2012 às 2:56

    milhares*, quis dizer milhões, bilhões…

  16. Natália
    19 de setembro de 2012 às 2:54

    Mesmo estando 500, mil, cem mil anos na nossa frente no estágio de evolução, acredito que todos espíritos EM EVOLUÇÃO devem reencarnar para chegar à perfeição. Sua conclusão, me deculpe falar, foi um tanto imatura, como se fosse 8 ou 80. Ou está encarnado na Terra, ou é muito perfeito pra encarnar em qualquer outro lugar. Não me arrisco a dizer quantos planetas são habitados, em quais estágios de evolução estão. Mas que existe uma escala evolutiva de milênios e talvez milhares de anos em que devemos passar por muitos desses planetas, quem sabe não só no Sistema Solar para a evolução plena até chegarmos à perfeição, existe.
    Jesus, quando pediu permissão para desenvolver nesse pedaço de rocha, o planeta Terra, já era Jesus. Ou seja, há bilhões de anos, Jesus já era Jesus. Conhecia de todas as ciências, artes, filosofias…já era um mensageiro direto de Deus, em toda sua perfeição. Assumiu a Terra junto aos seus amigos, estes juntamente foram fazendo os elementos químicos através da partícula universal, assim resolvendo fazer nosso mundo através do Carbono. Não tenho certeza, mas é muito provável, que em outros mundos, foram sendo adaptadas partículas universais de modo que o Carbono não fosse a melhor escolha para a “montagem” do planeta. Talvez por isso não possamos enxergar a vida, em outros planetas. O olho humano é muito menos preciso, não vê cores como o das aves, por exemplo. A lente da câmera, os instrumentos utilizados para a análise do substrato de Marte, por exemplo, podem não perceber a grandeza que é o planeta, por trás dos nossos olhos, lentes e instrumentos. Creio que tu tens muito conhecimento, soube reunir uma boa bibliografia quanto ao assunto, mas não soube interpretá-lo direito, ao meu ver. Quando você falou que não se esperava mais do que micróbios, não era uma conclusão do trecho que tu tinhas posto ali, foi um comentário sobre a conclusão da ciência. Se queres fazer algo sério, não utilizes de deboxes, como o utilizado na sua conclusão do texto. Este muda como nossa leitura é feita e distorce seu trabalho. Gostei muito de ler essas informações, tenho algum conhecimento da doutrina, mas pouco. O pouco que sei partilhei contigo no início desse comentário e no final quis propor algumas hipóteses para te fazer pensar um pouquinho mais antes de escrever, ok?
    Abç!

  17. 25 de maio de 2012 às 14:55

    Prezada Camila,

    Sua resposta foi enviada por e-mail

    [ ]’s

    Cyrix

  18. Camila
    22 de maio de 2012 às 20:47

    Olá,
    Me chamo Camila, sou pesquisadora da PUC-SP e estou escrevendo sobre o Espiritismo. Encontrei um texto na internet cuja autoria é do “Falhas do Espiriitsmo”. Gostaria de citá-lo, porém não tenho muitas informações para as referências bibliográficas. O texto se chama “Espiritismo, Ciência e Lógica”. É seu mesmo? Não consegui encontrar o texto neste site, mas sim no ateus.net. Preciso de informações como: link, ano de publicação e autor (pode ser anônimo também, mas teria mais crédito se tivesse um nome). Agradeço se puder enviar as informações para o meu email: cammys28@hotmail.com. Outra coisa, quais são as referências utilizadas no texto? Por exemplo, Popper, Stephen J. Gould e Kuhn?
    Grata,
    Camila

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